+55 (41) 9 8445 0000 arayara@arayara.org

Derrubada do veto empurra Brasil à devastação, afirma Instituto Arayara

O Instituto Internacional ARAYARA manifesta extrema preocupação com a derrubada de todos os itens do Veto 29/2025 que foram apreciados hoje, classificando a atitude do Congresso como uma “negociação de vidas” que fragiliza a proteção socioambiental e inviabiliza o cumprimento das metas climáticas assumidas pelo Brasil na COP30.

A ARAYARA reforça que a sanção da Presidência com veto parcial já foi insuficiente, e a derrubada dos itens hoje representa um retrocesso ainda mais grave. Foram somente sobrestados, para apreciação futura, os itens referentes à LAE por conta da tramitação ainda em curso da MP 1308.

O Congresso virou as costas para o País, abriu a porteira e deixou a boiada passar. Não ouviu as manifestações da sociedade civil, das populações vulneráveis, desconsiderou estudos de cientistas e entidades ambientais. Jogou no lixo o principal avanços na legislação ambiental da história do país.

Renata Prata, coordenadora de advocacy e projetos do Instituto, afirma que a derrubada do veto à LAC (Art. 22) é um perigo iminente, pois atinge empreendimentos de médio potencial poluidor, como barragens de rejeitos de mineração. Com a LAC, o empresário passa a preencher apenas um formulário online para iniciar a construção de um projeto, desconsiderando a análise técnica e o risco de novas tragédias. Também sinaliza que a matéria será mais uma vez questionada no Supremo, tendo em vista que a Corte tem entendimento que empreendimentos de médio potencial poluidor não podem ser simplesmente sujeitos à LAC.

A ARAYARA reitera que a sanção parcial do projeto, realizada anteriormente, já havia gerado insatisfação. Juliano Bueno, presidente do Instituto e conselheiro do CONAMA, reforça que a sanção parcial deixou intactos dispositivos capazes de provocar graves impactos, como a criação da Licença Ambiental Especial (LAE).

Segundo Bueno, a LAE foi um dispositivo planejado pelo próprio governo, com participação do ministro Rui Costa (Casa Civil), com o objetivo de facilitar a aprovação de grandes projetos, como a exploração de petróleo, urânio, mineração de grande porte e a construção de termelétricas a gás fóssil. Ele interpretou a aprovação parcial desse mecanismo como uma rendição aos interesses e à pressão de empresas petrolíferas e de grandes mineradoras, tanto nacionais quanto estrangeiras.

O Instituto ARAYARA foi categórico ao exigir que o governo defendesse sua decisão pelo veto e evitasse a negociação no Congresso. Concretamente, na sessão de hoje o governo orientou a bancada pela manutenção do veto, bem como dos itens específicos que foram votados como destaques. A derrubada do veto pela oposição consolida o enfraquecimento das áreas protegidas e a vulnerabilidade territorial. “Não se deve negociar a vida. A qualidade do ar, a qualidade do solo e das águas não devem ser colocadas num balcão de negócios,” afirma Renata Prata.

O Instituto Internacional ARAYARA já está mobilizando a esfera jurídica para combater o retrocesso, liderando ações judiciais em nome dos mais de 5 milhões de cidadãos que aderiram ao abaixo-assinado que clama pela manutenção dos vetos e pelo fim da Licença Ambiental Especial (LAE). Reforçando essa estratégia, o partido político PSOL assumiu a liderança para propor uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), e a ARAYARA atuará como Amicus Curiae nesta ação, já em fase final de preparação.

Além disso, a votação se deu no apagar das luzes da COP30 recém realizada em Belém. O texto já se mostrava insuficiente como ferramenta de mitigação ou adaptação, na falta de menção a clima e a gases de efeito estufa. Com a derrubada dos vetos, o Brasil não terá condições de cumprir com suas metas climáticas, ou com os compromissos recém assumidos na conferência.

Foto: Arquivo Agência Brasil

Compartilhe

Share on whatsapp
WhatsApp
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn

Enviar Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Redes Sociais

Posts Recentes

Categorias
Receba as atualizações mais recentes

Faça parte da nossa rede

Sem spam, notificações apenas sobre novidades, campanhas, atualizações.

Leia também

Posts relacionados

Brazilian Federal Court Sets Historic Climate Precedent in Coal Power Plant Licensing Case

Brazil has just reached a historic milestone in climate and environmental litigation. In an unprecedented ruling, the Federal Court of Rio Grande do Sul determined that climate impacts and greenhouse gas (GHG) emissions must be formally considered as mandatory criteria in the environmental licensing process for a coal-fired power plant. The decision was issued in a public civil action filed

Leia Mais »

Justiça cria precedente histórico ao exigir análise climática para renovação da licença da Usina Candiota III

O Brasil acaba de registrar um marco inédito na Justiça climática e ambiental. Uma decisão da Justiça Federal do Rio Grande do Sul reconheceu, pela primeira vez, que os impactos climáticos e as emissões de gases de efeito estufa (GEE) precisam fazer parte obrigatoriamente da análise para renovação da licença ambiental de uma usina termelétrica a carvão mineral. A decisão

Leia Mais »

Na Mídia | LRCAP 2026: relatório pede suspensão e PF investiga leilão de energia

Documento aponta indícios de cartel, sigilo de cálculos e impacto bilionário na tarifa; especialistas defendem alternativas limpas ao modelo de térmicas fósseis Por: painelpolitico.com Na tarde desta quarta-feira (6), a Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados recebeu um relatório explosivo: o deputado federal Danilo Forte (PP-CE) recomenda a suspensão imediata do Leilão de Reserva de Capacidade de 2026 (LRCAP), a não homologação

Leia Mais »

PAMEC 2026: Arayara reforça protagonismo na transição energética offshore

Evento internacional reuniu especialistas em energias oceânicas no Rio de Janeiro e evidenciou o potencial do Brasil para a transição energética no ambiente marinho.   A Pan-American Marine Energy Conference (PAMEC) 2026 integrou o conjunto de conferências internacionais dedicadas à pesquisa e desenvolvimento de energias renováveis marinhas. Realizada entre os dias 10 e 15 de abril de 2026, na COPPE/UFRJ,

Leia Mais »