+55 (41) 9 8445 0000 arayara@arayara.org

ARAYARA na Mídia: ONGs vão à Justiça pedir anulação do aval à exploração do petróleo na Foz do Amazonas

Ação movida na Justiça Federal do Pará pede liminar para suspender perfuração

Oito organizações não-governamentais, incluindo redes do movimento ambientalista, indígena, quilombola e de pescadores artesanais, entraram na quarta-feira com uma ação na Justiça Federal do Pará pedindo a anulação do aval à exploração do petróleo na Foz do Amazonas.

A licença à estatal foi concedida pelo Ibama no último dia 20, segunda-feira, depois de quatro anos de impasse entre a Petrobras e o Ministério de Minas e Energia, que defendiam o licenciamento, e pareceres técnicos contrários do Ministério Público Federal. A Petrobras informou que já iniciou a perfuração na região após o aval.

A ação, protocolada na 9ª Vara da cidade de Belém, no Pará, pede a imediata suspensão das atividades de perfuração com base na alegação de risco de danos irreversíveis ao meio ambiente.

Assinam o pedido entidades como a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), a Comissão Nacional para o Fortalecimento das Reservas Extrativistas e dos Povos Extrativistas Costeiros e Marinhos (Confrem), o Greenpeace Brasil, o Instituto Arayara, o Observatório do Clima e o WWF-Brasil.

Argumento das ONGs

Entidades argumentam, no documento, que há três grandes problemas com a licença de operação que justificam a nulidade. A primeira alegação é de que o licenciamento não fez consulta livre, prévia e informada aos povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais do entorno, sem realizar os chamados “Estudo de Componente” índigena e quilombola.

As ONGs também afirmam que há falhas graves de modelagem que põem em risco a biodiversidade. Segundo elas, tanto o modelo quanto os dados apresentados pela Petrobras no plano de emergência criado para conter um eventual vazamento de óleo num incidente têm erros que comprometem a segurança da atividade.

Eles dizem que o plano de emergência da Petrobras ignora certas características da região, como o comportamento de correntes subsuperficiais e os sedimentos na coluna d’água. Com isso, estimam que até 20% do óleo derramado poderia afundar e atingir o Grande Sistema Recifal Amazônico, um ecossistema que serve de berçário a espécies de peixe importantes para a economia e os modos de vida locais do litoral amazônico.

Eles afirmam que a Petrobras usou dados de 2013 sobre as correntes da região, mesmo já tendo informações atualizadas de 2024. O Ibama reconheceu essa falha e exigiu uma nova modelagem como condição para manter a licença, mas ainda assim liberou o projeto com base em dados defasados.

As ONGs também dizem que o licenciamento não considera impactos climáticos. Lembram que, segundo a Agência Internacional de Energia, não há espaço para novos projetos de petróleo se o mundo quiser limitar o aquecimento global a 1,5 °C.

Fonte: O Globo

Foto: Reprodução / Landsat / NASA

Compartilhe

Share on whatsapp
WhatsApp
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn

Enviar Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Redes Sociais

Posts Recentes

Categorias
Receba as atualizações mais recentes

Faça parte da nossa rede

Sem spam, notificações apenas sobre novidades, campanhas, atualizações.

Leia também

Posts relacionados

Na mídia | Questionamentos judiciais fazem ANEEL adiar homologação do leilão de térmicas a combustíveis fósseis

FIESP e CNI criticam o certame e pedem para acompanhar o processo no TCU; Arayara pede ao tribunal a exclusão de usinas a carvão do processo. Por ClimaInfo 17/05/2026  Continua o imbróglio envolvendo o leilão de reserva de capacidade (LRCAP) de 2026, que contratou usinas a gás fóssil, carvão, óleo combustível e diesel, e só é elogiado pelas empresas que

Leia Mais »

Brazilian Federal Court Sets Historic Climate Precedent in Coal Power Plant Licensing Case

Brazil has just reached a historic milestone in climate and environmental litigation. In an unprecedented ruling, the Federal Court of Rio Grande do Sul determined that climate impacts and greenhouse gas (GHG) emissions must be formally considered as mandatory criteria in the environmental licensing process for a coal-fired power plant. The decision was issued in a public civil action filed

Leia Mais »

Justiça cria precedente histórico ao exigir análise climática para renovação da licença da Usina Candiota III

O Brasil acaba de registrar um marco inédito na Justiça climática e ambiental. Uma decisão da Justiça Federal do Rio Grande do Sul reconheceu, pela primeira vez, que os impactos climáticos e as emissões de gases de efeito estufa (GEE) precisam fazer parte obrigatoriamente da análise para renovação da licença ambiental de uma usina termelétrica a carvão mineral. A decisão

Leia Mais »

Na Mídia | LRCAP 2026: relatório pede suspensão e PF investiga leilão de energia

Documento aponta indícios de cartel, sigilo de cálculos e impacto bilionário na tarifa; especialistas defendem alternativas limpas ao modelo de térmicas fósseis Por: painelpolitico.com Na tarde desta quarta-feira (6), a Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados recebeu um relatório explosivo: o deputado federal Danilo Forte (PP-CE) recomenda a suspensão imediata do Leilão de Reserva de Capacidade de 2026 (LRCAP), a não homologação

Leia Mais »