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Neste Dia Mundial da Saúde pouco se tem a celebrar. A pandemia que desencadeou tragédias globais, também escancarou as desigualdades locais e o descaso com a saúde e a vida, que estão a cada dia mais ameaçadas por governos, instituições e interesses que negam a ciência e a urgente necessidade de transição para uma sociedade mais justa e sustentável.

A exploração de combustíveis fósseis continua indo na contramão dos fatos, matando milhares a cada ano e ameaçando todo tipo de vida. Neste artigo, a ciência prevalece. Reunimos uma série de estudos que apontam os graves riscos à saúde e à vida causados pela exploração de petróleo, gás e carvão.

À medida que o mundo tenta – ainda com muita resistência – fazer a transição para tecnologias que emitem menos poluição para gerar eletricidade e abastecer veículos, especialistas tentam estimar o custo da queima de combustíveis fósseis para a sociedade. E ele é alto.

Há alguns dias, um economista da Universidade de Yale divulgou um estudo inédito apontando que empresas produtoras de carvão, gás natural e combustível para motores obtêm ‘benefícios implícitos’ no valor de dezenas de bilhões de dólares por ano por não terem que pagar pelos danos que a exploração destes combustíveis causa ao clima e à saúde humana.

De acordo com um relatório publicado pelo Centre for Research on Energy and Clean Air – um centro de pesquisa sobre poluição e respetivos impactos – estima-se que a poluição por combustível fóssil ainda foi responsável por 1,8 bilhões de dias de ausência ao trabalho, 4 milhões de novos casos de asma infantil e 2 milhões de nascimentos prematuros, entre outros impactos à saúde que afetam os custos de saúde, a produtividade econômica e o bem-estar.

Em um artigo publicado na semana passada na Cardiovascular Research – revista internacional da Sociedade Europeia de Cardiologia -, a equipe de pesquisadores europeus destaca o número de mortes causadas pela poluição do ar a cada ano. Quase 8,8 milhões de pessoas morrem anualmente devido a essa qualidade do ar reduzida, o que pode causar doenças cardíacas, câncer de pulmão e infecções respiratórias mais leves.

Confirmando os mesmos dados, a revista científica Environmental Research apontou que a poluição causada por combustíveis fósseis foi responsável por mais de 8 milhões de mortes prematuras no mundo em 2018, ou seja, 20% dos adultos falecidos.

A realidade de regiões com minas de carvão

Na região do Appalachia, no Estados Unidos, mais de milhares de mineiros estão morrendo de um estágio avançado da doença conhecida como pulmão negro. A pneumoconiose, atinge os trabalhadores do carvão, com a inalação de poeira de minas de carvão.

Outros milhares de mineiros de carvão morrem de silicose após inalar minúsculas partículas de silício em minas. E as comunidades onde o petróleo e o gás são extraídos estão expostas à poluição da água e do ar que põe em risco sua saúde, aumentando o risco de certos tipos de câncer na infância.

Mesmo morar perto de minas de carvão ou usinas de energia movidas a carvão é um perigo para a saúde.

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Uma equipe de cientistas de saúde de Harvard estimou que 53 mortes prematuras por ano, 570 visitas ao pronto-socorro e 14.000 ataques de asma por ano podem ser atribuídos à poluição de uma usina a carvão em Salem, Massachusetts, um dos locais que estudados.

Além do mais, as pessoas que moravam em um raio de 1.5km da usina a carvão, que foi substituída por uma usina a gás natural em 2018, tinham duas a cinco vezes mais chances de ter problemas respiratórios e outras doenças do que aquelas que moram mais longe.

Vale destacar que esta mesma usina queimava carvão importado de La Guajira, na Colômbia, extraído de Cerrejón, uma das maiores minas de carvão a céu aberto do mundo. Essa mesma mina deslocou milhares de indígenas por meio de força física, coerção e contaminação de terras agrícolas e água potável.

Gás natural e o fracking seguem a cadeia de problemas

À medida que as usinas de carvão são fechadas, mais gás natural é queimado. O que está longe de ser uma fonte de energia limpa e segura.

Primeiro, o metano e outros gases do efeito estufa que vazam dos gasodutos de gás natural e outras infraestruturas significam que o uso do gás polui e contribui com o aquecimento global quase tanto quanto o carvão.

Em segundo lugar, o fracking – ou fraturamento hidráulico – e outros métodos não convencionais de extração de gás e petróleo estão introduzindo novos perigos. Há evidências crescentes de que morar perto de locais de fracking causa várias complicações de saúde pública, incluindo: aumento do risco de defeitos congênitos, câncer, asma e outras doenças respiratórias, terremotos e outros inúmeros problemas de saúde.

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Muitos dos habitantes da Pensilvânia – uma das regiões mais impactadas pelo fracking no EUA – têm se manifestado temendo por sua saúde devido à exposição aos produtos químicos e tóxicos usados ​​no fraturamento hidráulico. Outra pesquisa indica que morar perto de poços de gás fraturados pode aumentar a probabilidade de problemas respiratórios e de pele.

Em todas as fases, as operações de gás natural podem poluir a água, o ar e a terra.

Petróleo, perigos e consequências

Não é nenhuma novidade que a extração de petróleo, seja por perfuração tradicional ou fracking, é perigosa.

O Delta do Níger, sul na Nigéria, se tornou um exemplo catastrófico dessa realidade. Após décadas de derramamentos de óleo, é considerado um dos lugares mais poluídos do planeta.
Além da devastação ambiental de grandes derramamentos, como o que presenciamos na costa do Nordeste há quase 2 anos, esses vazamentos podem causar poluição e sérios riscos à saúde.

Uma análise da Fiocruz apontou que, diante do vazamento de petróleo “a contaminação pelas substâncias tóxicas pode ocorrer por sua ingestão, inalação ou absorção pela pele”.

A exposição a esses produtos poderá provocar irritações na pele, rash cutâneo, queimação e inchaço; sintomas respiratórios, cefaleia e náusea; dores abdominais, vômito e diarreia. O efeito mais temido de longo prazo é a ocorrência de câncer, em especial alguns tipos de leucemia”.

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