+55 (41) 9 8445 0000 arayara@arayara.org

ARAYARA na Mídia: ONGs vão à Justiça contra licença da Petrobras na Foz do Amazonas

Um grupo de ONGs (Organizações Não Governamentais) entrou com pedido na Justiça na 4ª feira (22.out.2025) em que apontam possíveis ilegalidades e falhas técnicas no processo de licenciamento para perfurar o poço Morpho, no bloco FZA-M-059, na bacia da Margem Equatorial.

O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) concedeu a licença de operação para a Petrobras na 2ª feira (20.out.2025). Para as 8 organizações ambientais que assinaram o pedido, trata-se de autorização que avança sobre áreas de ecossistemas sensíveis e está em desconexão com os compromissos climáticos que o país tem afirmado internacionalmente.

Na ação, protocolada na 9ª Vara da cidade de Belém, a Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil), a Coiab (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira), a Conaq (Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas), a Confrem (Comissão Nacional para o Fortalecimento das Reservas Extrativistas e dos Povos Extrativistas Costeiros e Marinhos), o Greenpeace Brasil, o Instituto Arayara, o Observatório do Clima e o WWF-Brasil também pedem liminar para suspender imediatamente as atividades de perfuração, sob risco de danos irreversíveis ao meio ambiente.

 

 

As organizações afirmam que o processo do Ibama tem 3 vícios fundamentais que o tornam nulo.

 

  • O 1º seria a ausência de estudos específicos sobre povos indígenas e comunidades tradicionais —como o Estudo de Componente Indígena e o Estudo de Componente Quilombola—, além da falta de consulta livre, prévia e informada, conforme determina a Convenção 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho). Segundo as entidades, o projeto impacta diretamente terras indígenas, áreas quilombolas, colônias de pescadores, Reservas Extrativistas e Unidades de Conservação da região.
  • O 2º ponto é a fragilidade dos estudos técnicos sobre risco ambiental. O modelo de dispersão de óleo usado pela Petrobras, afirmam as ONGs, estaria desatualizado e não refletiria as condições reais da região —como correntes subsuperficiais, sedimentos e uso de dispersantes. Essa defasagem poderia levar parte do óleo derramado a atingir o Grande Sistema Recifal Amazônico.
  • O 3º vício apontado é a omissão dos impactos climáticos do projeto, considerado incompatível com as metas do Acordo de Paris e com o objetivo global de limitar o aquecimento a 1,5 °C. As entidades dizem que a autorização para o bloco FZA-M-59, o 1º de uma série prevista na Margem Equatorial, abre nova fronteira de expansão fóssil em plena crise climática e às vésperas da COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas).

O QUE DIZEM AS ONGS

 Abaixe o App
Junte-se aos milhões de investidores que usam o app do Investing.com para ficar por dentro do mercado financeiro mundial!
Baixar Agora

 

Para o OC (Observatório do Clima), a licença representa “uma sabotagem à COP30” e “vai na contramão do papel de líder climático reivindicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no cenário internacional”.

Segundo a entidade, “a decisão é desastrosa do ponto de vista ambiental, climático e da sociobiodiversidade. Organizações da sociedade civil e movimentos sociais irão à Justiça denunciar as ilegalidades e falhas técnicas do processo de licenciamento, que poderiam tornar a licença nula”.

“A emissão da licença para o Bloco 59 é uma dupla sabotagem. De um lado, o governo brasileiro age contra a humanidade ao estimular nova expansão fóssil, contrariando a ciência. De outro, impede a COP30 em si, cuja entrega mais importante deveria incluir a implementação da determinação de eliminação de combustíveis fósseis”, disse Suely Araújo, coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima.

Segundo Nicole Oliveira, diretora-executiva do Instituto Arayara, a decisão de licenciar “é claramente política, e não técnica”. “O valor de uma sondagem de petróleo jamais pode superar o valor da vida das comunidades amazônicas, da biodiversidade e do equilíbrio climático do planeta”, disse.

Já para o Greenpeace Brasil, a concessão da licença às vésperas da COP30, que acontece em novembro em Belém, expõe uma contradição entre o discurso climático e a realidade de abertura de novas fronteiras de petróleo.

“Às vésperas da COP30, o Brasil se veste de verde no palco internacional, mas se mancha de óleo na própria casa. Enquanto o mundo se volta para a Amazônia em busca de soluções para a crise climática, vemos o Ibama conceder licença para que a Petrobras abra um poço de petróleo em pleno coração do planeta”, afirmou Mariana Andrade, coordenadora da frente de Oceanos do Greenpeace Brasil.

A WWF-Brasil considera que a vitória da Petrobras na Foz do Amazonas representa “uma derrota de todos os brasileiros”. O posicionamento ressalta que, ao autorizar exploração em uma das regiões mais sensíveis do litoral amazônico, com alto risco socioambiental, o país corre o risco de comprometer recursos naturais, modos de vida tradicionais e sua credibilidade internacional no enfrentamento da crise climática.

 

O QUE DIZ O GOVERNO

O governo federal, por meio do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, defendeu o processo. Em nota, afirmou que a licença “resulta de um rigoroso processo de análise ambiental por parte do Ibama desde 2014” e que o empreendimento seguiu “critérios técnicos e científicos rigorosos”.

A ministra Marina Silva declarou que “em áreas de elevado risco, como a Foz do Amazonas e outras, deve-se obedecer aos mais rigorosos critérios técnicos, científicos e ambientais, garantindo o respeito ao meio ambiente, aos povos e comunidades da região do empreendimento e às riquezas socioambientais”. Marina reforçou que a determinação foi técnica.

Leia mais em Poder360

Fonte: Investing.com

Foto: Reprodução / Investing

Compartilhe

Share on whatsapp
WhatsApp
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn

Enviar Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Redes Sociais

Posts Recentes

Categorias
Receba as atualizações mais recentes

Faça parte da nossa rede

Sem spam, notificações apenas sobre novidades, campanhas, atualizações.

Leia também

Posts relacionados

Na mídia | Transição energética ganha nova ferramenta no Brasil

Por: plurale.com.br Em Brasília, no próximo dia 27 de abril, o Instituto Internacional Arayara apresenta a representantes de órgãos do governo, especialistas, educadores, estudantes,ativistas e profissionais de diversas áreas o Monitor de Energia, ferramenta colaborativa que traz informações técnicas importantes para o entendimento do processo de transição energética. A plataforma interativa reúne dados, análises e visualizações sobre o setor energético

Leia Mais »

Contribuições do ARAYARA para os Mapas do Caminho – COP30 apontam caminhos para a transição justa longe dos combustíveis fósseis

Introdução O Instituto Internacional ARAYARA é uma organização de utilidade pública federal, membra do Conselho Nacional do Meio Ambiente e Conselho Nacional de Recursos Hídricos, entre outros órgão colegiados pelo Brasil, e da sociedade civil brasileira que atua na promoção da justiça climática, na defesa socioambiental e na transição energética energética justa. Com base em sua atuação no Brasil e

Leia Mais »

ARAYARA Proposes Solutions for a Just Energy Transition for the 1st Conference on Transitioning Away from Fossil Fuels

Introduction The organizing team of the First Conference on Transitioning Away from Fossil Fuels (https://transitionawayconference.com/), to be held in Santa Marta, Colombia, from April 24-29, 2026, and co-sponsored by the Governments of Colombia and the Netherlands, has opened a consultation for participation in Methodological Stage 1 of the Conference. Written contributions focus on practical solutions around three thematic pillars: (i)

Leia Mais »

ARAYARA propõe soluções para uma transição energética justa para a 1ª Conferência sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis

Introdução A equipe organizadora da Primeira Conferência sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis (https://transitionawayconference.com/), que será realizada em Santa Marta (Colômbia), de 24 a 29 de abril de 2026, e copatrocinada pelos Governos da Colômbia e dos Países Baixos, abriu consulta para participação da Etapa Metodológica 1 da Conferência. As contribuições escritas se concentram em soluções práticas em

Leia Mais »