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ARAYARA na Mídia: Sob críticas de ambientalistas, Lula pede que ministérios elaborem ‘mapa do caminho’ nacional para transição energética

Medida que fala em ‘redução gradativa dos combustíveis fósseis’ vem em meio às repercussões sobre exploração na Margem Equatorial e três semanas após o fim da COP30, quando elaboração de documento semelhante para o mundo foi prometida pela presidência brasileira Por Lucas Altino e Luis Felipe Azevedo — Rio e Belém 08/12/2025 12h57

O presidente Lula determinou que ministérios elaborem, em até 60 dias, um ‘mapa do caminho’ nacional para a transição energética. O despacho, publicado nesta segunda, surge três semanas após a COP 30, que terminou sem a definição de um programa mundial com a mesma finalidade. Ainda que tenha defendido a pauta durante a conferência, o governo federal recebeu críticas por ter aprovado, há um mês, a exploração de petróleo na Margem Equatorial.

O despacho publicado no Diágio Oficial da União determina que os ministérios de Minas e Energia, do Meio Ambiente, da Fazenda e à Casa Civil definem uma proposta de resolução para estabelecer um “mapa do caminho para uma transição energética justa e planejada, com vistas à redução gradativa da dependência de combustíveis fósseis no país”. A proposta deverá ser apresentada, em caráter prioritário, ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

A determinação cita a necessidade da proposta abranger mecanismos de financiamento adequados à implementação da política de transição energética, inclusive a criação do Fundo para a Transição Energética, que será financiado por parcela das receitas governamentais decorrentes da exploração de petróleo e gás natural.

Mapa ficou fora da COP 30

O Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas viu o despacho como um desdobramento positivo da COP 30. O chamado “mapa do caminho” para o fim dos combustíveis fósseis foi a principal pauta de Lula durante a conferência, e o assunto mais mencionado por ele em seus discursos e entrevistas em Belém.

Para alguns observadores , o discurso seria uma tentativa do governo federal “limpar” sua imagem após a autorização para exploração de petróleo na Margem Equatorial, em um local próximo à foz do Rio Amazonas. O Greenpeace, por exemplo, se posicionou de forma crítica ao projeto de extração capitaneado pela Petrobrás e afirmou que existia uma “contradição entre o discurso ambiental do Brasil e suas práticas, manchando a imagem do país na liderança climática global”. Já o Observatório do Clima citou o caso como uma “sabotagem da agenda limática e ambiental”.

Apesar do trabalho dos negociadores brasileiros em Belém, e do apoio de cerca de 80 países, o mapa do caminho sobre combustíveis fósseis não foi incluído no documento final da COP 30, muito em função da resistência dos “petroestados”, como Arábia Saudita, Índia e Rússia.

Mas, até a próxima edição em novembro do ano que vem, a presidência da COP segue com o Brasil. Por isso, o embaixador André Corrêa do Lago afimou que vai continuar trabalhando em cima de uma proposta de metas para transição visando à redução do uso de combustíveis fósseis.

— Prometo que vou tentar não desapontar vocês. Nós precisamos de mapas para que possamos ultrapassar a dependência dos fósseis de forma ordenada e justa — disse Corrêa do Lago no último dia da COP 30.

Posição de ONGs

O Instituto Internacional Arayara “vê com profunda preocupação o fato de o despacho presidencial propor que a transição energética brasileira seja financiada justamente pelas receitas provenientes da exploração continuada de petróleo e gás”.

“Trata-se de uma contradição estrutural: não é coerente — nem sustentável — financiar a superação dos combustíveis fósseis com a ampliação da sua própria extração. Essa lógica perpetua a dependência do país de um setor altamente emissor, instável e socialmente impactante, além de atrasar a mudança de rota necessária para enfrentar a crise climática. Vincular o financiamento da transição à expansão fóssil significa, na prática, reforçar o mesmo modelo que gera os problemas que se pretende resolver”, diz a ONG.

O instituto diz ainda esperar que a discussão seja levada ao Fórum Nacional da Transição Energética (FONTE), espaço descrito como “fundamental para a construção de alternativas que permitam formular caminhos estruturantes para o país”.

Fonte: O Globo
Foto: Antonio Scorza/COP30

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