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Ministério da Energia diz que “bandeira Escassez Hídrica não será suficiente” para cobrir custos

Ministério da Energia diz que “bandeira Escassez Hídrica não será suficiente” para cobrir custos

“A culpa é claramente da falta de planejamento e da incompetência do governo”, disse o senador Jean Paul (PT), membro da Comissão da Crise Energética do Senado

O Ministério de Minas e Energia anunciou nesta quarta-feira (13) que nem a bandeira tarifária de escassez hídrica que fez o preço da conta de luz explodir está sendo capaz de cobrir os custos para a manutenção da segurança energética do país.

Segundo Marisete Dadald, secretária-executiva da pasta, os gastos estão sendo muito maiores do que o previsto pelo governo Jair Bolsonaro. As distribuidoras de energia pressionam por um novo aumento alegando déficit financeiro.

“A bandeira ‘Escassez Hídrica’… não será suficiente para a cobertura de todos os recursos que nós utilizamos para a segurança energética”, disse a secretária-executiva durante evento.

Mesmo assim, Dadald tentou passar tom otimista, em certa negação da realidade. “Estamos ainda em um momento de atenção, mas com as medidas que a gente vem implementando desde outubro de 2020 temos obtido resultados satisfatórios”, disse.

À Fórum, o senador Jean Paul Prates (PT-RN), membro da Comissão da Crise Energética montada no Senado e líder da Minoria, criticou a postura do governo.

“O governo insiste em negar a crise ou atribuí-la a São Pedro, quando a culpa é claramente da falta de planejamento e da incompetência. Quando entramos nesta crise hídrica já eram claros os sinais de um problema energético global”, disse o senador à Fórum.

“O acionamento das térmicas foi o primeiro e mais necessário impulso das autoridades que estão gerenciando o problema. Mas ao estabelecerem as novas bandeiras, mais uma vez o governo errou e faltou planejamento quando não considerou os aumentos do dólar e do petróleo além dessa política de preços suicida da Petrobras. Em breve vamos instalar a Comissão do Senado encarregada de acompanhar a gestão da crise e teremos instrumentos para tentar corrigir esses erros de trajetória que sempre penalizam uma única pessoa: o consumidor final”, completou Jean Paul.

Com informações da CNN Brasil

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/bandeira-escassez-hidrica-nao-sera-suficiente-para-cobrir-custos/

Times Square inundada e avenida Paulista em chamas, assim a crise climática afetará a sua rua

Times Square inundada e avenida Paulista em chamas, assim a crise climática afetará a sua rua

Laboratório de inteligência artificial canadense desenvolve uma ferramenta que simula os efeitos de inundações e outros fenômenos meteorológicos extremos em diversos lugares do mundo

Por Manuel G Pascoal – El País

A maioria de consequências físicas decorrentes do aquecimento global parece distante de nós. E, por não sofrê-las diretamente, custamos a interiorizar a extrema gravidade da crise climática que o planeta atravessa. O Mila – Instituto de Inteligência Artificial do Québec quis pôr seu grão de areia para conscientizar a humanidade sobre o mundo para o qual nos encaminhamos. Uma equipe de pesquisadores do prestigioso centro dirigido por Yoshua Bengio, considerado um dos pais das redes neuronais, desenvolveu uma ferramenta que permite visualizar os efeitos de inundações, incêndios e nuvens poluentes em diferentes lugares do mundo. A simulação fica por conta de uma rede adversária generativa (GAN), um tipo de algoritmo de aprendizagem automática (machine learning) que serve, por exemplo, para gerar imagens realistas a partir do nada, como as dos rostos de pessoas inexistentes no site thispersondoesnotexist.com ou nos vídeos deep fake.

O projeto, que envolveu 30 cientistas durante dois anos, tem de fato um nome inspirado no famoso site de pessoas falsas: This Climate Does Not Exist (“este clima não existe”). Ele foi aberto ao público nesta quinta-feira, e para usá-lo basta teclar um endereço ou selecionar um ponto recolhido pelo Google Street View. Em seguida, indica-se o tipo de catástrofe a visualizar: inundação, incêndio descontrolado ou nuvem de poluição. O algoritmo faz sua magia e devolve a imagem com o efeito solicitado. Claro que essas imagens não pretendem ser um retrato exato do que aconteceria em cada lugar concreto se medidas não forem tomadas, e sim uma ilustração dos piores efeitos possíveis no cenário que o usuário escolher.

“Um dos desafios mais importantes foi conseguir que o algoritmo fosse capaz de simular inundações em uma grande variedade de imagens”, diz Alex Hernandez-Garcia, um dos pesquisadores principais do projeto. “Simplificando muito, um módulo do algoritmo se encarrega de detectar quais partes da imagem devem ser cobertas de água e outro módulo se encarrega de gerar a textura da água incorporando o contexto da imagem —por exemplo, o reflexo dos edifícios. Finalmente, o resultado destes dois módulos é combinado para gerar a imagem final.”

Para detectar onde cobrir com água ou não, Hernandez-Garcia e seus colegas combinaram várias técnicas de visão artificial e aprendizagem automática. “Por um lado, geramos uma cidade virtual por computador que nos permitiu ter uma série de imagens com e sem água. Também ajustamos um algoritmo que fosse capaz de fazer boas interpretações nesse mundo virtual, detectando as diferentes partes de uma cena: chão, carros, edifícios, árvores, gente etc.”, exemplifica. “Por outro lado, o algoritmo deve ser capaz de fazer boas interpretações em imagens reais (as do Google Street View).” Para isto, usaram as redes adversárias generativas (GANs).

O processo se completa em poucos segundos e, antes de mostrar o resultado ao usuário, são fornecidas informações sobre as causas e consequências do fenômeno meteorológico selecionado e sua relação com a mudança climática. Por exemplo, se o usuário optar por uma inundação, fica sabendo que as enchentes inundações repentinas matam 5.000 pessoas por ano, que se espera que o nível do mar suba dois metros até o final do século, e que essa importante alteração do planeta alterará para sempre a vida de pelo menos um bilhão de pessoas até o final de 2050. “Se não fizermos nada, logo enfrentaremos grandes catástrofes climáticas”, afirma o professor Bengio, diretor científico do Mila. “Este site torna os riscos da mudança climática muito mais reais e pessoais para os indivíduos.”

Redes adversárias generativas

inteligência artificial deu um salto de qualidade há cerca de uma década com o surgimento e consolidação da aprendizagem automática e a aprendizagem profunda (deep learning). Estas técnicas se baseiam treinar a máquina para que, depois de chegar sozinha a certas conclusões, seja capaz de realizar tarefas complexas. Por exemplo, se você desejar que o algoritmo distinga entre muffins e chihuahuas, o programador insere uma série de exemplos de cada categoria e depois entrega milhares de imagens sem classificar. A máquina estabelecerá suas associações e, quando se equivocar e for avisada do erro, refinará seus critérios de distinção.

Bengio ganhou em 2018 o Prêmio Turing, considerado o Nobel da informática, junto com Geoffrey Hinton e Yann LeCun por sua contribuição para o desenvolvimento das redes neuronais. Elas são um passo a mais na aprendizagem automática e tentam imitar o funcionamento do cérebro humano: aplicam várias camadas simultâneas de processamento, o que aumenta seu rendimento. Estão por trás dos sistemas de classificação mais complexos, como os assistentes de voz e os modelos de predição avançados.

As redes adversárias generativas (do inglês “generative adversarial networks”, GAN) vão um pouco mais longe. Foram inventadas também no Mila em 2014 e são capazes de gerar conteúdo novo que, aos olhos humanos, parece totalmente real. Estão por trás dos cada vez mais sofisticados vídeos falsos hiper-realistas (deep fake) gerados por computador, em que personagens conhecidos podem dizer ou fazer o que seu programador quiser. Funcionam graças à competição entre duas redes neuronais: uma delas trata de elaborar imagens as mais realistas possíveis, e a outra tenta detectar se são reais ou uma invenção. Isso acontece milhares ou milhões de vezes e, durante o processo, a rede geradora aprende a criar imagens cada vez mais aperfeiçoadas. Quando a primeira consegue enganar a segunda, temos a imagem ganhadora. Por exemplo, a da avenida Paulista inundada ou o Capitólio de Washington mergulhado numa nuvem tóxica.

“Estamos usando um novo tipo de GAN desenvolvido por nós mesmos para gerar as imagens de mudança climática que podem ser vistas no nosso site”, diz o Mila. “Em geral, a disponibilidade limitada de imagens e a necessidade de adaptar o algoritmo a um grande número de situações foram os desafios técnicos principais que enfrentamos”, explica Hernandez-Garcia.

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Simulação de inundação na Avenida Paulista-SP.

Fonte: https://brasil.elpais.com/tecnologia/2021-10-14/times-square-inundada-e-avenida-paulista-em-chamas-assim-a-mudanca-climatica-afetara-sua-rua.html

Últimas partes do Oceano Ártico cobertas de gelo podem não sobreviver às mudanças climáticas

Últimas partes do Oceano Ártico cobertas de gelo podem não sobreviver às mudanças climáticas

Um novo estudo descobriu que a “última área de gelo”, uma região ártica conhecida por sua espessa cobertura de gelo, pode ser mais vulnerável às mudanças climáticas do que os cientistas suspeitavam.

Esta zona congelada, que fica ao norte da Groenlândia, ganhou este nome porque, embora seu gelo cresça e diminua sazonalmente, grande parte do gelo marinho era considerado espesso o suficiente para persistir durante o calor do verão.

Mas durante o verão de 2020, o Mar Wandel – na parte oriental da área – perdeu 50% de sua concentração de gelo, trazendo a cobertura ao seu nível mais baixo desde que os registros começaram.

No novo estudo, desenvolvido por cientistas da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, os pesquisadores descobriram que as condições meteorológicas estavam causando o declínio, mas as mudanças climáticas tornaram isso possível, diminuindo gradualmente o gelo da área ano após ano. Isso sugere que o aquecimento global pode ameaçar a região mais do que sugeriam os modelos climáticos anteriores.

Ursos polares, focas e morsas correm risco de perderem a última região coberta de gelo nesta área do Oceano Ártico. À medida que a mudança climática derrete outras regiões do Ártico, isso pode significar problemas para os animais que dependem do gelo do mar para se reproduzir.

A área se estende por mais de 2.000 quilômetros, da costa norte da Groenlândia até a parte oeste do arquipélago ártico canadense. Lá, o gelo marinho tem tipicamente pelo menos 5 anos de idade, medindo cerca de 4 metros de espessura.

Como em outras partes do Oceano Ártico, o gelo ali tem se tornado cada vez mais fino.

O estudo, que utilizou dados de satélite e modelos de gelo marinho para descobrir o que criou essa diminuição, apontou que cerca de 80% foi devido a fatores relacionados ao clima, como ventos que quebram e movem o gelo.

Os outros 20% vieram do afinamento a longo prazo do gelo marinho devido ao aquecimento global.

O modelo descobriu que ventos incomuns moveram o gelo marinho para fora da área, mas que a tendência de diluição de vários anos também contribuiu, permitindo que mais luz solar aquecesse o oceano. Então, quando os ventos aumentaram, essa água quente foi capaz de derreter os blocos de gelo próximos.

Em gelo fino

Observações de satélite e modelos climáticos revelaram que, em 2020, ventos incomuns que se moviam para o norte quebraram o gelo marinho e o empurraram para longe do Mar Wandel. Na verdade, a cobertura recorde de gelo marinho em 2020 teria sido menor ainda se não fosse pelo gelo espesso que se infiltrou na área durante os meses de inverno daquele ano.

As extensões mais baixas da cobertura de gelo do Ártico ocorreram nos últimos 15 anos, e as projeções climáticas sugerem que o gelo marinho de verão em todo o Ártico, exceto nesta área, pode desaparecer completamente em 2040.

No ano passado, o Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo (NSIDC), nos Estados Unidos, descobriu que o mínimo de gelo marinho do Ártico atingiu seu segundo ponto mais baixo de todos os tempos (depois de 2012). E embora o novo estudo tenha investigado apenas o Mar Wandel, os dados sugerem que no verão o gelo marinho em toda a última área de gelo também pode estar em risco.

Embora o novo estudo não diga se ou quando a Última Área de Gelo pode derreter completamente, a tendência de derretimento acelerado deve continuar.

As descobertas foram publicadas ontem na revista científica Communications Earth and Environment.

Com informações da Universidade de Washington e Live Science.

Estudo: Usina hidrelétrica na Amazônia contribui com emissões de efeito estufa significativas

Estudo: Usina hidrelétrica na Amazônia contribui com emissões de efeito estufa significativas

Foto: Usina Hidrelétrica de Belo Monte (PA) |

O aumento da demanda de energia em escala global aumentou o número de projetos hidrelétricos em rios tropicais. Essa tendência tem chamado a atenção para os resultados negativos do represamento de grandes rios da bacia do Rio Amazonas, onde se espera que centenas de hidrelétricas tenham impactos nas comunidades ribeirinhas e nos ecossistemas.

As emissões de gases de efeito estufa representam uma questão crítica no debate sobre os benefícios versus custos socioambientais da expansão hidrelétrica na Amazônia.

Foram construídas centenas de usinas hidrelétricas na bacia amazônica para aproveitar a energia supostamente “verde” gerada por seu complexo de rios.

Mas os pesquisadores do clima agora sabem que a energia hidrelétrica não é tão boa para o meio ambiente quanto se pensava. Embora nenhum combustível fóssil seja queimado, os reservatórios liberam milhões de toneladas de metano e dióxido de carbono à medida que a vegetação se decompõe debaixo d’água.

As chamadas usinas hidrelétricas a “fio d’água”, como Belo Monte ao longo do Rio Xingu, que têm reservatórios menores e canais que permitem a redução do fluxo do rio, deveriam resolver o problema, mas um estudo publicado na revista científica Science Advances descobriu que não é bem assim.

A equipe do pesquisador de clima Dailson Bertassoli estudou as emissões de metano e dióxido de carbono durante os primeiros dois anos de operação de Belo Monte e comparou os resultados aos níveis anteriores ao enchimento dos reservatórios, descobrindo um aumento de três vezes nas emissões de gases de efeito estufa.

“Depois de inundar a terra seca, a matéria orgânica que ficou presa no solo começa a se degradar”, disse à Agence France-Presse o professor de geologia e mudanças climáticas da Universidade de São Paulo. “Em vez de um rio natural, temos agora um reator que favorece a produção de metano”, acrescentou.

Andre Sawakuchi, professor da Universidade de São Paulo com foco em mudanças climáticas e sistemas fluviais e que também participou do estudo, acrescentou que esta análise destaca duas questões a serem consideradas na construção de usinas hidrelétricas na região.

Um é o impacto ambiental local sobre as espécies aquáticas exclusivas da área e o outro é o impacto social nas comunidades indígenas que vivem ao longo do rio.

Grupos indígenas e ambientalistas protestaram contra a construção proposta de Belo Monte na década de 1990, fazendo com que fosse abandonado antes de ser revivido como uma usina a fio d’água em 2011.

Grupos ambientalistas protestaram contra a perda da floresta que precisou ser derrubada para o local, enquanto grupos indígenas resistiram à perda de terras inundadas e redirecionaram ou desviaram o fluxo natural do rio.

Sawakuchi argumenta que é importante manter o fluxo do rio, apesar do aumento da necessidade de energia, e não “interromper esse ciclo natural com usinas hidrelétricas de qualquer tipo”.

Os autores concluíram em seu estudo que se o Brasil continuar construindo usinas a fio d’água ao longo da Amazônia, é importante pelo menos evitar inundações de vegetação, aumentando assim os gases de efeito estufa.

Um estudo de 2019 da Environmental Defense Fund (EDF) descobriu que algumas das usinas hidrelétricas do mundo são sumidouros de carbono – o que significa que absorvem mais carbono por meio da fotossíntese por organismos que vivem na água do que emitem por decomposição – , enquanto outros têm pegadas de carbono iguais ou maiores do que os combustíveis fósseis.

De acordo com o estudo, das quase 1.500 usinas em todo o mundo que a EDF examinou e são responsáveis ​​por metade da geração hidrelétrica global, mais de 100 instalações têm emissões de GEE que causam mais aquecimento do que os combustíveis fósseis.

Com informações da Agence France-Presse

Carta aberta para o estabelecimento de um novo Relator Especial da ONU sobre Direitos Humanos e Mudanças Climáticas

Carta aberta para o estabelecimento de um novo Relator Especial da ONU sobre Direitos Humanos e Mudanças Climáticas

Foto: Reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU |

Uma carta publicada pela Federação Internacional de Direitos Humanos – assinada pela Fundação Arayara Brasil e Fundação Arayara Uruguai, junto à Coalizão Não Fracking Brasil e Fé, Paz e Clima, além de centenas de organizações pelo mundo – demanda urgência ao tratar das mudanças climáticas e seus impactos cada vez mais graves para a sociedade e o planeta.

A carta pede, ainda, que seja definido um novo Relator Especial sobre Direitos Humanos e Mudanças Climáticas na ONU.

Leia, abaixo, a tradução:

Como a 47ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU (CDH) está ocorrendo de 21 de junho a 15 de julho de 2021, a sociedade civil abaixo assinada e as organizações de Povos Indígenas apelam aos Estados membros da ONU, através do CDH, para estabelecer nesta sessão um novo Relator Especial sobre Direitos Humanos e Mudanças Climáticas na ONU.

As mudanças climáticas são uma ameaça existencial para a humanidade, colocando em risco a realização de todos os direitos humanos para as gerações presentes e futuras. À medida que os impactos da crise climática se agravam e agravam as formas de discriminação contra diversos povos, indivíduos e grupos em nossas sociedades, a ação não pode mais ser adiada no CDH e medidas urgentes de proteção às pessoas e ao planeta devem ser adotadas. A questão das mudanças climáticas não pode ser deixada apenas para diálogos interativos interessantes ou para os diferentes procedimentos especiais existentes para abordá-la quando possível, mesmo que suas várias contribuições tenham sido notáveis.

A criação de um mandato dedicado de Relator Especial com foco nos desafios da mudança climática é uma solicitação de longa data de um número crescente de organizações da sociedade civil e de Povos Indígenas, visto que um mandato dedicado permitiria ao CDH elevar seu trabalho sobre as mudanças climáticas de forma sistemática e sustentável, proteger as pessoas das mudanças climáticas descontroladas e seus impactos inevitáveis ​​e promover o respeito pelos direitos humanos nas respostas climáticas. Simplificando, as mudanças climáticas devem ser uma prioridade mais alta no CDH.

Em 2019, as Ilhas Marshall, em nome do Fórum Vulnerável ao Clima (CVF), solicitaram a criação de um Relator Especial do CDH dedicado aos direitos humanos e mudanças climáticas na 25ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. Nos últimos dois anos, essa proposta ganhou força entre os Estados. Durante a 46ª sessão do HRC em março de 2021, em um movimento sem precedentes, um grupo interregional de 56 Estados juntou-se a Bangladesh em uma declaração que conclamava os membros do Conselho a considerarem a criação deste novo mandato.

Agora é hora de agir com base nessas declarações. Nós, abaixo assinados, reiteramos assim nosso apelo instando os Estados a estabelecer um novo Relator Especial sobre direitos humanos e mudança climática na 47ª sessão do Conselho de Direitos Humanos.

A carta original, em inglês, pode ser lida abaixo e aqui.

UN: Open letter for the Establishment of a new UN Special Rapporteur on Human Rights and Climate Change

As the 47th session of the UN Human Rights Council (HRC) is taking place from 21 June to 15 July, 2021, the undersigned civil society and Indigenous Peoples organizations call on the UN member States through the HRC to establish at this session a new UN Special Rapporteur on human rights and climate change.

Climate change is an existential threat for humanity, jeopardizing the realization of all human rights for present and future generations. As the impacts of the climate crisis worsen and aggravate intersecting forms of discrimination against various peoples, individuals and groups in our societies, action can no longer be postponed at the HRC and urgent measures to protect people and the planet must be adopted. The issue of climate change cannot only be left any more to interesting interactive dialogues or to the existing different Special Procedures to address it when they can, even if their various contributions have been remarkable.

The creation of such a dedicated Special Rapporteur mandate focusing on the challenges of climate change is a longstanding request by a growing number of civil society organizations and of Indigenous Peoples, given that a dedicated mandate would enable the HRC to elevate its work on climate change in a systematic and sustainable way, protect people from runaway climate change and its unavoidable impacts, and promote respect for human rights in climate responses. Simply put, climate change must be a higher priority at the HRC.

In 2019, the Marshall Islands, on behalf of the Climate Vulnerable Forum (CVF), called for the creation of a dedicated HRC Special Rapporteur on human rights and climate change at the 25th Conference of the Parties to the UN Framework Convention on Climate Change. In the past two years, this proposal has gained momentum amongst States. During the 46th session of the HRC in March 2021, in an unprecedented move, a cross-regional group of 56 States joined Bangladesh in a statement that called upon Council members to consider creating this new mandate.

It is now time to act on these statements. We, the undersigned, thus reiterate our call urging States to establish a new Special Rapporteur on human rights and climate change at the 47th session of the Human Rights Council.

As mudanças climáticas, a pior seca do século e a crise energética

As mudanças climáticas, a pior seca do século e a crise energética

Milhões de brasileiros enfrentam a escassez de água e o risco de apagões de energia nesta que é considerada a pior seca em quase um século no Brasil, prejudicando ainda mais nossa recuperação dos impactos devastadores da pandemia.

O volume de chuva registrado desde outubro é o menor dos últimos 91 anos. O nível das águas nos reservatórios do sistema Cantareira, que atende mais de 7 milhões de pessoas na cidade de São Paulo, caiu para menos de um décimo de sua capacidade este ano.

Também é preocupante a situação dos reservatórios de hidrelétricas do Sudeste e Centro-Oeste, que respondem por mais da metade da capacidade de geração do país. A previsão do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) é de que os reservatórios devem chegar a novembro com 10,3% da capacidade – o menor nível mensal em 20 anos.

Como a energia hidrelétrica responde por cerca de 70% da matriz elétrica do Brasil, a seca também reduziu a produção de eletricidade. Isso forçou uma mudança para a geração de energia por termelétricas, mais cara, aumentando os preços da eletricidade para empresas e consumidores.

Em abril, as contas de luz foram fechadas com bandeira amarela, que representa R$ 1,34 a mais a cada 100 kWh. Já em maio, passou para bandeira vermelha 1, onde é cobrada uma taxa adicional mais alta, de R$ 4,169 para cada 100 kWh. Em junho, as faturas terão a bandeira mais cara do sistema, chamada “vermelha 2”, que representa uma cobrança adicional de R$ 6,24 para cada 100 kWh, mas que deve aumentar esse valor para R$ 10, a partir de julho, pelos cálculos da Aneel.

Um ciclo vicioso de impactos negativos

Não é nenhuma novidade que nosso modelo atual baseado em energia hidrelétrica e térmica não é sustentável. O aumento das secas pressiona os reservatórios das hidrelétricas e a resposta que temos é o acionamento das termelétricas – que, além de custar caro, aumenta as emissões de gases de efeito estufa e agrava o problema.

Hoje, a mudança climática, impulsionada pelo aumento das emissões de gases que retêm o calor, está desempenhando um papel decisivo no aumento da gravidade da seca por meio de suas influências na chuva e na evaporação.

Assim como as mudanças climáticas agravaram muitos eventos climáticos extremos, o excesso de calor agora preso no sistema climático retira mais umidade do solo, piorando as condições de seca.

Uma pesquisa da Michigan State University, nos Estados Unidos, aponta que o número de pessoas que enfrentam secas extremas pode dobrar até o final do século. Eles preveem que uma grande redução no armazenamento natural de água em dois terços do mundo, causada pela mudança climática, vai piorar o problema.

Os pesquisadores basearam o estudo em um conjunto de 27 simulações de modelos climáticos hidrológicos globais abrangendo 125 anos.

Preocupação global

Volumes reduzidos de neve acumulada, derretimento precoce da neve e mudanças nos padrões de precipitação – também ligados às mudanças climáticas – agravam o estresse hídrico induzido por secas. E para vários eventos individuais em todo o mundo, os cientistas atribuíram o aumento da probabilidade e gravidade das secas às mudanças climáticas causadas por nós mesmos.

Nos Estados Unidos, a seca intensa e o calor recorde atingem a região oeste. Os impactos do clima extremo são claros – concessionárias de eletricidade estão pedindo aos consumidores que racionem energia e água, agricultores estão lutando para vender ou economizar seus produtos e as autoridades estão fazendo planos para manter as comunidades seguras. Tudo antes de chegar o verão (que, nos EUA, inicia no final de junho).

Na Europa, a Alemanha enfrenta uma potencial escassez de água potável. Desde 2018, chove muito pouco no país e os períodos persistentes de seca estão tendo consequências de longo alcance.

Somente em agosto do ano passado, várias cidades alemãs foram parar nas manchetes, depois que a água potável tornou-se tão escassa que as autoridades locais tiveram que emitir diretrizes rígidas de economia de água.

Todas as evidências apontam em uma direção: os países devem acelerar urgentemente suas transições para a energia limpa. Isso é fundamental para evitar os piores efeitos das mudanças climáticas – e para construir um futuro mais saudável, no qual todos tenham acesso a fontes de energia sustentáveis ​​e acessíveis.