+55 (41) 9 8445 0000 arayara@arayara.org

Estrutura e Sobrevivência: Parlamentares na COP30 Debatem o Papel da Escola como Centro de Adaptação Climática

A escola precisa ser mais do que um local de ensino: deve se tornar um ponto central de adaptação e resiliência diante da crise climática. Este foi o foco do painel “Educação, Parlamento e Cidades: Construindo Adaptação Climática no Brasil”, realizado nesta quinta-feira (13), no ARAYARA Amazon Climate Hub durante a COP30.

O encontro reuniu vereadores e deputados de grandes centros urbanos, como São Paulo, Salvador e Fortaleza, para discutir como o Legislativo pode impulsionar políticas que transformem escolas e cidades, priorizando as comunidades mais vulneráveis.

Crianças e Injustiça Climática no Centro do Debate

A vereadora de São Paulo e idealizadora da Bancada do Clima, Marina Bragante (REDE-SP), destacou que o projeto de escolas adaptadas foi a primeira grande iniciativa da frente.

“Muitas vezes as crianças não são vistas quando falamos de clima, e elas são as mais afetadas pelo que vemos das mudanças climáticas, e passam grande parte de seu tempo nas escolas,” afirmou.

A proposta de escolas adaptadas vai além da infraestrutura básica, buscando garantir o “direito do acesso à natureza” e a instalação de espaços verdes e hortas, além de sistemas de comunicação de alertas para toda a comunidade.

O vereador André Fraga (PV-Salvador) concordou que a adaptação deveria ser inerente à construção, e não uma lei. Ele lamentou que o foco atual das escolas se limite a mais salas e grades, enquanto ignora a importância da biofilia e da arquitetura adequada. “A energia que o cérebro usa para regular a temperatura do corpo também prejudica a criança em seu desenvolvimento,” explicou, citando o trabalho com o Instituto Alana para levar espaços verdes às escolas de Salvador.

O CEP da Injustiça: Classe e Raça

A vereadora Keit Lima (PSOL-SP) deu o tom mais crítico ao debate, alertando que a injustiça climática tem cor, gênero e CEP.

“A injustiça climática, o racismo ambiental, afeta um corpo específico, tem cor, tem gênero, tem território,” disse. “Estamos no mesmo barco, mas alguns estão numa canoa furada.”

Ela ilustrou a disparidade em São Paulo, onde bairros nobres chegam a registrar uma diferença de até 9 graus Celsius em relação a comunidades como Paraisópolis.

“Na minha periferia as pessoas se preparam para perder tudo em janeiro. Isso não é normal. Então precisamos falar abertamente que estamos discutindo racismo ambiental,” enfatizou Keit.

O vereador Gabriel Biologia (PSOL-Fortaleza) reforçou a necessidade de uma educação contextualizada. A maior parte da população vive em 0,6% do território, nos centros urbanos, onde há menos ambiente preservado. Para ele, o processo educativo tem que partir da realidade da criança, permitindo que ela desenhe e identifique o que considera bom ou ruim em seu território.

Vontade Política e Desafio da Implementação

A falta de ação não é por ausência de recursos ou necessidade, mas de vontade política, segundo a vereadora Bia Bogossian (PSD-Três Rios/RJ). Sua cidade, com um delta de três rios, sofre com enchentes anuais.

“O que falta para realizar não é recurso, gente, necessidade, mas sim vontade política,” declarou.

Bia citou o exemplo de uma escola que foi forçada a operar em um clube após ser inundada e contrastou com a “escola de maior qualidade” da cidade, que é rural, com horta e floresta. Ela defendeu que a bancada do clima é essencial para cobrar essa vontade política de gestores de todas as orientações, pois o meio ambiente é uma pauta de todos.

O deputado estadual Marcelino Galo (PT-Bahia) correlacionou as pautas climática e social.

“Não vamos resolver a injustiça climática se não resolvermos a injustiça social, sem mexer na concentração de renda.”

Galo também alertou para o “número alarmante de escolas que vêm sendo fechadas” e o avanço das escolas cívico-militares, fatores que ameaçam a educação da juventude. Ele defendeu que acelerar a qualificação das escolas como espaços de acolhimento e de tempo integral, com profissionais qualificados, é crucial.

Foto: Odaraê FIlmes

Compartilhe

Share on whatsapp
WhatsApp
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn

Enviar Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Redes Sociais

Posts Recentes

Categorias
Receba as atualizações mais recentes

Faça parte da nossa rede

Sem spam, notificações apenas sobre novidades, campanhas, atualizações.

Leia também

Posts relacionados

Na mídia | Transição energética ganha nova ferramenta no Brasil

Por: plurale.com.br Em Brasília, no próximo dia 27 de abril, o Instituto Internacional Arayara apresenta a representantes de órgãos do governo, especialistas, educadores, estudantes,ativistas e profissionais de diversas áreas o Monitor de Energia, ferramenta colaborativa que traz informações técnicas importantes para o entendimento do processo de transição energética. A plataforma interativa reúne dados, análises e visualizações sobre o setor energético

Leia Mais »

Contribuições do ARAYARA para os Mapas do Caminho – COP30 apontam caminhos para a transição justa longe dos combustíveis fósseis

Introdução O Instituto Internacional ARAYARA é uma organização de utilidade pública federal, membra do Conselho Nacional do Meio Ambiente e Conselho Nacional de Recursos Hídricos, entre outros órgão colegiados pelo Brasil, e da sociedade civil brasileira que atua na promoção da justiça climática, na defesa socioambiental e na transição energética energética justa. Com base em sua atuação no Brasil e

Leia Mais »

ARAYARA Proposes Solutions for a Just Energy Transition for the 1st Conference on Transitioning Away from Fossil Fuels

Introduction The organizing team of the First Conference on Transitioning Away from Fossil Fuels (https://transitionawayconference.com/), to be held in Santa Marta, Colombia, from April 24-29, 2026, and co-sponsored by the Governments of Colombia and the Netherlands, has opened a consultation for participation in Methodological Stage 1 of the Conference. Written contributions focus on practical solutions around three thematic pillars: (i)

Leia Mais »

ARAYARA propõe soluções para uma transição energética justa para a 1ª Conferência sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis

Introdução A equipe organizadora da Primeira Conferência sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis (https://transitionawayconference.com/), que será realizada em Santa Marta (Colômbia), de 24 a 29 de abril de 2026, e copatrocinada pelos Governos da Colômbia e dos Países Baixos, abriu consulta para participação da Etapa Metodológica 1 da Conferência. As contribuições escritas se concentram em soluções práticas em

Leia Mais »