+55 (41) 9 8445 0000 arayara@arayara.org

ARAYARA na Mídia: Relatório inédito da Arayara nomeia os bancos que financiam a exploração de combustíveis fósseis na América Latina e no Caribe

Bancos brasileiros, dentre eles Itaú, BTG e BNDES, investiram US$6,92 bilhões na expansão da indústria do combustível fóssil na América Latina e no Caribe. É isso que mostra o relatório “The Money Trail Behind Fossil Fuel Expansion in Latin America and the Caribbean”, lançado pelo Instituto Internacional Arayara e pela organização alemã Urgewald. O estudo, feito em parceria com a Conexiones Climáticas (México), a Farn (Argentina) e a Amazon Watch (Peru), expõe de forma inédita a rota financeira que sustenta a expansão de petróleo e gás na região.

O levantamento mostra que os empréstimos bancários para a América Latina e Caribe vieram de 297 instituições, totalizando US$ 138,5 bilhões. Estados Unidos, Canadá, Europa, China e Japão forneceram 92% do financiamento fóssil entre 2022 e 2024. Os bancos dos EUA sozinhos representaram 25%, seguidos pelo Canadá com 14% e Espanha com 11%.

Uma década após o Acordo de Paris, bancos canalizam bilhões em projetos que levam o mundo além do limite de 1,5°C

A Petrobras aparece como a maior empresa da região em captação de recursos para petróleo e gás. Entre 2022 e 2024, a estatal recebeu US$8,02 bilhões em financiamentos bancários e US$40,83 bilhões em investimentos de acionistas. Do montante injetado por bancos, destacam-se os principais financiadores: Bank of China (US$ 0,93 bilhão), Bank of America (US$ 0,69 bilhão), HSBC (US$ 0,69 bilhão), Morgan Stanley (US$ 0,69 bilhão) e Santander (US$ 0,68 bilhão).

O relatório aponta que a empresa é responsável por 29% de toda a expansão exploratória de petróleo e gás da América Latina e Caribe. “A Petrobras tem investido pesado em publicidade se autodenominando líder em transição energética justa, enquanto pressiona órgãos sérios como o Ibama a liberar a exploração da costa amazônica, em confronto direto com a ciência e até com seu próprio corpo técnico. O que está em jogo não é transição: é a perpetuação do petróleo, sem justiça, às custas do futuro climático do Brasil e do planeta”, afirma Nicole Oliveira, diretora executiva da Arayara.

Enquanto a Petrobras opera como gigante estatal, a Eneva desponta como a maior empresa privada brasileira na expansão fóssil amazônica. De acordo com o estudo, a Eneva responde por 72% da área de exploração fóssil na Amazônia brasileira e pretende expandir sua produção para 66,4 milhões de barris de óleo equivalente em novos blocos. A companhia se consolidou como a principal operadora de campos de gás na região, ampliando rapidamente sua presença em áreas de alta sensibilidade socioambiental.

Entre 2022 e 2024, a Eneva captou US$ 2,72 bilhões em financiamentos, sendo 75% desse montante fornecido por bancos nacionais — com destaque para Itaú, BTG, Bradesco e Grupo XP. O relatório denuncia um paradoxo: enquanto o Brasil assume compromissos climáticos em fóruns internacionais, como a próxima COP em Belém, o país canaliza recursos públicos e privados para expandir a fronteira fóssil.

“A Eneva é a nova bandeirante: avança sobre territórios sensíveis da Amazônia. Faz isso com apoio direto dos maiores bancos privados do país. É um projeto de destruição e alto impacto climático financiado pelo próprio sistema financeiro brasileiro”, alerta Nicole Oliveira. Os cinco maiores financiadores da Eneva entre 2022 e 2024 foram: Itaú Unibanco (US$ 0,90 bilhão), Bradesco (US$ 0,53 bilhão), BTG Pactual (US$ 0,51 bilhão), Santander (US$ 0,19 bilhão), Citigroup (US$ 0,14 bilhão).

O estudo mostra como os bancos ainda canalizam bilhões em projetos que levam o mundo além do limite de 1,5°C, quase uma década depois de os governos terem assinado o Acordo de Paris. Ao continuar a financiar a expansão dos combustíveis fósseis, gigantes financeiros aprofundam a crise do clima e da biodiversidade. sustentável.

“Através de suas políticas enganosas e promessas, os bancos estão tentando fazer uma lavagem verde na extração de combustíveis fósseis na Amazônia”, declara no estudo o diretor da Stand.Earth, Todd Paglia: “Eles afirmam se preocupar com as mudanças climáticas, a biodiversidade e os povos indígenas, mas estes compromissos não significam nada até que os bancos parem de canalizar bilhões de dólares na expansão do petróleo e do gás na região.“

Fonte: Central da COP

Foto: Reprodução / Central da COP

Compartilhe

Share on whatsapp
WhatsApp
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn

Enviar Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Redes Sociais

Posts Recentes

Receba as atualizações mais recentes

Faça parte da nossa rede

Sem spam, notificações apenas sobre novidades, campanhas, atualizações.

Leia também

Posts relacionados

Na Mídia | Flexibilização do licenciamento ambiental entra em vigor nesta quarta com ações no STF alegando inconstitucionalidade

Derrubada de 56 vetos de Lula pelo Congresso restituiu ao texto dispositivos que ampliam modalidades simplificadas, reduzem a participação de órgãos setoriais e restringem exigências previstas em normas anteriores Por Luis Felipe Azevedo — Rio de Janeiro – O Globo   A Lei Geral do Licenciamento Ambiental, que flexibiliza o processo de concessão de licenças, entrou em vigor nesta quarta-feira, 180

Leia Mais »

Na mídia | Fracking: STJ pode avaliar uso de técnica controversa e redefinir exploração de gás neste semestre

Processo que discute viabilidade jurídica e condições técnicas para o fraturamento hidráulico foi instaurado pelo tribunal após 11 anos de impasse; tema mobiliza mais de 500 municípios brasileiros Por: Gabriela da Cunha –  Estadão.com Com a volta do ano judiciário, em fevereiro, o STJ pode levar a julgamento, ainda neste semestre, a ação sobre o uso do fracking no País.

Leia Mais »

Na mídia | Mapa do caminho: sociedade civil propõe diretrizes para que plano de transição energética vá além da retórica

Por Luciana Casemiro – O Globo (28/01/2026) Termina na próxima sexta-feira o prazo dado pelo presidente Lula para que sejam estabelecidas as diretrizes para o plano transição energética no Brasil. O chamado mapa do caminho para o fim da dependência dos combustíveis fósseis foi uma proposta apresentada pelo governo brasileiro durante a COP, realizada em Belém, em novembro do ano

Leia Mais »

NA MÍDIA | Projeto da maior usina termelétrica do país é vetado pelo Ibama por falta de informações conclusivas

Usina Termelétrica São Paulo seria construída em Caçapava e era alvo de protestos de ambientalistas; Fiocruz apontava ameaças à saúde   Por Lucas Altino — Rio de Janeiro – O GLOBO   O projeto do que seria a maior usina termelétrica do país e da América latina, em Caçapava (SP), foi vetado pelo Ibama. Nesta quarta (21), o Instituto indeferiu

Leia Mais »