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Monitor Enegia - O Futuro da Energia no Brasil - ARAYARA

Apresentação do Monitor Energia reúne especialistas, sociedade civil e comunidade escolar para debater o futuro da energia no Brasil

Evento apresentou plataforma para democratizar dados e discutir o futuro da energia no Brasil.

O evento no SESI Lab, realizado em 27/04/2026 em Brasília, reuniu representantes do poder público, agências reguladoras, organizações da sociedade civil, especialistas e comunidade escolar para discutir os rumos da matriz elétrica brasileira e defender uma transição energética justa, transparente e socialmente responsável. O evento apresentou ao público uma plataforma interativa, aberta e pública criada para democratizar o acesso a dados sobre geração, transmissão, distribuição, emissões e impactos socioambientais do setor elétrico brasileiro.

Durante a abertura, Renata Sembay, coordenadora de Mobilização e Eventos do Instituto Internacional Arayara, destacou que o debate sobre energia afeta diretamente a conta de luz, a segurança energética, o planejamento do país e a desigualdade social, e defendeu mais transparência sobre decisões regulatórias e leilões que impactam a população. Também foi reforçado que a transição energética precisa considerar territórios e populações historicamente invisibilizadas, incluindo comunidades quilombolas, rurais e demais grupos afetados por grandes empreendimentos.

Na mensagem de abertura transmitida ao público, Nicole Oliveira, diretora do Instituto Internacional Arayara, apresentou o Monitor Energia como uma plataforma interativa, democrática, aberta e pública, voltada a todas as pessoas interessadas em compreender o planejamento energético e os projetos em curso e projetados para o futuro do setor elétrico. Segundo a fala registrada no evento, a ferramenta nasce do objetivo de democratizar a informação, facilitar o planejamento energético e fortalecer a defesa dos territórios diante de decisões que nem sempre consideram integralmente seus impactos sociais e ambientais.

Painel Brasil 2050: O Futuro da Energia Elétrica no País

O painel central do encontro lançou a pergunta: é possível construir, até 2050, uma matriz elétrica brasileira para além dos combustíveis fósseis e dos subsídios? Participaram do debate Adalberto Maluf, secretário nacional do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima; Marcelo Leite Freire, auditor-chefe da área de Energia Elétrica do Tribunal de Contas da União; Luiz Eduardo Barata Ferreira, da Frente Nacional dos Consumidores de Energia; Renata Campello, da Agência Nacional de Energia Elétrica; e Mônica Banegas, consultora vinculada ao Instituto Pólis e ao Instituto Internacional Arayara.

Nas intervenções, os participantes defenderam que o Brasil reúne condições técnicas e naturais para ampliar o protagonismo das fontes renováveis, mas alertaram que o país ainda enfrenta distorções regulatórias, pressão tarifária, contratações fósseis de alto custo e desafios de planejamento. Ao longo do debate, houve críticas ao leilão de reserva de capacidade e aos impactos econômicos e socioambientais de novas termelétricas, com destaque para o peso desses contratos na tarifa e para os riscos à saúde pública e aos territórios.

“Qual é a solução real para reduzir a conta de luz? Contratar termelétricas caras, que custarão 40 bilhões de reais, não faz sentido. É um contrassenso impossível de explicar: como cobrar uma conta bilionária dos consumidores sob a justificativa de que isso tornará a energia mais barata?”, questionou Adalberto Maluf.

A regulação e a justiça energética apareceram como eixos centrais da discussão. Representantes do setor público e da sociedade civil sustentaram que a transição energética não depende apenas de expandir renováveis, mas de garantir modicidade tarifária, previsibilidade regulatória, acesso à energia, resiliência climática e proteção ao consumidor.

Ferramenta para dados abertos

Na apresentação técnica do Monitor Energia, o gerente de Geociências do Instituto Arayara, George Mendes, explicou que a plataforma consolida dados oficiais e independentes antes dispersos em diferentes bases, permitindo visualizar empreendimentos energéticos, infraestrutura, emissões, licenciamento e camadas socioambientais em um único ambiente digital. A ferramenta foi descrita como um instrumento de análise espacial criado para apoiar órgãos públicos, comunidades, imprensa, academia e setor produtivo no acompanhamento do planejamento energético brasileiro.

John Wurdig, gerente de Transição Energética, explicou que “O Monitor Energia é uma ferramenta essencial para o cotidiano da sociedade. Nosso compromisso é democratizar o acesso à informação, tornando nossos estudos e análises sobre a expansão dos combustíveis fósseis no Brasil mais acessíveis e transparentes.”

Segundo a apresentação, o Monitor Energia permite relacionar informações sobre geração, transmissão, distribuição e consumo com indicadores de pobreza energética, escassez hídrica, mortalidade associada à poluição do ar, territórios indígenas, quilombolas, assentamentos e áreas prioritárias para conservação. A proposta é tornar visíveis os conflitos e os riscos socioambientais ligados à expansão energética, especialmente em regiões vulnerabilizadas.

George Mendes destacou em sua fala que “Reunimos em uma única plataforma dados oficiais e independentes sobre o setor elétrico. De forma ágil e visual, a ferramenta democratiza o acesso a informações socioambientais, capacitando a sociedade, o setor público e a academia a monitorar e planejar com transparência os empreendimentos energéticos do país.”

Enquanto o debate sobre a transição energética aponta para a necessidade urgente de reduzir a dependência de termelétricas onerosas, o evento também abriu espaço para propostas concretas de democratização do acesso à luz. Em um anúncio que marca o compromisso com a justiça energética, o Instituto Internacional Arayara apresentou o programa Fazendo Energia, uma iniciativa voltada a levar eletricidade de baixo custo a comunidades quilombolas, indígenas e ribeirinhas. Com a meta ambiciosa de viabilizar a instalação de um milhão de painéis solares em todo o país, o programa inicia sua execução com a entrega das duas primeiras unidades fotovoltaicas previstas para dezembro de 2026.

Educação e mobilização

O evento também marcou o lançamento da cartilha Monitor Energia na sala de aula, material pedagógico voltado a educadores para apoiar o uso da plataforma em atividades de ciências, geografia, história, matemática, cultura e letramento digital. A iniciativa foi apresentada como parte da estratégia de traduzir conteúdos técnicos para uma linguagem acessível e ampliar o uso social da informação energética.

Um dos momentos mais simbólicos da programação foi a participação de estudantes da Escola Classe Guariroba, cuja comunidade escolar foi citada diversas vezes como exemplo de mobilização territorial diante da ameaça de instalação de uma termelétrica com impactos sobre a escola e o entorno. As falas no evento registraram que a luta da comunidade ajudou a dar visibilidade nacional ao caso e a afirmar o protagonismo das crianças, das famílias e da escola na defesa do território.

“A Escola Classe Guariroba, com 63 anos de história, é uma das instituições mais antigas do Distrito Federal. A ameaça atual ao nosso território não é um caso isolado, já que enfrentamos desafios semelhantes desde a construção da estação de tratamento da Caesb.” Esta fala da diretora da Escola Classe, Nathalia Pacheco, é um alerta para que a região sul do Distrito Federal não sofra mais pressão de empreendimentos poluidores e reforça o papel da população na defesa dos direitos.

Reconhecimento e articulação

Além do debate técnico, a programação incluiu um ato simbólico de reconhecimento a pessoas, movimentos, parlamentares, comunicadores e organizações que participaram da mobilização contra a UTE Brasília e em defesa da Escola Classe Guariroba e do Rio Melchior. Entre os grupos e articulações mencionados ao longo do evento estiveram a Frente Nacional dos Consumidores de Energia, o Fórum em Defesa das Águas, o movimento Salve o Rio Melchior, equipes jurídicas, lideranças comunitárias e representantes parlamentares que atuaram em audiências, notas técnicas, ações judiciais e processos de incidência pública.

“Em nome da mobilização fundamental da sociedade civil e dos movimentos sociais, reconheço o papel crucial da pressão popular. Aprendi na luta social que políticas públicas só avançam com a força da sociedade; foi essa pressão organizada que garantiu uma vitória expressiva e coletiva.”, concluiu Erika Kokay, deputada federal homenageada durante o evento.

A íntegra do encontro foi disponibilizada no canal do YouTube do Instituto ARAYARA. O encerramento reforçou que o Monitor Energia se soma a uma agenda mais ampla de mobilização por energia limpa, justa e acessível, com foco em dados públicos, controle social e defesa dos territórios. Acesse a plataforma https://monitorenergia.org/ , saiba mais e aplique os dados.

 

Fotos: Juliana Duarte

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