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Brasil não adere ao compromisso de 130 países de lutar contra fake news

Brasil não adere ao compromisso de 130 países de lutar contra fake news

O governo de Jair Bolsonaro não aderiu a uma iniciativa de países de todo o mundo para estabelecer um compromisso de não difundir desinformação em meio à pandemia. O documento foi assinado por 132 países e autoridades.

Aliados do governo Bolsonaro como Israel, Índia, Hungria e Japão assinaram a declaração. Até mesmo o governo dos EUA de Donald Trump aderiu, assim como o Reino Unido de Boris Johnson. Também aderiram ao projeto Alemanha, França e Itália, entre muitos outros países democráticos.

Na América do Sul, fazem parte do projeto o Uruguai, Paraguai, Chile, Colômbia, Suriname, Bolívia, Peru e Argentina, além da Venezuela e Equador. Na região, só o Brasil ficou de fora.

As informações são do portal UOL.

Já falamos, aqui no site do Instituto Arayara, sobre os impactos das Fake News no atendimento médico em tempos de covid-19.

FAKE NEWS MATA

Em maio (31), foi lançado, em meio a uma forte discussão sobre Fake News, um portal que reúne casos em que notícias falsas levaram a morte, linchamento e pânico. O site www.noticiafalsamata.com.br apresenta ao usuário dados, depoimentos e reportagens que visam alertar os brasileiros que o debate sobre o tema não pode ser ideologizado. 

Ao resgatar casos reais de violência, linchamento, mortes e pânico, a iniciativa quer chegar às casas de todos os brasileiros com outra visão de um problema real e que leva à morte de inocentes, ainda mais em tempos de pandemia, quando promessas milagrosas de cura ou combate ao coronavírus se propagam numa velocidade jamais vista.

Veja alguns dados:

110 milhões de pessoas acreditam em ao menos uma Fake News sobre o coronavírus;

62% dos brasileiros admite ter acreditado em notícias falsas;

9 em cada 10 brasileiros já viram notícias falsas sobre o coronavírus ou seja, cerca de a 141 milhões de pessoas;

Apenas 22% dos brasileiros checam a veracidade das notícias antes de compartilhá-las;

2 em cada 3 brasileiros receberam Fake News nas últimas eleições

Pesquisa: 90% concorda com isolamento social e 8% aprova a atuação do presidente Bolsonaro

Pesquisa: 90% concorda com isolamento social e 8% aprova a atuação do presidente Bolsonaro

Escuta exclusiva feita pela ARAYARA.org com seus assinantes a apoiadores mostra que 90% concorda com as medidas de contenção ao novo coronavírus impostas pelas autoridades (fechamento de escolas, igrejas, comércio, entre outros).

87% afirma que o isolamento social deve continuar porque o pior está por vir

71% acredita que vai aumentar o número de casos e mortes pelo novo coronavírus no seu estado

63% se informa sobre a pandemia pela televisão

63% aprova a atuação do prefeito da cidade onde mora no enfrentamento à pandemia

60% aprova a atuação do governador do estado onde mora no enfrentamento à pandemia

8% aprova a atuação do presidente Bolsonaro no enfrentamento à pandemia

Salles deixa Meio Ambiente para chefiar “gabinete do ódio”

Salles deixa Meio Ambiente para chefiar “gabinete do ódio”

BRASÍLIA, 01/04/2020 – O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, deixará a chefia da pasta nesta quarta-feira (1) para assumir o cargo de assessor especial para redes sociais do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Salles coordenará, ao lado de Carluxo Bolsonaro, o chamado “gabinete do ódio”, encarregado de disseminar notícias falsas nas redes sociais para animar a militância.

O desligamento do ministro será publicado numa edição extra do Diário Oficial da União, mas o próprio Salles antecipou a notícia ao Blog da Sadi.

“O presidente Bolsonaro concluiu que, pelo meu histórico na Sociedade Rural Brasileira, eu estou habilitado a lidar com gado”, declarou, por FaceTime, do Clube Paulistano, onde cumpre medida socioprotetiva voluntária de isolamento da realidade. “Além do que o vereador Bolsonaro necessita de um adulto por perto para lhe dar os remédios.”

O governo decidiu que Salles não será substituído à frente do MMA. “O cargo ficará vago, como sempre esteve desde janeiro de 2019”, disse o general-vice-presidente Hamilton Mourão, instado a comentar a saída do ministro durante uma cerimônia de homenagem a Brilhante Ustra na Esplanada. O salário de Salles será usado na política de alívio econômico do empresariado governista. Segundo Mourão, o recurso será usado para comprar ações do Madero: “Umas 5.000 ou 7.000.” Questionado sobre o futuro da política de combate ao desmatamento, o general, que preside o Conselho da Amazônia, devolveu: “Que política?”

Especulações sobre a saída de Salles do ministério vêm sendo tecidas desde o ano passado, quando o ministro fracassou em gerenciar a crise das queimadas na Amazônia, a crise do óleo no Nordeste e a explosão do desmatamento. Segundo interlocutores do Palácio do Planalto, ao ver que Salles havia perdido completamente o controle da gestão ambiental no Brasil e ainda assim teve coragem de pedir dinheiro às potências internacionais na COP25, Bolsonaro concluiu que o ministro era um ativo do governo e merecia promoção. “Não era, afinal, apenas um office-boy do agro. Se fosse militar, teria virado ministro da Casa Civil”, disse um aliado que ainda não rompeu com o presidente.

Segundo essa fonte, Salles havia declinado do convite, de olho no fundo bilionário da conversão de multas ambientais para alavancar sua candidatura em 2022. Mesmo assim, passou a frequentar assiduamente a ala psiquiátrica do Planalto e a dar conselhos ao presidente. Teria sido de Salles a redação final do célebre discurso de Bolsonaro de 24 de março. “Ninguém mais ali conseguia escrever um período completo”, afirmou um general. No entanto, com a expiração da Medida Provisória que criava o fundo, e sem conseguir mudar as regras de nenhum outro fundo da área ambiental em benefício próprio, o ministro antecipou sua saída.

Salles e Carlos Bolsonaro terão a missão de convencer milhões de robôs do Twitter de que a estratégia do presidente para lidar com a crise sanitária faz algum sentido. “Começamos a notar que nem os perfis falsos estavam apoiando mais o presidente. É muito estranho isso. O conluio dos que são contra a maneira diferente de governar criou uma isentosfera vermelha até mesmo no mundo virtual. O sistema irá até onde muitos nem imaginam”, tuitou o 02, em sua sintaxe peculiar, sem especificar se o sistema em questão era real ou figurado. “Tirem suas conslusões”, prosseguiu.

A saída do ministro, porém, não deve ocorrer sem traumas. O presidente do Ibama, Eduardo Bim, confessou a policiais militares que não sabe mais a quem obedecerá cegamente na ausência do chefe. O comandante do IPMBio, coronel Homero Cerqueira, em estado de desorientação há mais de um ano, não soube responder se Salles faria falta. “Só sei que a culpa é da Greta!”

Para mitigar o impacto de sua saída, Salles editou duas portarias de despedida, que também deverão ser publicadas nesta quarta-feira. A primeira determina a publicação em 24 horas do Plano Anual de Fiscalização na página do Ibama na internet, a fim de “facilitar a vida dos pais e mães de famiglia da Amazônia que precisam de estímulo econômico”. A segunda determina que trabalhadores aliciados para atividades de desmatamento na Amazônia deverão manter distância mínima de 2 metros entre si. “Não é porque o presidente está do lado do vírus nós não nos preocupamos com as pessoas”, disse Salles.

Cumprindo a tradição do OC nesta data, este texto é falso. Os estragos causados pelo governo Bolsonaro na política ambiental brasileira, porém, são desgraçadamente reais.

Fonte: http://www.observatoriodoclima.eco.br/salles-deixa-meio-ambiente-para-chefiar-gabinete-odio/

Opinião: graças à sua inépcia política e cognitiva, Bolsonaro está isolado

Opinião: graças à sua inépcia política e cognitiva, Bolsonaro está isolado

Era inevitável: os desvarios de Jair Bolsonaro finalmente expuseram seu governo à perspectiva real de colapso. Este pode preceder ou ser concomitante ao da Saúde pública. Com um presidente da República que não comanda e age aos faniquitos, sob o barulho diário das panelas, não se pode esperar coisa boa.

Graças à sua inépcia política e cognitiva, Bolsonaro está isolado, sob açoite constante de todas as forças políticas e institucionais do país. Um presidente aquartelado é um presidente que produz problemas e obstrui soluções. Estamos diante de uma crise inédita e complexa, que exige ampla coordenação e colaboração – duas palavras que inexistem no léxico de Bolsonaro.

A erosão da autoridade moral e política do presidente da República, numa crise gravíssima, tem consequências perniciosas para o Brasil. Manieta o combate à pandemia, custa vidas, custa dinheiro, custa governabilidade. A bagunça que vemos hoje custará vidas, emprego e renda amanhã. Ilude-se, ou desconhece a natureza da política, quem pensa que o Brasil pode atravessar exitosamente uma crise dessa magnitude sem um presidente funcional. No melhor dos cenários, o custo Bolsonaro será amortecido por uma atuação acertada, impecável dos governadores. Mas esse custo existirá.
O isolamento de Bolsonaro não é um exagero. Ninguém com influência política respeita o presidente da República. Nem no Congresso, nem no Judiciário, nem entre governadores. Ele não consegue criar seu partido; não tem base no Congresso. Aliados calam-se ou rompem com ele, como Caiado fez hoje. (Quase) Ninguém sequer o defende. Não há robôs suficientes no Twitter para mudar esse cenário.

Como vivemos uma baderna institucional, ignora-se a gravidade de alguns fatos políticos. O vice-presidente desautorizou o presidente. Mourão disse: “A posição do nosso governo, por enquanto, é uma só: o isolamento e o distanciamento social”. Ele falou com aval das principais lideranças de Brasília. Querem que Bolsonaro sinta a brasa do impeachment e crie juízo. Será?

O ministro da Saúde, com ajuda política de muita gente influente, ficou no cargo. Mandetta, ao contrário do que muitos dizem, não é um quadro altamente qualificado. Errou no planejamento para a crise, tardou a agir, especialmente quanto à mobilização para a compra de testes e respiradores, e não ofereceu informações claras sobre os processos de tomada de decisão da pasta. Não aprendeu com as lições da China, de Hong Kong e da Coreia do Sul, por exemplo. Menospreza a necessidade de testar todos os casos suspeitos, entre outras diretrizes da OMS.

Mas, em governo de Bolsonaro, Mandetta parece um iluminado. Apesar de suas limitações, é um médico e conhece o SUS. Falou hoje como político, buscando conciliar o pronunciamento do presidente com as ações de sua pasta. Virou uma gororoba. Mas Mandetta segue nessa caçamba cambaleante, sem ouvir os berros do motorista.

Um exemplo da gororoba: o anúncio da liberação da cloroquina para tratamentos de pacientes com covid-19 em estado grave. Os burocratas da pasta limitaram-se a fornecer informações genéricas sobre a medida. Não explicaram como o Ministério da Saúde chegou à conclusão de que vale a pena estabelecer o novo protocolo. Não explicaram o que sustenta essa decisão e por que ela foi tomada agora. Trata-se de um padrão do Ministério da Saúde nessa crise: não explicar o processo de tomada de decisão.

Debate horizontal
Enquanto o Brasil perdia um dia precioso na guerra contra o covid-19, aprisionado pelos disparates de Bolsonaro, os diretores da OMS ressaltavam, mais uma vez, que lockdowns servem para ganhar tempo – tempo que deve ser usado para testar, isolar e tratar as pessoas doentes, sem que os sistemas de saúde entrem em colapso.

O ataque a ela envolve uma combinação difícil de medidas fortes de saúde pública e de apoio econômico a pessoas e empresas.

O fronte da saúde pública precisa mapear a presença do inimigo. Sem saber onde ele está, é impossível combatê-lo com sucesso no longo prazo. Distanciamento social é necessário, mas insuficiente.

Só se faz isso mediante testes e investigação de contatos suspeitos. Assim se identificam áreas de batalha – de forte contágio e número de casos (hotspots). Ao se fazer isso, mitiga-se o estrago que o inimigo faz. Torna-se possível tratar os doentes e isolar os casos suspeitos.

É uma guerra com muitas batalhas. Esse processo de testar, isolar e tratar leva tempo. Haverá novas ondas – surtos – do vírus. Trabalha-se para que cada onda seja menor.

Essa primeira onda, ou batalha, é a mais difícil. Quem age mais rápido e de modo decisivo na frente da saúde pública tem mais chances de sucesso no curto prazo.

O sucesso no curto prazo permite a retomada das atividades não essenciais do país. Esse ponto é de extrema relevância. Não há vitória se não houver ataque (testes e mapeamento das áreas/pessoas de risco). Apenas defesa (distanciamento social e tratar casos graves) não resolve.

O que seria o curto prazo aqui? 15 dias? Um mês? Não sabemos. Depende do ataque. Por isso não se discute a volta imediata à vida normal.
De qualquer modo, Bolsonaro interditou esse debate. Reduziu algo complexo à questão binária entre vidas x economia. Seguiu as palavras de Trump nas duas últimas coletivas.

É necessário compreender que essa guerra não termina quando sairmos de casa. Não teremos vencido o vírus. Teremos, espera-se, vencido a primeira e mais difícil batalha, impedindo o colapso do sistema de saúde, da economia e do nosso modo de vida.

Idealmente, teremos que conviver com hábitos novos por um bom tempo. Medição de temperatura em locais de aglomeração, uso, sim, de máscaras em muitos casos e algum nível de menor interação social.
É um problema extremamente complexo, multifacetado, que mobiliza as mais brilhantes mentes do mundo. Políticos ignorantes e autoritários são os principais aliados do vírus.

Fiquem em casa.

Diego Escosteguy
© Vortex Media