+55 (41) 9 8445 0000 arayara@arayara.org
área de gelo ártico

Últimas partes do Oceano Ártico cobertas de gelo podem não sobreviver às mudanças climáticas

Um novo estudo descobriu que a “última área de gelo”, uma região ártica conhecida por sua espessa cobertura de gelo, pode ser mais vulnerável às mudanças climáticas do que os cientistas suspeitavam.

Esta zona congelada, que fica ao norte da Groenlândia, ganhou este nome porque, embora seu gelo cresça e diminua sazonalmente, grande parte do gelo marinho era considerado espesso o suficiente para persistir durante o calor do verão.

Mas durante o verão de 2020, o Mar Wandel – na parte oriental da área – perdeu 50% de sua concentração de gelo, trazendo a cobertura ao seu nível mais baixo desde que os registros começaram.

No novo estudo, desenvolvido por cientistas da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, os pesquisadores descobriram que as condições meteorológicas estavam causando o declínio, mas as mudanças climáticas tornaram isso possível, diminuindo gradualmente o gelo da área ano após ano. Isso sugere que o aquecimento global pode ameaçar a região mais do que sugeriam os modelos climáticos anteriores.

Ursos polares, focas e morsas correm risco de perderem a última região coberta de gelo nesta área do Oceano Ártico. À medida que a mudança climática derrete outras regiões do Ártico, isso pode significar problemas para os animais que dependem do gelo do mar para se reproduzir.

A área se estende por mais de 2.000 quilômetros, da costa norte da Groenlândia até a parte oeste do arquipélago ártico canadense. Lá, o gelo marinho tem tipicamente pelo menos 5 anos de idade, medindo cerca de 4 metros de espessura.

Como em outras partes do Oceano Ártico, o gelo ali tem se tornado cada vez mais fino.

O estudo, que utilizou dados de satélite e modelos de gelo marinho para descobrir o que criou essa diminuição, apontou que cerca de 80% foi devido a fatores relacionados ao clima, como ventos que quebram e movem o gelo.

Os outros 20% vieram do afinamento a longo prazo do gelo marinho devido ao aquecimento global.

O modelo descobriu que ventos incomuns moveram o gelo marinho para fora da área, mas que a tendência de diluição de vários anos também contribuiu, permitindo que mais luz solar aquecesse o oceano. Então, quando os ventos aumentaram, essa água quente foi capaz de derreter os blocos de gelo próximos.

Em gelo fino

Observações de satélite e modelos climáticos revelaram que, em 2020, ventos incomuns que se moviam para o norte quebraram o gelo marinho e o empurraram para longe do Mar Wandel. Na verdade, a cobertura recorde de gelo marinho em 2020 teria sido menor ainda se não fosse pelo gelo espesso que se infiltrou na área durante os meses de inverno daquele ano.

As extensões mais baixas da cobertura de gelo do Ártico ocorreram nos últimos 15 anos, e as projeções climáticas sugerem que o gelo marinho de verão em todo o Ártico, exceto nesta área, pode desaparecer completamente em 2040.

No ano passado, o Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo (NSIDC), nos Estados Unidos, descobriu que o mínimo de gelo marinho do Ártico atingiu seu segundo ponto mais baixo de todos os tempos (depois de 2012). E embora o novo estudo tenha investigado apenas o Mar Wandel, os dados sugerem que no verão o gelo marinho em toda a última área de gelo também pode estar em risco.

Embora o novo estudo não diga se ou quando a Última Área de Gelo pode derreter completamente, a tendência de derretimento acelerado deve continuar.

As descobertas foram publicadas ontem na revista científica Communications Earth and Environment.

Com informações da Universidade de Washington e Live Science.

Compartilhe

Share on whatsapp
WhatsApp
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn

Enviar Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Redes Sociais

Posts Recentes

Receba as atualizações mais recentes

Faça parte da nossa rede

Sem spam, notificações apenas sobre novidades, campanhas, atualizações.

Leia também

Posts relacionados

Na Mídia: Audiência sobre fraturamento hidráulico acontece no dia 11 de dezembro

Em audiência pública marcada para 11 de dezembro, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) vai reunir entidades e especialistas para discutir a exploração de recursos energéticos de fontes não convencionais (óleo e gás de xisto ou folhelho) por meio da técnica conhecida como fraturamento hidráulico (fracking). O evento, que acontecerá a partir das 9h, no auditório da Primeira Seção, poderá

Leia Mais »

Na Mídia: ARAYARA repudia manutenção de subsídios bilionários a térmicas a carvão até 2040 e alerta para impacto climático, econômico e regulatório

A sanção integral da Medida Provisória 1.304, convertida na Lei nº 15.269/2025, reacendeu o debate sobre coerência climática e políticas públicas para o setor elétrico no Brasil. Publicada em 24 de novembro, no primeiro dia útil após o encerramento da COP30, realizada em Belém, a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém a contratação compulsória e a prorrogação de

Leia Mais »

O voto global da juventude: painel questiona a “Carta das Nações Unidas” e pede democracia climática

A governança global, atualmente estruturada pela Carta das Nações Unidas de 1945, está defasada e falha em garantir uma resposta efetiva à crise climática. Essa foi a provocação central do painel “Youth for UN Charter Review and Climate Democracy: Towards a Thriving Future for All Peoples and Our Planet” (Juventude pela Revisão da Carta da ONU e Democracia Climática), realizado

Leia Mais »

Confronto de ideias na COP30: ciência climática, capitaloceno e a urgência do phase out fóssil

A verdade inconveniente da crise climática, a falha histórica das COPs e a urgência de uma transição para além dos combustíveis fósseis foram o cerne do Painel Cientistas do Clima, realizado na sexta-feira, 21 de novembro, no ARAYARA Amazon Climate Hub. O encontro, mediado pela diretora executiva da ARAYARA, Nicole Oliveira, reuniu nomes de peso para conectar a ciência dura

Leia Mais »