+55 (41) 9 8445 0000 arayara@arayara.org

Protesto alerta para a expansão de projetos fósseis facilitados pelo “PL da Devastação”

Nesta terça-feira (17h), em frente ao Congresso Nacional, ativistas realizaram um protesto contra o oportunismo fóssil. Segundo os ambientalistas, o “PL da Devastação” (PL 2.159/2021) abre caminho inédito para a expansão desenfreada de grandes empreendimentos fósseis no país. A demonstração faz parte da campanha contra o PL 2.159/2021, que atualmente pressiona o presidente Lula pelo veto integral ao projeto através de mobilizações da sociedade do Distrito Federal e de todo o país contra o maior retrocesso ambiental em quatro décadas. A ação foi organizada pelo Instituto Internacional ARAYARA, Jovens Pelo Clima Brasília, Diretório Central dos Estudantes da Universidade de Brasília (DCE-UNB) , Coletivo Juntos! – DF (JUNTOS-DF) e Movimento Salve o Rio Melchior.

Menos regras, mais riscos:

O projeto de lei aprovado flexibiliza vertiginosamente o licenciamento ambiental, fragilizando o controle, a fiscalização e a participação social. O mecanismo do autolicenciamento, entre outros previstos na lei, permite que enormes empreendimentos – antes obrigados a apresentar estudos técnicos robustos e dialogar com a sociedade – passem a operar com muito menos transparência e rigor.

Os números do avanço dos empreendimentos a energia fóssil

Segundo dados inéditos compilados pelo Instituto ARAYARA, se o PL 2159/2021 entrar em vigor, centenas de empreendimentos fósseis serão possivelmente acelerados. São eles:

Mais de 130 projetos de termelétricas a gás natural ou carvão mineral em expansão.
22 projetos de terminais de regaseificação de Gás Natural Liquefeito (GNL) na fase de pré-instalação.
21 polos de processamento de gás natural previstos.
13.000km de gasodutos de transporte e 5.000km de dutos de escoamento planejados para expansão.
417 blocos exploratórios de petróleo e gás sob contrato, já realizando sísmica e perfuração.
34 blocos da 5ª Oferta Permanente de Concessão entrando em fase contratual.
311 blocos integrando a Oferta Permanente nas modalidades de Concessão e Partilha.
1.687 blocos em estudo para futura comercialização e exploração.
Aproximadamente 300 processos minerários ativos em fase prévia de concessão de lavra.

Esses empreendimentos, com a aprovação do PL, ganharão processos de licenciamento acelerados, com dispensa parcial ou total de estudos de impacto ambiental e audiências públicas, inclusive em áreas críticas da Amazônia Legal, Margem Equatorial, Cerrado e zonas urbanas densamente povoadas.

Um país sem licenciamento sério vira zona de sacrifício ambiental

Se sancionado, o PL da Devastação pode decretar a invisibilidade do debate público, expondo territórios e populações a riscos de desastres ambientais, poluição e agravamento da crise climática — desconsiderando compromissos internacionais como o Acordo de Paris. Povos indígenas serão especialmente ameaçados caso o projeto entre em vigor, já que o texto limita a manifestação da Funai apenas a áreas homologadas. “Isso significa que 32% das terras indígenas em processo de demarcação poderão ser ignoradas nos processos de licenciamento”, alerta o diretor da ARAYARA Juliano Bueno.

O Instituto ARAYARA alerta: o país caminha para um salto na emissão de gases-estufa e acelera a destruição de biomas e recursos hídricos fundamentais para a vida no Brasil. A fragilização dos controles pode fazer desaparecer da legislação requisitos mínimos de segurança para obras que antes demandavam anos de tramitação. Nesse sentido, o Instituto faz eco à máxima de que o Congresso é inimigo do Povo e da Natureza e corrobora com o movimento para que o Presidente da República vete o PL de forma integral.

 

Compartilhe

Share on whatsapp
WhatsApp
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn

Enviar Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Redes Sociais

Posts Recentes

Receba as atualizações mais recentes

Faça parte da nossa rede

Sem spam, notificações apenas sobre novidades, campanhas, atualizações.

Leia também

Posts relacionados

ARAYARA na Mídia: Valuing Nature, Empowering Action – Interactive Training with the CSF Calculator Hub

Irina Cabrerizo Suaznábar | December 3, 2025 Pictures / Fotos: Oruê Brasileiro / Odaraê Filmes On November 20, 2025, during COP30, we hosted the workshop “Valuing Nature, Empowering Action: Interactive Training with the CSF Calculator Hub” at the ARAYARA, Amazon Climate Hub in Belém, Brazil. The session brought together people working in conservation for a hands-on exploration of socio-environmental and economic

Leia Mais »

ARAYARA na Mídia: Bahia propõe reconhecer a natureza como sujeito de direito

Estado quer seguir tendência de ‘constitucionalismo ecológico’ adotado em outros países, como Equador e Bolívia Por Maristela Crispim A COP30 tornou-se palco de um movimento inédito vindo do Nordeste brasileiro. O deputado Marcelino Galo (PT-BA) apresentou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) Direitos da Natureza, iniciativa que pretende inserir no texto constitucional baiano o reconhecimento da natureza como sujeito

Leia Mais »

ARAYARA na Mídia: Brazil’s Congress defies Lula to push through “devastation bill” on COP30’s heels

NGOs say the new environmental licensing rules to fast-track mining, energy and infrastructure projects will sweep away existing safeguards, undermining the country’s climate pledges in Belém Brazil’s Congress has pushed through legislation to weaken environmental safeguards for mining, infrastructure and agricultural projects, overriding a partial presidential veto just days after the end of COP30 and setting the stage for a possible showdown

Leia Mais »

Leilão de áreas do Pré-Sal expõe contradição da política energética brasileira e afasta Petrobras da transição energética justa

Leilão de áreas do Pré-Sal pela PPSA ignora tendência global de queda do petróleo e compromete estratégia climática brasileira São Paulo, 04 de dezembro de 2025 – O Primeiro Leilão de Áreas Não Contratadas do Pré-Sal representa mais um passo na contramão da transição energética que o Brasil afirma liderar, ampliando a entrega de recursos estratégicos a empresas privadas nacionais

Leia Mais »