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O declínio do fracking e as possibilidades da transição energética

Durante a Cúpula de Líderes sobre o Clima da semana passada, o presidente americano Joe Biden anunciou a meta de reduzir a poluição dos gases de efeito estufa pela metade até 2030, em comparação ao ano de 2005.

O que se tem discutido é que os EUA não irão alcançar essa meta sem o estado da Pensilvânia, com um dos maiores números de poços de fracking. Agora, o estado tem a oportunidade de administrar o declínio dessa indústria de energia poluente, ao mesmo tempo em que investe em empregos sustentáveis ​​e bem remunerados.

Embora a queima de gás natural emita menos CO2 do que a queima de carvão ou petróleo, o gás natural libera uma alta quantidade de metano – que é cerca de oito vezes mais forte como gás de efeito estufa que o carbono, embora dure menos tempo. A Organização das Nações Unidas deve divulgar em breve um relatório declarando a urgência de cortar o metano para evitar os piores efeitos da mudança climática.

A produção de gás natural nos Estados Unidos foi responsável por 27% das emissões de metano da indústria só em 2018. O Departamento de Proteção Ambiental da Pensilvânia identificou 8.500 poços de petróleo e gás abandonados e desconectados e estima aproximadamente 200.000 poços não documentados mais antigos, muitos dos quais podem estar vazando metano.

Vários estudos sugerem que os vazamentos de metano estão minando a capacidade do gás natural de contribuir de maneira significativa para a redução das emissões como um “combustível de transição”.

No entanto, a Pensilvânia continua a construir infraestrutura para a indústria de gás natural – seja por meio do vazamento do gasoduto Mariner East, novas licenças de fracking e plantas petroquímicas subsidiadas.

Desde 1990, a Pensilvânia perdeu 42 mil empregos na fabricação de metais e 12 mil na mineração de carvão – uma perda de 60% dos empregos nessas duas indústrias. O fracking, que era considerado um incentivo ao desenvolvimento econômico, criou muito menos empregos do que o prometido pela indústria, e esses empregos criados estão agora em risco.

Mas existe uma oportunidade aí. As duas ocupações que os projetos do Bureau of Labor Statistics – uma unidade do Departamento de Trabalho americano – vêem crescer mais rapidamente nos próximos anos são instaladores de painéis solares e técnicos em turbinas eólicas.

A Casa Branca está propondo investimentos que irão criar milhões de empregos no setor. Se a Pensilvânia fizer a transição dos subsídios aos combustíveis fósseis – que totalizam bilhões de dólares – em empregos para a transição energética, essa oportunidade deve crescer ainda mais rápido.

À medida que a crise climática se agrava, medidas mais fortes para reduzir rapidamente as emissões se tornarão necessáriass. Não só a Pensilvânia, mas o mundo, tem uma escolha: esperar o declínio do fracking e dos combustíveis fósseis – o que já é previsto e certo – ou administrá-lo, beneficiando os trabalhadores e o meio ambiente.

Biden já aderiu novamente ao Acordo de Paris e estabeleceu uma meta de atingir emissões líquidas zero até 2050.

Sua saúde ameaçada: Entenda os graves riscos da exploração de combustíveis fósseis

Neste Dia Mundial da Saúde pouco se tem a celebrar. A pandemia que desencadeou tragédias globais, também escancarou as desigualdades locais e o descaso com a saúde e a vida, que estão a cada dia mais ameaçadas por governos, instituições e interesses que negam a ciência e a urgente necessidade de transição para uma sociedade mais justa e sustentável.

A exploração de combustíveis fósseis continua indo na contramão dos fatos, matando milhares a cada ano e ameaçando todo tipo de vida. Neste artigo, a ciência prevalece. Reunimos uma série de estudos que apontam os graves riscos à saúde e à vida causados pela exploração de petróleo, gás e carvão.

À medida que o mundo tenta – ainda com muita resistência – fazer a transição para tecnologias que emitem menos poluição para gerar eletricidade e abastecer veículos, especialistas tentam estimar o custo da queima de combustíveis fósseis para a sociedade. E ele é alto.

Há alguns dias, um economista da Universidade de Yale divulgou um estudo inédito apontando que empresas produtoras de carvão, gás natural e combustível para motores obtêm ‘benefícios implícitos’ no valor de dezenas de bilhões de dólares por ano por não terem que pagar pelos danos que a exploração destes combustíveis causa ao clima e à saúde humana.

De acordo com um relatório publicado pelo Centre for Research on Energy and Clean Air – um centro de pesquisa sobre poluição e respetivos impactos – estima-se que a poluição por combustível fóssil ainda foi responsável por 1,8 bilhões de dias de ausência ao trabalho, 4 milhões de novos casos de asma infantil e 2 milhões de nascimentos prematuros, entre outros impactos à saúde que afetam os custos de saúde, a produtividade econômica e o bem-estar.

Em um artigo publicado na semana passada na Cardiovascular Research – revista internacional da Sociedade Europeia de Cardiologia -, a equipe de pesquisadores europeus destaca o número de mortes causadas pela poluição do ar a cada ano. Quase 8,8 milhões de pessoas morrem anualmente devido a essa qualidade do ar reduzida, o que pode causar doenças cardíacas, câncer de pulmão e infecções respiratórias mais leves.

Confirmando os mesmos dados, a revista científica Environmental Research apontou que a poluição causada por combustíveis fósseis foi responsável por mais de 8 milhões de mortes prematuras no mundo em 2018, ou seja, 20% dos adultos falecidos.

A realidade de regiões com minas de carvão

Na região do Appalachia, no Estados Unidos, mais de milhares de mineiros estão morrendo de um estágio avançado da doença conhecida como pulmão negro. A pneumoconiose, atinge os trabalhadores do carvão, com a inalação de poeira de minas de carvão.

Outros milhares de mineiros de carvão morrem de silicose após inalar minúsculas partículas de silício em minas. E as comunidades onde o petróleo e o gás são extraídos estão expostas à poluição da água e do ar que põe em risco sua saúde, aumentando o risco de certos tipos de câncer na infância.

Mesmo morar perto de minas de carvão ou usinas de energia movidas a carvão é um perigo para a saúde.

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Uma equipe de cientistas de saúde de Harvard estimou que 53 mortes prematuras por ano, 570 visitas ao pronto-socorro e 14.000 ataques de asma por ano podem ser atribuídos à poluição de uma usina a carvão em Salem, Massachusetts, um dos locais que estudados.

Além do mais, as pessoas que moravam em um raio de 1.5km da usina a carvão, que foi substituída por uma usina a gás natural em 2018, tinham duas a cinco vezes mais chances de ter problemas respiratórios e outras doenças do que aquelas que moram mais longe.

Vale destacar que esta mesma usina queimava carvão importado de La Guajira, na Colômbia, extraído de Cerrejón, uma das maiores minas de carvão a céu aberto do mundo. Essa mesma mina deslocou milhares de indígenas por meio de força física, coerção e contaminação de terras agrícolas e água potável.

Gás natural e o fracking seguem a cadeia de problemas

À medida que as usinas de carvão são fechadas, mais gás natural é queimado. O que está longe de ser uma fonte de energia limpa e segura.

Primeiro, o metano e outros gases do efeito estufa que vazam dos gasodutos de gás natural e outras infraestruturas significam que o uso do gás polui e contribui com o aquecimento global quase tanto quanto o carvão.

Em segundo lugar, o fracking – ou fraturamento hidráulico – e outros métodos não convencionais de extração de gás e petróleo estão introduzindo novos perigos. Há evidências crescentes de que morar perto de locais de fracking causa várias complicações de saúde pública, incluindo: aumento do risco de defeitos congênitos, câncer, asma e outras doenças respiratórias, terremotos e outros inúmeros problemas de saúde.

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Muitos dos habitantes da Pensilvânia – uma das regiões mais impactadas pelo fracking no EUA – têm se manifestado temendo por sua saúde devido à exposição aos produtos químicos e tóxicos usados ​​no fraturamento hidráulico. Outra pesquisa indica que morar perto de poços de gás fraturados pode aumentar a probabilidade de problemas respiratórios e de pele.

Em todas as fases, as operações de gás natural podem poluir a água, o ar e a terra.

Petróleo, perigos e consequências

Não é nenhuma novidade que a extração de petróleo, seja por perfuração tradicional ou fracking, é perigosa.

O Delta do Níger, sul na Nigéria, se tornou um exemplo catastrófico dessa realidade. Após décadas de derramamentos de óleo, é considerado um dos lugares mais poluídos do planeta.
Além da devastação ambiental de grandes derramamentos, como o que presenciamos na costa do Nordeste há quase 2 anos, esses vazamentos podem causar poluição e sérios riscos à saúde.

Uma análise da Fiocruz apontou que, diante do vazamento de petróleo “a contaminação pelas substâncias tóxicas pode ocorrer por sua ingestão, inalação ou absorção pela pele”.

A exposição a esses produtos poderá provocar irritações na pele, rash cutâneo, queimação e inchaço; sintomas respiratórios, cefaleia e náusea; dores abdominais, vômito e diarreia. O efeito mais temido de longo prazo é a ocorrência de câncer, em especial alguns tipos de leucemia”.

Por que você precisa saber o que é fracking?

Sabemos que essa palavra estrangeira é desconhecida para muitos, mas é importante – e urgente – entender uma atividade devastadora como o fracking, que chega a ser proibida em muitos países, mas tenta se expandir sorrateiramente no Brasil e já impacta a América Latina.

Também conhecido como fraturamento hidráulico – ou até “fracking hidráulico” -, o fracking é uma técnica utilizada para realizar perfurações para a extração de gás de xisto ou folhelho.

Essa é uma técnica de extração considerada não-convencional, porque consegue acessar as rochas sedimentares de folhelho no subsolo e, assim, explorar reservatórios que antes eram impossíveis de serem atingidos.

Por meio da tubulação instalada nessas perfurações, é injetada uma grande quantidade de água em conjunto com solventes químicos comprimidos – alguns até mesmo com potencial cancerígeno.

A grande pressão gerada por essa água provoca explosões que fragmentam a rocha. Consegue imaginar o alcance desse tipo de atividade e como ela pode ser perigosa? Vamos explicar mais um pouco.

Alguns estudos mostram que mais de 90% de fluidos resultantes do fracking podem permanecer no subsolo. O fluido do fraturamento que retorna à superfície, normalmente armazenado em lagoas abertas ou tanques no local do poço, causa impactos como a contaminação do solo, ar e lençóis de água subterrânea.

Entenda todos os perigos que envolvem a prática:

  1. Contaminação da água que bebemos

Para fraturar o poço, de dois a dezesseis milhões de galões de água são utilizados – de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) – misturados com produtos químicos que causam câncer e injetados no subsolo.

A água usada para fraturamento hidráulico é normalmente água doce retirada de recursos hídricos subterrâneos e superficiais. Algumas dessas fontes também fornecem água potável.

Essas atividades de fracking podem sobrecarregar áreas onde os suprimentos de água doce para beber, irrigação e ecossistemas aquáticos são escassos (e muitas vezes se tornam mais escassos devido às mudanças climáticas).

A água usada para fraturar é muito contaminada para retornar à sua fonte sem tratamento extensivo e, portanto, normalmente é descartada no subsolo, onde é removida do ciclo de água doce.

Cada poço pode ser fraturado várias vezes, o que significa que cada poço de fraturamento pode contaminar propositalmente centenas de milhões de galões de água doce como parte das operações normais.

A água contaminada usada no fracking também pode vazar ou derramar, poluindo aquíferos subterrâneos e outros cursos d’água. A água contaminada por fracking derramou em cursos d’água, foi despejada em córregos e rios e vazou no subsolo contaminando aquíferos subterrâneos.

O processo do fraturamento hidráulico normalmente requer 11 milhões de litros de água por poço, o que é até 100 vezes mais do que os métodos tradicionais de extração. Isso varia muito dependendo das propriedades geológicas do poço.

Apenas para citar um exemplo, na Pensilvânia, uma das regiões mais controladas pelo fracking nos Estados Unidos, um poço de fraturamento hidráulico operado pela empresa Chesapeake Energy Corp. apresentou defeito em abril de 2011, expelindo milhares de galões de água de fracking contaminada por mais de 12 horas.

Já em 2017, pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, Colorado e Dartmouth, divulgaram estudo em que constataram o descarte de água residual pelo fracking como fonte de contaminação de lago na Pensilvânia.

Foram encontradas nas amostras altos níveis de substâncias danosas ao meio ambiente e para saúde humana em instalações que, limitadamente, tratam a água residual da exploração do xisto. Entre os elementos encontrados estão substâncias cancerígenas e disruptores endócrinos químicos.

No Karoo, uma terra árida na África do Sul, um plano para começar atividades de fraturamento hidráulico foi contestado por moradores locais que se preocupavam em competir por água.

  1. Poluição do ar que respiramos

Tosse, falta de ar e respiração ofegante são as queixas mais comuns de residentes que vivem perto de áreas de fracking.

Além dos problemas com a qualidade da água, os poços de fracking liberam compostos extremamente perigosos para o ar, como benzeno, etil benzeno e tolueno. A exposição a esses químicos tem sido associada a defeitos congênitos, problemas neurológicos, doenças do sangue e câncer.

Da mesma forma, uma mistura de resíduos tóxicos de água e produtos químicos é frequentemente armazenada em fossas abertas, liberando compostos orgânicos voláteis no ar.

O benzeno, por exemplo, é um conhecido agente cancerígeno, de acordo com a American Cancer Society.

Em 2012, pesquisadores da Colorado School of Public Health divulgaram um estudo mostrando que a poluição do ar causada pelo fracking pode contribuir para problemas de saúde imediatos e de longo prazo para as pessoas que vivem perto de locais de fraturamento hidráulico.

Um estudo realizado em 2016 por pesquisadores de Michigan (EUA), que se reuniram para fiscalizar as emissões de etano na reservatório de xisto da Dakota do Norte, apontou que altas emissões de etano, hidrocarboneto encontrado na exploração de combustíveis fósseis, colaboram para diminuir a qualidade do ar.

Enquanto isso, os trabalhadores desse ramo enfrentam riscos ainda maiores de exposição local a produtos químicos tóxicos e outros materiais transportados pelo ar, incluindo sílica (o principal componente da areia usada para o fracking), que pode levar a doenças pulmonares e câncer quando inalados.


Recentemente, também foi publicado que um novo estudo apontou que pacientes com insuficiência cardíaca que moram em regiões onde há fracking têm maior probabilidade de serem hospitalizados.

  1. Mudanças climáticas

Segundo os pesquisadores da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, o metano é um gás de estufa 100 vezes maior em calor absorvente do que o dióxido de carbono, enquanto os dois gases permanecem na atmosfera. E é 86 vezes mais danoso quando comparado com uma média de 20 anos após a emissão.

Quando as emissões de metano são incluídas, a pegada de gases de efeito estufa do gás de xisto é significativamente maior do que a convencional gás natural, carvão e petróleo.

Devido ao aumento do desenvolvimento do gás de xisto nos últimos anos, as emissões totais de gases de efeito estufa provenientes do uso de combustíveis fósseis nos Estados Unidos aumentaram, apesar da diminuição das emissões de dióxido de carbono.

Dadas as projeções para expansão contínua da produção de gás de xisto, essa tendência de aumentar as emissões de gases de efeito estufa de combustíveis fósseis é prevista para continuar até 2040.

Artigo científico divulgado em 2010 mostra as consequências do fechamento dos poços de perfuração logo após esgotarem os recursos naturais, trazendo consigo problemas ambientais de grande escala.

Este artigo trata dos males que os poços de perfuração inativos causam depois de serem fechados. O vazamento de gás nesses poços inativos facilita a emissão direta à superfície dos gases de efeito estufa e a contaminação da água subterrânea.

  1. Propensão a terremotos

Nos Estados Unidos, país onde mais há atividade de fracking, muitas áreas que não eram consideradas propensas a terremotos, como Ohio e Oklahoma, estão experimentando uma atividade sísmica fora do normal.

Um estudo de 2016 descobriu que as chances de um terremoto prejudicial ocorrer em partes de Oklahoma e alguns estados vizinhos são tão prováveis ​​quanto na Califórnia, que é conhecidamente propensa a terremotos.

Estudiosos acreditam que o fracking seja a causa do terremoto mais forte registrado em Oklahoma em 2011 e mais de 180 tremores no Texas entre 2008 e 2009. Em 2015, uma área do norte do Texas teve nove terremotos confirmados em um período de 24 horas.

Dois estudos de 2015 sugeriram que falhas ocultas abaixo da superfície podem explicar terremotos em zonas de fraturamento hidráulico.

  1. A saúde é muito mais prejudicada do que se imagina

Um estudo da Universidade Johns Hopkins analisou registros de quase 11.000 mulheres com recém-nascidos que viviam perto de locais de fracking e descobriu uma chance 40% maior de terem um bebê prematuro e um risco de 30% de desenvolverem uma gravidez de risco.

Com intuito de mostrar a relação entre a taxa de mortalidade infantil com a exploração do fracking, uma pesquisa constatou em 2017 o aumento nos casos de mortalidade infantil em Washington.

Pesquisadores afirmam que bebês nascidos nessa região, entre os anos de expansão do fracking, estão 28% mais propensos a morrer no primeiro mês do que aqueles nascidos num período pré-expansão do fracking.

Os fatores contribuintes provavelmente incluem poluição do ar e da água, estresse do barulho e tráfego.

Outros estudos constataram que o ruído da própria perfuração, dos compressores de gás, de outros equipamentos pesados ​​e do tráfego de caminhões é alto o suficiente para perturbar o sono, causar estresse e aumentar a pressão arterial.

A exposição prolongada à poluição sonora contribui para anormalidades endócrinas e diabetes, doenças cardíacas, estresse e depressão, e tem sido associada a dificuldades de aprendizagem em crianças.

A privação do sono tem consequências generalizadas para a saúde pública, desde a causa de acidentes e doenças crônicas.

  1. Investimento em fracking prejudica energias renováveis

Embora o gás seja barato, as concessionárias estão investindo pesadamente em usinas termelétricas. Isso está reduzindo os projetos de energia renovável, pois o capital de investimento limitado é usado na construção de novas usinas de gás fóssil, em vez de painéis solares em grande escala ou outros projetos verdadeiramente renováveis.

Isso tem repercussões de longo prazo, porque ficaremos presos ao uso de gás para energia por anos no futuro, uma vez que a infraestrutura esteja pronta.

Fracking no Brasil e na América Latina

Embora o fracking tenha crescido muito nos últimos anos, as pesquisas sobre o quão seguro é para a saúde humana e o meio ambiente não vêm acompanhando o ritmo.

Muitas perguntas permanecem sobre os perigos do processo, com evidências crescentes levantando sérios sinais de alerta sobre os impactos negativos e, muitas vezes, irreversíveis.

Hoje, entre os países que exploram o xisto comercialmente em escala estão os EUA, Canadá, China e Argentina. No país sul-americano, as consequências são intensas. A produção de maçãs foi completamente comprometida, e o número de terremotos em áreas onde há o fracking subiu assustadoramente.

Em 2004 na província de Neuquén teve um abalo sísmico; em 2005, nenhum; em 2006, um; 2007, 2008, 2009 e 2010, nenhum abalo. Em 2011 o fracking foi iniciado e houve 4 abalos. A cada ano o número aumenta e, apenas em 2019, Neuquén teve 34 terremotos.

O problema da exploração do xisto pelo fracking na região da patagônia argentina conhecida como Vaca Muerta é a grave contaminação do solo e da água local – fato já comprovado. Outro problema é a blindagem que as autoridades estão fazendo para impedir que a população fique contra esses empreendimentos.

Nos últimos anos, o governo brasileiro e a indústria do petróleo e gás vêm somando esforços para explorar o gás natural de rochas, através do processo de fracking. O primeiro leilão de lotes com reservas foi feito no final de 2013 e outro foi realizado em 2015.

Buscando impedir a exploração e evitar desastrosos danos ambientais, foi fundada em setembro de 2013 a COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil, hoje formada por ambientalistas, cientistas, geólogos, hidrólogos, engenheiros, biólogos e gestores públicos, que de lá para cá têm realizado uma série de ações, incluindo audiências públicas em diversos estados brasileiros.

No Brasil, graças a uma longa jornada de mobilizações junto à Coalizão Não Fracking Brasil e ao Instituto Internacional Arayara, a prática do fracking foi proibida em vários estados brasileiros. Agora, o próximo passo é a criação de uma lei federal.

Uma grande vitória foi a proibição do fracking em Santa Catarina – em Papanduva, por exemplo, já havia empresas interessadas em começar essa prática.

No Uruguai, o Brasil chegou a ser exemplo da campanha anti-fracking. Após uma forte campanha junto ao parlamento, foi decretada a moratória da exploração de xisto. Na época, foi apresentada aos uruguaios a legislação paranaense que proíbe a exploração do gás de xisto pelo método de fraturamento hidráulico em todo o estado.

A luta para banir o fracking é a mesma luta pelas energias renováveis, pela preservação da vida e pelas mudanças que precisamos realizar urgentemente devido à emergência climática que vivemos. Todas as ações que realizamos em todo o Brasil visam conscientizar a sociedade desse método tão danoso e que se soma à lista de ameaças ambientais e sociais que o nosso país coleciona”, ressalta o engenheiro Juliano Bueno de Araújo, fundador e diretor da Coalizão Não Fracking Brasil (COESUS).

Acreditamos que nossa campanha ganha muito mais força com a participação popular e com o entendimento do que é essa prática. Por isso, convidamos todos a participar, dialogar e se juntar às nossas ações contra essa prática predatória, devastadora e que ameaça a vida humana, as nossas terras e o nosso planeta.

Fonte: Não Fracking Brasil

Fracking leva ‘lixão líquido’ para cidade dos EUA

Fracking leva ‘lixão líquido’ para cidade dos EUA

A luta contra o fracking nos Estados Unidos continua dura – e injusta. Grupos ambientalistas se uniram contra uma licença que permite o descarte de fluidos de fraturamento hidráulico em um local da cidade de Plum Borough, na Pensilvânia, colocando toda a população local em risco.

O plano é converter um antigo poço de petróleo e gás em um poço de descarte de águas residuais de 1.900 pés de profundidade.

Os riscos de contaminação química tóxica e radioativa da água potável, e o potencial de terremotos e degradação de estradas por centenas de caminhões são só alguns dos motivos citados como razões para se opor ao projeto.

“O local do poço representaria riscos devastadores para vários sistemas públicos de água potável do rio Allegheny, incluindo a Autoridade de Água e Esgoto de Pittsburgh, que fornece água para centenas de milhares de residentes e empresas da cidade de Pittsburgh”, diz o comunicado assinado por organizações como Protect PT, Citizens 4 Plum e Breathe Project, que você pode acessar aqui (em inglês).

Órgãos ambientais foram a favor do projeto

Só para explicar a situação em que se encontram as populações que vivem nestes lugares, a decisão cabe ao Departamento de Proteção Ambiental da Pensilvânia (DEP), que já aprovou o projeto, juntamente com a Agência de Proteção Ambiental (EPA).

Ou seja, os órgãos que deveriam proteger foram os responsáveis pela aprovação de um projeto que põe em risco as terras e as pessoas que lá vivem.

O local é um poço convencional sem xisto, perfurado pela primeira vez em 1989 e conectado em 2015. Seis anos atrás, a Penneco Environmental Solutions, sediada em Delmont, solicitou uma licença para construir o local de controle de injeção subterrânea.

A empresa recebeu a licença do Departamento de Proteção Ambiental da Pensilvânia em abril de 2020. O poço está previsto para começar a operar em março.

A carta dos grupos ambientalistas ao governador listou várias preocupações sobre a prática de injetar águas residuais no solo. Eles ressaltam que o poço possui inadequações estruturais de engenharia e que a injeção poderia causar terremotos e contaminar poços de água e rios com materiais radioativos.

Moradores da região são contra o projeto, mas foram ignorados

Matt Kelso, um residente Plum que trabalha com a FracTracker Alliance (uma organização ambiental sem fins lucrativos que investiga questões de saúde e lacunas de dados sobre fraturamento hidráulico), observa que este poço foi autorizado para o descarte de até “2.268.000 galões de óleo líquido tóxico e altamente radioativo e resíduos de gás em Plum Borough, perto da fronteira leste do Condado de Allegheny. O Borough é o lar de mais de 27.000 residentes que se posicionam firmemente contra este projeto, o primeiro de seu tipo no segundo condado mais populoso da Comunidade”, disse em entrevista publicada no PublicSource.

“Literalmente, não houve um residente de Plum que se apresentou para apoiar este projeto em qualquer momento desde que o público tomou conhecimento desta proposta de lixão líquido em 2017”.

Fracking na Pensilvânia

Vale lembrar que o fracking, junto com as discussões sobre extinção de postos de trabalho locais, se tornou uma das questões decisivas na disputa pelos votos presidenciais da Pensilvânia.

A maioria dos habitantes da Pensilvânia se opõe ao fracking. De acordo com uma pesquisa da Climate Power 2020, 73% dos eleitores da Pensilvânia apoiavam os planos de transição dos EUA para uma economia de energia limpa até 2050 e menos da metade (40%) apoiava a indústria de fracking.

Fonte: Não Fracking Brasil

Fracking leva ‘lixão líquido’ para cidade dos EUA

A luta contra o fracking nos Estados Unidos continua dura – e injusta. Grupos ambientalistas se uniram contra uma licença que permite o descarte de fluidos de fraturamento hidráulico em um local da cidade de Plum Borough, na Pensilvânia, colocando toda a população local em risco.

O plano é converter um antigo poço de petróleo e gás em um poço de descarte de águas residuais de 1.900 pés de profundidade.

Os riscos de contaminação química tóxica e radioativa da água potável, e o potencial de terremotos e degradação de estradas por centenas de caminhões são só alguns dos motivos citados como razões para se opor ao projeto.

“O local do poço representaria riscos devastadores para vários sistemas públicos de água potável do rio Allegheny, incluindo a Autoridade de Água e Esgoto de Pittsburgh, que fornece água para centenas de milhares de residentes e empresas da cidade de Pittsburgh”, diz o comunicado assinado por organizações como Protect PT, Citizens 4 Plum e Breathe Project, que você pode acessar aqui (em inglês).

Órgãos ambientais foram a favor do projeto

Só para explicar a situação em que se encontram as populações que vivem nestes lugares, a decisão cabe ao Departamento de Proteção Ambiental da Pensilvânia (DEP), que já aprovou o projeto, juntamente com a Agência de Proteção Ambiental (EPA).

Ou seja, os órgãos que deveriam proteger foram os responsáveis pela aprovação de um projeto que põe em risco as terras e as pessoas que lá vivem.

O local é um poço convencional sem xisto, perfurado pela primeira vez em 1989 e conectado em 2015. Seis anos atrás, a Penneco Environmental Solutions, sediada em Delmont, solicitou uma licença para construir o local de controle de injeção subterrânea.

A empresa recebeu a licença do Departamento de Proteção Ambiental da Pensilvânia em abril de 2020. O poço está previsto para começar a operar em março.

A carta dos grupos ambientalistas ao governador listou várias preocupações sobre a prática de injetar águas residuais no solo. Eles ressaltam que o poço possui inadequações estruturais de engenharia e que a injeção poderia causar terremotos e contaminar poços de água e rios com materiais radioativos.

Moradores da região são contra o projeto, mas foram ignorados

Matt Kelso, um residente Plum que trabalha com a FracTracker Alliance (uma organização ambiental sem fins lucrativos que investiga questões de saúde e lacunas de dados sobre fraturamento hidráulico), observa que este poço foi autorizado para o descarte de até “2.268.000 galões de óleo líquido tóxico e altamente radioativo e resíduos de gás em Plum Borough, perto da fronteira leste do Condado de Allegheny. O Borough é o lar de mais de 27.000 residentes que se posicionam firmemente contra este projeto, o primeiro de seu tipo no segundo condado mais populoso da Comunidade”, disse em entrevista publicada no PublicSource.

“Literalmente, não houve um residente de Plum que se apresentou para apoiar este projeto em qualquer momento desde que o público tomou conhecimento desta proposta de lixão líquido em 2017”.

Fracking na Pensilvânia

Vale lembrar que o fracking, junto com as discussões sobre extinção de postos de trabalho locais, se tornou uma das questões decisivas na disputa pelos votos presidenciais da Pensilvânia.

A maioria dos habitantes da Pensilvânia se opõe ao fracking. De acordo com uma pesquisa da Climate Power 2020, 73% dos eleitores da Pensilvânia apoiavam os planos de transição dos EUA para uma economia de energia limpa até 2050 e menos da metade (40%) apoiava a indústria de fracking.

Fonte: Não Fracking Brasil

Importação de gás de fracking começa a ser descartada

Importação de gás de fracking começa a ser descartada

Mais uma vitória em direção ao fim do fracking no mundo. Essa semana a Irlanda – que baniu o fraturamento hidráulico em 2017 – se tornou o primeiro país com um plano para proibir a importação de gás de fracking.

O gás originado do fracking não deve mais ter papel no atendimento às necessidades de energia da Irlanda, de acordo com o Green Party (Partido Verde irlandês). Eles confirmaram que os planos de importação de gás de fracking dos Estados Unidos para a Irlanda através do Porto de Cork foram cancelados.

Em 2017, o Porto de Cork e a empresa norte-americana NextDecade, com sede em Houston, Texas, assinaram um memorando de entendimento para importar gás de fracking através do porto.

No entando, este memorando expirou a 31 de dezembro de 2020 e o Porto de Cork não tem nenhuma intenção de renovar.

Sabemos que temos que fazer a transição para uma economia de baixo carbono, mas o fracking e todas as suas consequências não têm lugar nessa agenda. Nem aqui, nem em lugar nenhum”, ressaltou Oliver Moran, membro do partido, ao The Irish Times.

De uma das principais portas de entrada desse gás para a Europa, a Irlanda passa a liderar a agenda ambiental que atinge a indústria de fracking em todo o mundo.

Esta vitória terá um impacto importante na redução das operações globais de fracking, servindo como inspiração para que o resto da Europa siga este exemplo até fechar completamente as portas deste mercado tão prejudicial para as terras e as pessoas.

No Brasil, estamos fazendo a nossa parte de conscientizar e lutar para que essa prática seja extinta. Três estados já proibiram o fracking, salvando mais de 50 milhões de pessoas, após campanha realizada pela Coalizão Não Fracking Brasil (COESUS) e o Instituto Internacional Arayara.

Hoje, por conta dos inúmeros riscos e consequências, o fracking é proibido no Paraná, em Santa Catarina e em mais de 400 cidades de todo o país.

Essa decisão do governo irlandês só aponta para o caminho que temos lutado para seguir. O fracking é um mal que precisa ser discutido e combatido. Vemos, cada vez mais, países optarem pela proibição e pela busca de outras alternativas de energia, que não proporcionam as consequências devastadoras do fraturamento hidráulico. Que essa pequena vitória na Irlanda sirva de exemplo para outros países – para o nosso país”, destaca o fundador da COESUS, o engenheiro Juliano Bueno de Araújo.

Veja só alguns exemplos de como a prática do fracking pode prejudicar tantos territórios e populações:

Consumo e contaminação da água pelo fracking

Cada poço de fracking utiliza aproximadamente de 7,8 a 15,1 milhões de litros de água. Geralmente, essa grande quantia é transportada para o local do fraturamento por vias terrestres, em caminhões movidos à diesel, representando um custo ambiental significativo – visto que vivemos em meio a uma crise hídrica.

Em West Virginia (EUA), são injetados aproximadamente 19 milhões de litros de fluido em cada poço fraturado e, de toda a água utilizada, apenas 8% retorna à superfície.

A água utilizada no procedimento é misturada com areia e cerca de 150 mil litros de até 600 produtos químicos, incluindo substâncias cancerígenas e toxinas conhecidas, tais como urânio, mercúrio, metanol, rádio, ácido hidroclorídrico, formaldeído, entre outras.

Esses produtos podem escapar e contaminar as águas subterrâneas em torno do local. Para se defender, a indústria sugere que os incidentes de poluição são resultados de má prática, em vez de se tratar de uma técnica inerentemente arriscada.

Mudanças Climáticas

Além de distrair a indústria geradora de energia e o governo da necessidade do investimento em fontes renováveis de energia, o processo de exploração por meio do fracking emite metano — gás 25 vezes mais potente que o dióxido de carbono (CO2), contribuindo cada vez mais para o agravamento das mudanças climáticas.

Terremotos

O fracking provoca, habitualmente, microssismos que podem desencadear em tremores maiores, sentidos pelas populações locais. Por vezes, estes eventos são aproveitados para obter um registro vertical e horizontal da extensão da fratura.

Embora esses terremotos sejam crônicos, a injeção de água proveniente das operações de fracking pode causar tremores maiores, tendo-se registrado magnitudes de até 5,7 (Mw).

Fonte: Não Fracking Brasil