02/12/2020 - Instituto Internacional Arayara
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Entenda como as mudanças climáticas podem contribuir para uma crise financeira

Reportagem da revista Exame aponta cinco grandes riscos decorrentes das mudanças climáticas. Segundo fontes ouvidas, as mudanças climáticas se tornaram um fator determinante nas perspectivas de longo prazo das empresas. Isso deve gerar uma realocação significativa de capital antes do previsto.

Em The green swan, os autores identificam cinco tipos de riscos associados às mudanças climáticas que podem contribuir para uma crise financeira. São eles:

  • Risco do crédito: as mudanças climáticas podem atrapalhar os devedores a honrar seus compromissos. Além disso, a possível depreciação dos ativos utilizados como garantia para os empréstimos também pode contribuir para o aumento dos riscos de crédito.
  • Risco dos mercados: se houver uma mudança acentuada na percepção de rentabilidade pelos investidores, poderá haver vendas rápidas de ativos (liquidações de preços baixos), o que pode desencadear uma crise financeira.
  • Risco de liquidez: ele também pode afetar bancos e instituições financeiras não bancárias. Se estes não conseguirem se refinanciar no curto prazo, isto poderia levar a uma crise maior.
  • Risco operacional: ocorre quando, como resultado de um evento climático extremo, escritórios, redes de computadores ou data centers têm problemas em funcionar.
  • Risco de cobertura: no setor de seguros, uma quantidade maior de sinistros poderia ser acionada, colocando as empresas do ramo em xeque.
Poluição do ar custa 2,9 trilhões de dólares por ano

Poluição do ar custa 2,9 trilhões de dólares por ano

O custo global da poluição do ar causada por combustíveis fósseis é de US $ 8 bilhões por dia, ou cerca de 3,3% da produção econômica mundial, disse um grupo de pesquisa ambiental nesta quarta-feira.

O relatório do Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo (CREA) e do Greenpeace do Sudeste Asiático é o primeiro a avaliar o custo global da poluição do ar especificamente da queima de petróleo, gás e carvão.

“Descobrimos que a China Continental, os Estados Unidos e a Índia suportam os custos mais altos da poluição do ar por combustíveis fósseis em todo o mundo, estimados em US $ 900 bilhões, US $ 600 bilhões e US $ 150 bilhões por ano, respectivamente”, afirmou o relatório.

As partículas lançadas pelo uso de combustíveis fósseis representam 4,5 milhões de mortes prematuras a cada ano em todo o mundo, incluindo 1,8 milhão na China e um milhão na Índia, descobriram os pesquisadores.

O novo número está de acordo com as estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 4,2 milhões de mortes por ano relacionadas à poluição do ar no nível do solo, principalmente devido a doenças cardíacas, derrames, câncer de pulmão e infecções respiratórias agudas em crianças.

Viver na área de Nova Délhi, na Índia, é como fumar 10 cigarros por dia, segundo pesquisas anteriores.

“A poluição do ar a partir de combustíveis fósseis é uma ameaça para a nossa saúde e nossas economias que leva milhões de vidas e nos custa trilhões de dólares”, disse Minwoo Filho, ar limpo ativista do Greenpeace da Ásia.

O custo global para 2018 foi de US $ 2,9 trilhões, estima o relatório.

A cada ano, a economia global recebe US $ 350 bilhões atingidos pelo dióxido de nitrogênio (NO2) – um subproduto da combustão de combustíveis fósseis em veículos e usinas – e mais US $ 380 bilhões atingidos pelo ozônio, segundo estimativas do meio do caminho.

Profundamente nos pulmões

De longe, o poluente mais caro é o material particulado fino microscópico (PM 2.5), que representa mais de dois trilhões de dólares por ano em danos, medidos em impactos na saúde, dias de trabalho perdidos e anos perdidos por morte prematura.

A repartição global por mortes prematuras a cada ano era de 500.000 para NO2, um milhão para ozônio e três milhões para PM 2.5.

Cerca de 40.000 crianças morrem todos os anos antes do quinto aniversário devido ao PM 2.5, o que também leva a dois milhões de nascimentos prematuros por ano e o dobro de casos de asma.

As partículas de PM 2,5 penetram profundamente nos pulmões e entram na corrente sanguínea, causando problemas respiratórios cardiovasculares. Em 2013, a OMS classificou-o como um agente causador de câncer.

As estimativas de médio alcance do número de mortes prematuras decorrentes da poluição por combustíveis fósseis incluem 398.000 para a União Europeia, 230.000 para os Estados Unidos, 96.000 para Bangladesh e 44.000 para a Indonésia.

Entre os países que recebem o maior impacto econômico a cada ano estão China (US $ 900 bilhões), Estados Unidos (US $ 610 bilhões), Índia (US $ 150 bilhões), Alemanha (US $ 140 bilhões), Japão (US $ 140 bilhões), Japão (US $ 130 bilhões), Rússia (US $ 68 bilhões) e Grã-Bretanha ( US $ 66 bilhões).

Globalmente, a poluição do ar é responsável por 29 por cento de todas as mortes e doenças por câncer de pulmão , 17 por cento por infecção respiratória baixa aguda e um quarto por derrame e doenças cardíacas , segundo a OMS.

A poluição do ar é um ponto focal de descontentamento social em algumas partes do mundo, levando alguns especialistas a especular que isso poderia levar a uma redução mais rápida do uso de combustíveis fósseis.

“Estamos nos aproximando de um ponto de inflexão em que não será mais aceitável reduzir a vida de pessoas com poluição por combustíveis fósseis ?” Johan Rockstrom, chefe do Instituto de Pesquisa de Impacto Climático de Potsdam, disse à AFP.

O novo relatório usou conjuntos de dados globais para concentrações no nível da superfície dos três principais poluentes analisados ​​e depois calculou os impactos na saúde e nos custos para 2018.

As estimativas das concentrações de PM 2,5 e NO2 foram baseadas em instrumentos de observação da Terra em dois satélites da NASA que monitoram aerossóis na atmosfera.

Mortes, anos de vida perdidos e anos vividos com incapacidade devido à exposição à PM 2,5 são extraídos da Carga Global de Doenças, publicada em 2018 pela PNAS.

Fonte: Rio Meio Ambiente

Mina Guaíba colocará em risco a segurança hídrica de Porto Alegre

Um dos mais reconhecidos geólogos do mundo, Rualdo Menegat, professor do Departamento de Paleontologia e Estratigrafia do Instituto de Geociências da UFRGS, concedeu entrevista ao Observatório do Carvão e explicou por que a Mina Guaíba não pode sair do papel. Os argumentos do professor são irrefutáveis e precisam ser levados à população, pois são os moradores da região metropolitana de Porto Alegre os principais atingidos pelos males que a exploração do carvão mineral pode gerar. Confira a entrevista:

O Rio Grande do Sul precisa de uma mina de exploração de carvão?

No século XXI ninguém mais quer minas de carvão, ainda mais perto de casa. Trata-se de uma fonte de energia obsoleta e a mais agressiva ao meio ambiente. A Mina Guaíba, por exemplo, pretende se instalar no coração da Região Metropolitana de Porto Alegre, a 16 km do centro da capital, com potencial de impacto negativo à vida e ao patrimônio ambiental, material e cultural de 4,6 milhões de pessoas. Esse projeto oferece um risco tão grande a essa população que não valeria a pena implantá-lo, nem mesmo se o Rio Grande estivesse vivendo uma grave crise energética, que não é o caso. Uma mina de carvão tão próxima de um gigantesco aglomerado urbano e da água que o abastece pode causar sérios danos à saúde de seus habitantes. Então, é contraditório dizer que ela é necessária para fornecer energia à população, quando na verdade ela pode matar os consumidores dessa energia e degradar sua qualidade de vida. O Rio Grande do Sul tem vocação pioneira para inovar fontes de energia, como os parques eólicos. Então porque insistir em fontes de energia dos séculos XVIII e XIX?

Além disso, a exploração de carvão nunca trouxe riqueza para as regiões onde ela é realizada. Em qualquer lugar do mundo, essas minas trazem severos danos ambientais e empobrecem os habitantes locais. Quem quer visitar um lugar degradado pela mineração de carvão? Ninguém. Então, as minas de carvão afugentam as pessoas. Quando o ex-vice-presidente norte americano, Al Gore, visitou a região carbonífera dos Apalaches, nos Estados Unidos, ele disse que se um estrangeiro tivesse feito todo aquele estrago na paisagem, eles teriam que declarar guerra contra eles, tamanha a destruição do ambiente que essa mineração tem causado naquele país.

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Mato Grosso: 88% do desmatamento é ilegal

No Mato Grosso, estado campeão de produção da soja, 88% do desmatamento é ilegal, concentrado em grandes propriedades. Os assentamentos responderam por apenas 9% da área desmatada no período. Agronegócio e sensação de impunidade impulsionam desflorestamento, dizem especialistas.

De agosto de 2018 a julho de 2019, o desmatamento mapeado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) no Cerrado foi de 6,4 mil quilômetros quadrados, o equivalente a quatro vezes o território da cidade de São Paulo. O estado foi o terceiro estado que mais destruiu, sendo responsável por 14% de todo o desmatamento detectado. Os números são do Instituto Centro de Vida (ICV).

O principal motivo do desmatamento alto, de acordo com o instituto, é o elevado grau de ilegalidade: no período apurado, 88% do desmatamento no Cerrado mato-grossense foi ilegal. Em alguns municípios, 100% do desmatamento foi criminoso.

Para o engenheiro florestal e coordenador de inteligência territorial do instituto, Vinicius Silgueiro, chama atenção a crescente concentração do desmatamento ilegal em latifúndios, à medida que foi se reduzindo a fiscalização. Pouco mais de 60% do desmatamento no Cerrado foi em imóveis registrados no Cadastro Ambiental Rural (CAR) e, do desmatamento ilegal detectado nesses imóveis, 64% se concentrou em áreas maiores que 1.500 hectares, um aumento em relação ao período anterior, quando esse número era de 56%. Apenas 1% ocorreu em terras indígenas, e 1%, em áreas de conservação.

“É caro desmatar, precisa de maquinário, mão de obra; custa em torno de dois ou três mil reais por hectare, então isso está sendo feito por gente com poder, ao mesmo tempo em que há menor fiscalização e maior sensação de impunidade”, diz o engenheiro florestal. Desde 2015 o número de autuações do Ibama vem caindo no estado, passando de mais de mil naquele ano para 411 em 2019.

Especulação e agronegócio impulsionam desmatamento

Segundo a professora do departamento de Ecologia da Universidade de Brasília (UnB) Mercedes Bustamante, o padrão de desmatamento ilegal está associado a obras de infraestrutura e ao agronegócio. “Quando você olha os municípios mais afetados, é onde há obras de infraestrutura, como abertura de estradas, para facilitar o escoamento de produção agrícola. Então, tem um braço de infraestrutura, associado à especulação, mas é uma especulação que também está ligada a condições mais favoráveis para a produção agrícola”, explica.

Segundo a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), nos últimos três anos “todos os frigoríficos que operam no bioma amazônico e cerrado no Mato Grosso assinaram Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público, comprometendo-se a não comprar gado de produtores que realizam desmatamento nestas áreas”.

Segundo o geólogo Sales, com o desmatamento, a água da chuva não se infiltra mais no solo como antes, o que provoca a diminuição drástica dos lençóis subterrâneos, por sua vez causando a diminuição da vazão dos rios e fazendo com que eles desapareçam aos poucos.

“A cada ano que passa, a gente constata pelo menos o desaparecimento de dez pequenos rios na região”, diz o professor. Ele ressalta que os pequenos vestígios de Cerrado intacto que ainda existem no país estão sendo preservados em algumas áreas indígenas, mas mesmo estas estão sob ameaça.

A professora da UnB Bustamante ainda lista a mudança local do clima, já que há redução do retorno de água para a atmosfera, erosão da biodiversidade e mais emissões de carbono, combinando efeitos locais e globais.

Segundo Sales, pecuária e monoculturas como a da soja são atividades incompatíveis com a sobrevivência do Cerrado. “Anteriormente, quando o Cerrado ainda estava preservado, isso [cultivar soja e pastagens] seria perfeitamente possível com um planejamento adequado de ocupação do espaço”, afirma.

Para a preservação do que restou do bioma, a estratégia mais aceita é fortalecer e ampliar áreas de conservação e terras indígenas. “Foi uma estratégia que funcionou muito bem para a Amazônia, mas no Cerrado é um pouco mais complicado porque lá a área é majoritariamente privada. Então, parte da solução do problema passa também pelo setor privado”, afirma Bustamante.

Além disso, seria preciso haver fortalecimento da fiscalização, fazer valer a lei ambiental e eventualmente fazer o manejo das áreas já desmatadas e usadas para o agronegócio para melhor aproveitamento e elevação da produtividade.

Fonte: Deutsche Welle

Enchentes mostram a políticos que emergência climática não é para ‘daqui a 500 anos

A colunista Vera Magalhães, do Estadão, escreveu sobre as mudanças climáticas, a incapacidade de resposta do poder público e deu um importante recado: para quem precisava de evidências de que emergência climática não é para daqui a 500 anos, mas agora, as chuvas de São Paulo são a resposta.

Segundo Vera, “Enquanto carros boiavam nas principais avenidas de São Paulo e paulistanos iam trabalhar de bote inflável ou trator, as autoridades municipais se reuniam numa espécie de missa macabra na Prefeitura, convocada às pressas pelo prefeito Bruno Covas, para, visivelmente atônitas, dizer que choveu demais e tudo poderia ser pior se não fosse o bom trabalho da gestão municipal.”

Leia a coluna no Estadão.