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Ministra do Meio Ambiente defende políticas sociais de Lula, mas evita falar sobre possível exploração de petróleo na Amazônia

Durante o encerramento da 5ª Conferência Nacional do Meio Ambiente, a ministra Marina Silva afirmou que só foi possível ao governo ampliar o Bolsa Família pelo entendimento do presidente Lula de que “sem sustentabilidade política seria impossível tirar da pobreza milhões de pessoas.”

Por: Agência Avenida

Marina Silva expandiu o conceito de sustentabilidade, além das dimensões econômica, social e ambiental da ONU, incluindo diversidade cultural, humana, ética e estética. No entanto, ela evitou abordar diretamente as políticas do governo para alcançar a justiça climática, limitando-se a afirmar que o governo Lula está trabalhando intensamente na agenda ambiental transversal.

Às vésperas da COP30, em Belém, a resistência do presidente Lula aos estudos técnicos sobre os riscos socioambientais da exploração de petróleo na Foz do Amazonas e na margem equatorial continua. O leilão de 172 blocos exploratórios, oferecidos pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), está marcado para 17 de junho.

O Instituto Internacional ARAYARA dispõe de vasto levantamento e estudos sobre os impactos do avanço exploratório (https://arayara.org/category/amazonia/)

Propostas e prioridades

A 5ª Conferência Nacional do Meio Ambiente, realizada após 11 anos de vácuo, reuniu mais de 2.000 delegados eleitos nas conferências municipais e estaduais. Durante três dias, foram elaboradas propostas dentro de cinco eixos temáticos: Mitigação, Adaptação e Preparação para Desastres, Justiça Climática, Transformação Ecológica e Governança e Educação Ambiental.

O Instituto Internacional ARAYARA teve três moções de repúdio aclamadas na Conferência: contra a abertura de nova fronteira exploratória de petróleo na costa amazônica, caracterizada por sua biodiversidade única e sensível, protegida por povos indígenas, pescadores e quilombolas; à instalação da Usina Termelétrica de Brasília e à extração de gás através do método de fracking.

Marina Silva agradeceu a participação social e a contribuição democrática, anunciando que dez propostas serão analisadas pelo governo para possível implementação em políticas públicas. Ela enfatizou que outras iniciativas, mesmo não sendo as mais votadas, são importantes.

“As dez propostas, que foram aqui selecionadas pelo voto, são uma sinalização para o Ministério do Meio Ambiente, para o Governo Federal, para os governos estaduais, municipais, para as empresas, para todos nós, do que essa conferência priorizou. Mas tem muita coisa que pode nem ter ficado entre as mais votadas, mas que nem por isso deixarão de ser importantes”, acrescentou a Ministra.

Ética x técnica

No que pode ser interpretado como uma crítica contundente à própria condução política da pauta socioambiental, a ministra Marina Silva afirmou que muitos dos problemas enfrentados pelo Brasil e pelo mundo — como a fome e a dependência de combustíveis fósseis — não decorrem da ausência de soluções técnicas, mas da falta de ética e de vontade política.

“Há uma dimensão fundamental da sustentabilidade que muitas vezes é negligenciada: a política e a ética. Ela é a base que sustenta todas as outras. As respostas técnicas já existem. Produzimos grãos suficientes para alimentar o mundo, e mesmo assim milhões passam fome. Já conhecemos as alternativas aos combustíveis fósseis — energia solar, eólica, biomassa, hidrelétrica, hidrogênio verde. E, ainda assim, o mundo segue investindo quase 7 trilhões de dólares em produtos carbono-intensivos”, destacou.

Em tom crítico, concluiu: “Não é a técnica que falta — é ética e decisão política.”

Ao final de sua participação na 5ª Conferência Nacional do Meio Ambiente (CNMA), Marina Silva encerrou o discurso com uma poesia de sua própria autoria, emocionando o público, mesmo ao admitir ter esquecido algumas estrofes:

“Sei não ser a firme voz
que clama em meio ao deserto.
Mas me disponho a estar perto
para expandir do seu eco.

Sei nem sempre ter a força
de amar meus inimigos,
mas me comprometo a não me vingar,
a não impedir os cativos.

Sei não possuir coragem
de morrer por meus amigos,
mas me comprometo a guardá-los
no mais recôndito abrigo.

Voz, força, coragem e aceitação
são fontes do mesmo verbo,
origem do mesmo espírito,
lugar onde celebro.”

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