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FT: Megaleilão de petróleo do Brasil cai por terra

O tão esperado megaleilão brasileiro de reservas de petróleo do pré-sal terminou em frustração na quarta-feira (6), quando grupos globais de energia se afastaram das ofertas em quase todas as ofertas.

O desenvolvimento será um golpe para as esperanças da indústria petrolífera brasileira, bem como para o governo do presidente Jair Bolsonaro, que esperava arrecadar US $ 25 bilhões em taxas de licenciamento e dezenas de bilhões a mais em compensação de produção do leilão.

Preços exorbitantes, regras complexas de compartilhamento e uma reticência mais ampla sobre o Brasil parecem ter assustado os principais players mundiais. Após semanas de alta, duas das quatro perspectivas em águas profundas não receberam ofertas e as outras duas receberam os lances mais baixos possíveis.

As empresas de petróleo estão cada vez mais preocupadas com a viabilidade de tais projetos, em meio a um impulso global mais amplo por energia limpa. Muitas grandes petrolíferas ocidentais estão sob pressão dos acionistas para pensar cuidadosamente em grandes desenvolvimentos, disseram diplomatas estrangeiros em Brasília.

“Desde o início, houve uma superação – uma estratégia de leilão para tentar aproveitar ao máximo”, disse Cláudio Porto, fundador da Macroplan Prospectiva, uma consultoria.

Os investidores ainda são muito cautelosos. O governo jogou demais e acabou frustrado.

Cláudio Porto, fundador da Macroplan Prospectiva: “As reservas são realmente muito valiosas, mas um fator é a percepção externa do Brasil. E acho que os investidores – por serem investimentos muito grandes e duradouros – ainda esperam um pouco mais de clareza sobre o cenário e como a política comercial geral e o ambiente econômico evoluirão.”

Roberto Castello Branco, executivo-chefe da Petrobras, acrescentou: “Pensamos que haveria concorrência. Não havia.”

No total, acredita-se que os quatro campos do pré-sal – nomeados para a crosta grossa de sal que fica acima do petróleo – contenham até 15 bilhões de barris de petróleo. As autoridades no Brasil esperavam que o leilão, na década de 2030, provocasse um enorme aumento na produção de petróleo do país – de 3 a 7 milhões de barris por dia – uma perspectiva que agora parece improvável.

Búzios – o maior dos quatro campos – recebeu uma oferta de um consórcio da Petrobras e da China, CNOOC e CNODC da China, oferecendo a taxa de assinatura necessária de US $ 17 bilhões e a quantidade mínima de “óleo de lucro”, a quantia que eles precisam compartilhar com o governo, em 23%. Cada grupo chinês terá uma participação de 5% na parceria.

O segundo prospecto, Itapu, recebeu apenas uma oferta da Petrobras, enquanto o terceiro e quarto, Sépia e Atapu, não receberam nenhuma oferta. Eles devem retornar ao leilão no próximo ano, sob regras diferentes.

Economia brasileira

Esperava-se que o leilão fosse a maior rodada de licitações de petróleo da história e foi anunciado como “histórico” pelas autoridades brasileiras de energia apenas momentos antes do início do evento no Rio de Janeiro, na quarta-feira.

Um diplomata ocidental que se encontrou com as principais petrolíferas antes do leilão disse que as empresas estavam “muito empolgadas” com isso.

“Isso mostrará a grandeza do estado”, disse Bento Albuquerque, ministro de Minas e Energia, no início do leilão na quarta-feira.

Analistas estimaram que os projetos resultantes poderiam desencadear a criação de mais de 400.000 empregos e dar início a um renascimento da indústria petrolífera do país, que foi devastada pela investigação de Lava Jato, que dura anos.

Mais de uma dúzia de grupos petrolíferos globais, incluindo ExxonMobil e Royal Dutch Shell, estiveram presentes na cidade litorânea para a licitação.

Um representante da Shell disse que a empresa “continuará avaliando novas oportunidades de investimento no país, alinhadas às nossas expectativas de investimento e capacidade de agregar valor máximo aos nossos acionistas de maneira segura e socialmente responsável”.

O fracasso do leilão também deve diminuir a expectativa dos investidores de que o Brasil esteja a caminho de liberalizar sua economia historicamente protecionista.

“Os investidores ainda são muito cautelosos. O governo jogou demais e acabou frustrado”, disse Porto.

Fonte: Financial Time

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