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Vazamento massivo de metano em plataformas de petróleo é detectado do espaço

Metano vazado no Golfo do México entre 8 e 27 de dezembro de 2021 chegou a quase 40 mil toneladas e pôde ser identificado do espaço

Gás de efeito estufa, o metano é um dos principais responsáveis pela crise climática.

Um grupo de cientistas da Universidade Politécnica de Valência descobriu recentemente que a empresa petrolífera mexicana Pemex liberou cerca de 40.000 toneladas de metano entre 8 e 27 de dezembro de 2021. As plumas foram detectadas na plataforma “Zaap-C” de produção de petróleo e gás, perto da costa de Campeche, no sul do México.

A identificação de um grande vazamento de metano foi possível pela primeira vez a partir do espaço, procedente de uma instalação em alto-mar (off-shore). A descoberta, divulgada em um estudo recente publicado na revista “Environmental Science and Technology Letters” é mais um avanço tecnológico que permite comprovar o estrago que a indústria de combustíveis fósseis está gerando no mundo.

“Nossos resultados mostram como os satélites podem detectar as trilhas de metano das infraestruturas offshore”, afirmou um dos autores, Luis Guanter, da Universidade Politécnica de Valência (Espanha), em um comunicado.

 

Foto: Dados do Copernicus Sentinel (2021), processados via ESA

 

O metano é o segundo gás estufa mais concentrado na atmosfera, depois do dióxido de carbono. Segundo a Agência Espacial Europeia (ESA), os vazamentos de instalações em alto-mar representam quase 30% da produção mundial do metano. Embora fique na atmosfera por menos tempo que o gás carbônico, tem um poder de aquecimento 80 vezes maior em um período de 20 anos.

A Pemex já havia sido denunciada em 2019 por queimar grandes quantidades de gás natural para as quais não tem capacidade de processamento (Infobae, 9/6), e tem falhado em cumprir seus compromissos de reduzir os efeitos negativos sobre o meio ambiente gerados por sua produção.

O estudo observa que a liberação do poluente no Golfo do México foi possivelmente devido a “condições anormais de processo no local”, como mau funcionamento ou problemas de equipamentos. “Sem a abordagem de monitorização descrita no documento, eventos semelhantes permaneceriam invisíveis e inexplicáveis ”.

Até agora, nem a Pemex nem o Ministério da Energia se pronunciaram aos jornalistas.

Vazamentos visíveis e invisíveis também ameaçam o Brasil. O avanço do petróleo e gás no país é cada vez mais agressivo e descuidado. O governo federal, via órgãos e agências nacionais que deveriam regular e proteger o meio ambiente na elaboração dos seus planos energéticos, participam da liberação da destruição. A crise climática se agrava e a transição justa tão falada, fica apenas no discurso.

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