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Carvão X energia solar: quem gera mais emprego?

Enquanto o carvão gera 370 empregos, a energia fotovoltáica pode gerar de 29 mil a 107 mil empregos

O estado do Rio Grande do Sul, como muitos estados brasileiros, vive uma das mais graves crises financeiras da história. Em momentos como o que vivem os gaúchos, alguns empreendimentos surgem como tábuas de salvação para a economia local e a geração de emprego e renda. Cifras vultosas, muitas, escondem grandes riscos e erros. É o caso da Mina Guaíba, um projeto que promete criar a maior mina a céu aberto de exploração de carvão mineral do Brasil.

Segundo a Copelmi, a maior mineradora privada de carvão no País e que lidera o projeto Mina Guaíba,“trata-se de um projeto estratégico para o Estado do Rio Grande do Sul, visto que nosso Estado tem forte dependência da importação de energia gerada em outras regiões do País, fato que interfere diretamente no desenvolvimento econômico, social e tecnológico da nossa região Sul.

O projeto apresentado pela Copelmi fala em investimentos da ordem de R$ 4,4 bilhões e promete gerar, durante a implantação do empreendimento, 331 empregos diretos e 83 empregos indiretos ao longo dos três anos da obra. Ou seja: 414 empregos.

A Mina Guaíba, localizada nos municípios de Charqueadas e Eldorado do Sul, teria uma área de mais de 4 mil hectares, ou seja, 4.373 campos de futebol. Toda essa área explorada para gerar 414 empregos.

Agora vejamos uma comparação simples entre os empregos gerados pela mineração do carvão e os empregos gerados por energias renováveis. Segundo o Délcio Rodrigues e Roberto Matajs:

Fonte Postos de trabalho anuais por Terawaat-hora
Nuclear 75
PCHs 120
Gás natural 250
Hidroeletricidade 250
Petróleo 260
Petróleo Offshore 265
Carvão 370
Lenha 733 – 1.067
Eólica 918 – 2.400
Álcool 3.711 – 5.392
Solar (fotovoltaica) 29.580 – 107.000

Na contra-mão do Rio Grande do Sul, especialistas apontam que até 2030, as fontes de energia limpa devem substituir as fósseis. As projeções já apontam até mesmo quando as fontes renováveis se tornarão mais baratas. Ainda assim, em outubro de 2017, a Assembleia Legislativa gaúcha aprovou a Lei 15.047/2017, que cria a Política Estadual do Carvão Mineral e institui o Polo Carboquímico do Rio Grande do Sul. A lei inclui, claro, isenção fiscal.

O Rio Grande do Sul tem uma escolha a fazer: incentivar o desenvolvimento sócio-econômico a partir de uma matriz energética limpa (que gera de 29.580 – 107.000 empregos postos de trabalho anuais por Terawaat-hora), ou a partir do carvão (que foi o grande motor energético da Revolução Industrial no século 18).

É preciso pensar estrategicamente em todos os aspectos que envolvem a geração de energia. A geração de emprego é um desses aspectos. Quantos empregos podem ser gerados? Qual a qualidade dos empregos que cada setor gera? Nos EUA, por exemplo, a geração de emprego no setor de energia limpa cresceu 12 vezes do que a economia norte-americana em 2017. Aqui no Brasil, o mesmo setor gerou, de 2012 a 2018, 72 mil empregos diretos. Em 2019, serão mais de 37 mil novos empregos, totalizando 109 mil empregos diretos.

Especificamente no Rio Grande do Sul, investindo metade do valor que promete investir a Copelmi, o Consórcio Chimarrão, formado pela empresa de origem espanhola Cymi Construções e Participações e pelo Brasil Energia Fundo de Investimentos, da Brookfield, anunciou que vai antecipar em quase dois anos o cronograma dos R$ 2,4 bilhões de investimentos em estruturas de transmissão de energia eólica no Estado. As informações são do Governo do Estado. Serão 1,2 mil quilômetros de linhas de transmissão e duas novas subestações e 6.088 empregos diretos.

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