+55 (41) 9 8445 0000 arayara@arayara.org

Desmonte de órgãos ambientais estaduais são denunciados nas Conferências Ambientais do Vale do Paraíba 

As conferências livres e municipais de meio ambiente realizadas neste mês de janeiro no Vale do Paraíba trouxeram à tona temas cruciais, como transição energética justa, mudanças climáticas e uso sustentável do solo. Os eventos reuniram sociedade civil, poder público e lideranças ambientais, contando com o apoio do Instituto Internacional ARAYARA e da Frente Ambientalista do Vale do Paraíba.

Essas conferências fazem parte das etapas iniciais da 5ª Conferência Nacional do Meio Ambiente, oferecendo aos municípios a oportunidade de apresentar propostas e eleger delegados para levar suas demandas à instância nacional.

” A ARAYARA tem mobilizado esforços para estimular as conferências ambientais em todo o Brasil, promovendo o fortalecimento das realidades locais e a formulação de propostas para enfrentar a crise climática”, afirmou Paula Guimarães, consultora jurídica da instituição.

Guimarães ressalta que no Vale do Paraíba, 39 municípios compõem a região metropolitana, mas, até dezembro de 2024, apenas cinco cidades haviam promovido conferências. Os dados são disponibilizados no Portal Gov do Governo Federal. “Por meio da mobilização e parcerias estratégicas, mais  de nove encontros foram realizados, com uma ampla participação social”, completa a consultora.

Pontos Críticos Debatidos nas Conferências

A transição energética foi um dos temas focais, destacando a necessidade de substituir combustíveis fósseis por fontes renováveis, como no caso polêmico da Termelétrica de Caçapava

“Não podemos ficar de braços cruzados. Se esse empreendimento entrar em operação total, a usina poderá emitir até 6 milhões de toneladas de CO2 equivalente por ano, aumentando as emissões da matriz elétrica brasileira em um momento em que elas deveriam cair para ajudar a conter as mudanças climáticas”, alerta Juliano Bueno de Araújo, diretor técnico da ARAYARA.  Segundo Araújo, esse montante é 2.000 vezes maior do que todas as emissões da cidade de Caçapava entre 2000 e 2022.

Os dados integram o relatório  “Regressão energética: como a expansão do gás fóssil atrapalha a transição elétrica brasileira rumo à justiça climática” , desenvolvido pela Coalizão Energia Limpa, da qual a ARAYARA faz parte. 

Uma preocupação recorrente nas conferências foi a ocupação desordenada do solo. De acordo com relatos, áreas de preservação permanente (APPs), reservas legais e áreas de recarga de aquíferos têm sido alvos de loteamentos que ignoram alertas científicos sobre o agravamento de desastres climáticos, como tempestades, secas e ondas de calor.

Outro problema destacado foi o desmonte de órgãos ambientais estaduais e a atuação de uma agência ambiental privada, que vem promovendo consórcios municipais para permitir que os municípios façam seus próprios licenciamentos, muitas vezes de forma questionável. Relatos sobre essas práticas foram amplamente discutidos em conferências realizadas em municípios como Guaratinguetá, Ubatuba e São José dos Campos, gerando mobilização para combater irregularidades.

Resultados e Propostas

Entre os resultados mais significativos, destacam-se a criação de grupos de trabalho envolvendo advogados, engenheiros, cientistas e ativistas para enfrentar os problemas levantados. Diversas propostas foram aprovadas, com destaque para as seguintes:

  • Plano Municipal de Redução de Mudanças Climáticas: Integração do zoneamento urbano e restrições de ocupação em áreas vulneráveis.
  • Compostagem e Agricultura Sustentável: Incentivo à compostagem municipal em larga escala e à adoção de sistemas agroflorestais e agricultura comunitária.
  • Educação Ambiental e Governança Climática: Criação de programas de educação ambiental, fortalecimento dos conselhos municipais e implementação de ouvidorias ambientais.

Destaques das Conferências

A conferência de São José dos Campos, convocada pela sociedade civil, contou com forte apoio do Instituto Internacional ARAYARA, assim como a de Caçapava  e Guaratinguetá. Em Caçapava, mesmo com episódios de tensão envolvendo vereadores, as propostas avançaram, incluindo o fortalecimento de políticas para justiça climática e a criação de um fundo local de assistência a vítimas de desastres naturais.

Já a de Ubatuba, realizada no dia 26 de janeiro, foi marcada pela participação de lideranças quilombolas, indígenas e ribeirinhas, fortalecendo laços entre diferentes grupos em defesa do meio ambiente.

Na conferência de Taubaté, Paula Guimarães foi eleita delegada do Meio Ambiente para representar a sociedade civil junto à conferência estadual.

No evento de Tremembé, a ARAYARA e a Frente Ambientalista do Vale do Paraíba foram convidadas a realizarem no município audiências públicas e seminários sobre termoelétricas. A Arayara também está convidada a participar das reuniões dos conselho municipal de meio ambiente.

As propostas elaboradas nas conferências foram encaminhadas ao Ministério do Meio Ambiente e servirão de base para discussões em âmbito estadual. “Com parcerias fortalecidas e novas alianças formadas, o Vale do Paraíba caminha para consolidar-se como uma região de protagonismo na luta por um futuro ambientalmente sustentável e socialmente justo”, pontua Araújo.

Compartilhe

Share on whatsapp
WhatsApp
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn

Enviar Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Redes Sociais

Posts Recentes

Categorias
Receba as atualizações mais recentes

Faça parte da nossa rede

Sem spam, notificações apenas sobre novidades, campanhas, atualizações.

Leia também

Posts relacionados

Na Mídia | LRCAP 2026: relatório pede suspensão e PF investiga leilão de energia

Documento aponta indícios de cartel, sigilo de cálculos e impacto bilionário na tarifa; especialistas defendem alternativas limpas ao modelo de térmicas fósseis Por: painelpolitico.com Na tarde desta quarta-feira (6), a Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados recebeu um relatório explosivo: o deputado federal Danilo Forte (PP-CE) recomenda a suspensão imediata do Leilão de Reserva de Capacidade de 2026 (LRCAP), a não homologação

Leia Mais »

PAMEC 2026: Arayara reforça protagonismo na transição energética offshore

Evento internacional reuniu especialistas em energias oceânicas no Rio de Janeiro e evidenciou o potencial do Brasil para a transição energética no ambiente marinho.   A Pan-American Marine Energy Conference (PAMEC) 2026 integrou o conjunto de conferências internacionais dedicadas à pesquisa e desenvolvimento de energias renováveis marinhas. Realizada entre os dias 10 e 15 de abril de 2026, na COPPE/UFRJ,

Leia Mais »
Monitor Enegia - O Futuro da Energia no Brasil - ARAYARA

Apresentação do Monitor Energia reúne especialistas, sociedade civil e comunidade escolar para debater o futuro da energia no Brasil

Evento apresentou plataforma para democratizar dados e discutir o futuro da energia no Brasil. O evento no SESI Lab, realizado em 27/04/2026 em Brasília, reuniu representantes do poder público, agências reguladoras, organizações da sociedade civil, especialistas e comunidade escolar para discutir os rumos da matriz elétrica brasileira e defender uma transição energética justa, transparente e socialmente responsável. O evento apresentou

Leia Mais »

Contribution: Roadmap on the Transition Away from Fossil Fuels in a Just, Orderly and Equitable Manner

Introduction ARAYARA International Institute is a federally recognized public interest organization, a member of the National Environmental Council and the National Water Resources Council, among other collegiate bodies in Brazil, and part of Brazilian civil society. It works to promote climate justice, socio-environmental protection, and a just energy transition. Based on its activities in Brazil and Latin America, the Institute

Leia Mais »