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Diretora apresenta texto poético e contundente sobre o precioso recurso

A diretora executiva da ARAYARA Nicole Figueiredo de Oliveira iniciou sua fala na live do dia da água, 22 de março, com a leitura de um texto produzido por ela que deixou os integrantes do evento online comovidos. O tema da live foi Vampiro Hídricos – como a água sofre ameaças com o uso de combustíveis fósseis.

 

Confira:

 

“Hoje celebramos o Planeta Água, planeta que nos abriga, nos alimenta, nos sustenta. Celebramos as águas de superfície, subterrâneas, dos aquíferos, os rios voadores, as águas dos mares, das geleiras e dos topos das montanhas.

 

Celebramos a água presente em nossos corpos, que carrega nutrientes e substâncias para as nossas células e para fora delas.

 

Não é à toa que a água tem um dia internacional para si. Ela é o solvente universal, é aquela que tudo carrega, tudo limpa, tudo irriga.

 

Água poderosa, que chove, que neva, que onda, que gela. Água de redemoinhos ou de lagoas, de tormentas ou de garoas, até em sua forma mais dura, ela representa vida para ursos e peixes.

 

Um grande líder indígena do Equador, Yaku Perez, uma vez disse que a água não é insípida, incolor e inodora. A água não é essa coisa sem cor, sem sabor, sem odor. Ela é saborosa, é viva!

 

Valorizar a água é valorizar a existência, o deslumbre da natureza e da vida! Todas as pessoas deveriam dar valor, poupar e economizar água sempre, mas a escassez hídrica é responsabilidade das grandes corporações, que usurpam a água das pessoas, da agricultura e dos animais.

 

Neste Dia Mundial, uma pessoa que valoriza a água, já não toma banhos longos ou desperdiça a água lavando calçadas e deixando torneiras abertas, portanto não vamos falar sobre isso.

 

Vamos sim falar dos grandes vampiros hídricos.

 

Existem muitos vampiros por aí, sugando água, contaminando lençóis, com má gestão evaporando ou vazando, e assim vão sugando. Sugando a vida, sugando as pessoas, os alimentos e os animais.

 

Hoje vamos falar sobre os vampiros hídricos fósseis, as termelétricas, o fracking, a extração de carvão. Assim como o Drácula de Bram Stoker, esses vampiros, sugam com dentes mecânicos a água para manter e sustentar uma energia do passado, um corpo decrépito e monstruoso, que distribui contaminação, corrupção e medo.

 

O fracking é assim. Um Frankenstein assustador, uma tecnologia mirabolante que suga milhões de litros de água dos rios ou aquíferos, que são misturados a centenas de produtos químicos tóxicos, cancerígenos, mutagênicos e em seguida injetados no subsolo para extração do gás de xisto.”

 

Nicole encerra dando dicas de obras que abordam a escassez hídrica: O Quinze, de Rachel de Queiroz; Bagaceira, de José Américo de Almeida; e Vidas Secas, de Graciliano Ramos.

 

Clique aqui para acessar a live que ficou gravada no YouTube da ARAYARA.