Escolha uma Página

Maioria dos brasileiros já mudou algum hábito de consumo por preocupação com mudanças climáticas

Sete em cada dez brasileiros (68%) dizem já ter modificado hábitos de consumo devido à preocupação com as mudanças climáticas: 25% contam que fizeram muitas modificações e 43% fizeram algumas. Por outro lado, 20% negam qualquer alteração nesse sentido. Os dados são da pesquisa “Climate Change and Consumer Behavior”, realizada pela Ipsos para o Fórum Econômico Mundial.

Globalmente, 69% dizem ter modificado hábitos de consumo por causa do clima, sendo que 17% fizeram muitas mudanças e 52% realizaram algumas. Enquanto 23% não mudaram nada. 

Os consumidores mostraram maior inclinação a relatar modificações de hábitos para combater as mudanças climáticas na Índia (88%), México (86%), Chile (86%), China (85%), Malásia (85%) e Peru (84%).
O Japão foi o único país estudado onde apenas uma minoria (31%) diz ter feito qualquer alteração de comportamento por causa das mudanças climáticas, enquanto quase metade (47%) nega ter tomado qualquer atitude. Os três outros países onde mais de um terço dos entrevistados negou qualquer alteração são EUA (36%), Holanda (35%) e Rússia (35%).

Decisões individuais

No Brasil, o hábito que mais mudou foi a quantidade de água utilizada em casa: 66% dos entrevistados afirmam que alteraram essa questão. O segundo ponto foi o volume ou frequência da reciclagem (52%), juntamente com a quantidade de energia elétrica utilizada em casa (52%). Logo depois aparece volume ou frequência da reutilização de produtos (48%).

Globalmente, o ranking dos comportamentos que mais mudaram é o mesmo (com alguns percentuais diferentes): quantidade de água usada em casa (60%), reciclagem (57%), uso de energia elétrica (55%) e reutilização de produtos (50%).   

A pesquisa on-line foi realizada com 19,9 mil entrevistados em 28 países, incluindo o Brasil, entre 25 de outubro e 8 de novembro de 2019. A margem de erro para o Brasil é de 3,5 p.p.

Acesse aqui a pesquisa completa.

Veja 10 pontos que você precisa saber sobre as mundanças climáticas:

2019 foi o ano mais quente já registrado no Brasil

2019 foi o ano mais quente já registrado no Brasil

O ano de 2019 foi o mais quente já registrado no país, com uma média de temperatura máxima (diurna) de 31,05 graus Celsius, de acordo com dados divulgados em fevereiro pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), órgão do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que acompanha a variação diária da temperatura no país desde o final do século XIX. O ano de 2015 foi o segundo mais quente, com 31,02 oC. A média da temperatura mínima também foi a mais alta em 2019, 20,04 oC, depois de 2015, com 19,93 oC.

O Brasil segue a tendência mundial, principalmente no inverno, com pequenas diferenças. Em janeiro de 2020, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) anunciou que 2016 foi o ano mais quente na média global e 2019 foi o segundo mais quente desde 1850, quando as medições começaram a ser feitas.

“A circulação atmosférica no Brasil em parte compensou a variação do clima verificada em outros países”, comenta o meteorologista Marcelo Schneider, do Inmet de São Paulo. Segundo ele, a variabilidade natural do clima, o aquecimento global e a ação humana, com a maior emissão de gases do efeito estufa, principalmente o dióxido de carbono (CO2) e o metano (CH4), a expansão urbana e agrícola e o desmatamento, são as principais razões da contínua elevação de temperatura no país e no mundo. “Somente o El Niño [aquecimento das águas do Pacífico equatorial] não explica sozinho o aumento da temperatura em 2019, porque no Brasil seu efeito foi fraco e limitado aos meses de maio a julho.”

O instituto mantém uma rede de 573 estações meteorológicas automáticas e 208 convencionais, nas quais as informações são coletadas periodicamente, para registro de temperatura e umidade relativa do ar, pressão atmosférica, pluviosidade, radiação solar e direção e velocidade do vento em 769 cidades brasileiras e quatro do Uruguai.

Entre as cidades monitoradas, Poxoréu, a sudeste de Mato Grosso, destacou-se com as temperaturas mais altas no país nos últimos anos. Em 2019, os termômetros chegaram a 43,5 oC em 17 de julho e 43 oC três dias antes; neste ano, a cidade com o segundo maior registro de temperatura foi Peixe, ao sul do estado de Tocantins, com 43,2 oC em 13 de julho.

Ao lado de Cuiabá, Poxoréu foi a cidade com a temperatura mais alta também em 2018, com 41 oC em 12 de julho daquele ano, e a segunda em 2017, com 43 oC em 13 de outubro, depois de Nova Xavantina, a leste de Mato Grosso, que registrou 43,9 oC em 16 de outubro de 2017, de acordo com as estações do Inmet. Essa região apresenta o chamado efeito da continentalidade: sem a brisa do mar, por estar distante do litoral, as temperaturas são altas na maior parte do ano, apesar das chuvas de verão.

“A temperatura média do Brasil está aumentando ano a ano”, comenta a meteorologista Márcia Seabra, coordenadora-geral do Inmet. O mapa de temperatura média do Brasil em 2019 mostra as áreas com temperaturas mais altas em vermelho, no norte das regiões Norte e Nordeste, e as mais baixas em azul, concentradas no sul do país. Desde 1961, as áreas vermelhas se expandiram e as azuis se retraíram. Do mesmo modo, as anomalias – variações acima ou abaixo da média de um lugar – também se acentuaram ao longo das últimas décadas.

“As temperaturas média, máxima e mínima no Brasil são sempre maiores nos anos mais recentes, principalmente a partir de 2010”, observa o meteorologista Tércio Ambrizzi, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP). “Do ponto de vista da temperatura é evidente que a atmosfera está aquecendo, já que tanto a temperatura mínima, registrada durante a madrugada, quanto a máxima, medida durante o dia e dependente da cobertura de nuvens, estão mais altas nos últimos anos.”

Fonte: Revista Fapesp

93% dos brasileiros acreditam nas mudanças climáticas

A pesquisa “Realismo climático no Brasil” idealizada e desenvolvida pelo instituto Market Analysis revela que há quase unanimidade na opinião pública dos brasileiros: 93% acredita que o aquecimento é um problema, não uma ficção; que ele deriva das atividades humanas e não de ciclos naturais (90%); e que está vinculado às mudanças climáticas em vigor (84%).

Essas leituras indicam um grau de realismo climático bastante alto entre os brasileiros, apenas moderado pela convicção de que ainda há tempo e espaço para ajustes que permitam evitar uma tragédia global.

Veja mais dados da pesquisa aqui.