+55 (41) 9 8445 0000 arayara@arayara.org

Além da Impunidade: COP30 Debate Responsabilidade Estatal e Reparação Climática na Amazônia

A crise climática na Amazônia não é apenas uma questão de desmatamento, mas um resultado direto da impunidade empresarial e da omissão estatal frente à expansão extrativista. O evento “Responsabilidades de los Estados frente a la impunidad de las empresas para garantizar un clima seguro y una transición justa fuera de fósiles y con justas reparaciones para países amazónicos”, realizado na quarta-feira, 19 de novembro, no ARAYARA Amazon Climate Hub, confrontou essas questões.

Promovido pela Dejusticia, Centro de Información de Empresas y Derechos Humanos (CIEDH) e Fundação Heinrich Böll (Oficina Bogotá), o painel discutiu como as obrigações estatais, à luz das Cortes Internacionais, devem guiar uma transição energética justa, que promova reparações e valorize os saberes bioculturais.

Arte, Percepção e Escala da Amazônia

O debate teve como ponto de partida uma reflexão sobre a percepção da Amazônia, utilizando fotografias de Sebastião Salgado. A exibição de imagens como rios que serpenteiam a floresta serviu como provocação à ideia de um lugar “exótico, intocado, sem habitação” – uma noção comum que muitos trouxeram para a COP e que não corresponde à realidade de uma Amazônia rica em culturas e intervenção humana.

A fotografia, nesse contexto, foi colocada como uma ferramenta para gerar consciência ecológica e promover novas formas de relação com a natureza. A discussão levantou a questão da escala do poder na Amazônia: a vastidão da floresta faz com que a atuação de uma grande empresa pareça “apenas um grão de areia”, mas ela detém o poder de decidir sobre esses territórios.

Outra imagem, a dos incêndios e das nuvens, trouxe para o debate a importância dos rios voadores, responsáveis pela precipitação em outras regiões, como a Colômbia.

“Não podemos separar natureza de cultura”, argumentou um dos painelistas, destacando que “quando se perde um idioma, assim como se perde uma planta, se perde uma forma de ver o mundo, e isso está diretamente ligado a como vemos as trocas entre culturas, e o clima”.

O painel sugeriu que para sermos mais biodiversos e interculturais, precisamos de mais arte, mais diversidade de visões de mundo.

A Responsabilidade do Estado e a Impunidade Empresarial

No cerne do debate estava a questão da responsabilidade estatal diante dos chamados delitos climáticos, que se agravam com a degradação ambiental e a violação de direitos humanos em territórios amazônicos.

Os palestrantes provocaram o público a questionar: quais são os deveres dos Estados diante da destruição causada por empresas em ecossistemas amazônicos e territórios indígenas?

A análise buscou subsídio nas recentes decisões da Corte Interamericana de Direitos Humanos e nas manifestações da Corte Internacional de Justiça da ONU, que trazem novas esperanças e ferramentas para avançar na responsabilização, mesmo diante de uma “onda de negacionismo climático”.

A conclusão foi que a persistente impunidade empresarial e a omissão dos Estados potencializam os impactos da crise. Por isso, a COP30 precisa avançar na construção de uma transição energética justa e descarbonizada que não seja apenas técnica. É importante que as decisões sejam orientadas pelos saberes bioculturais e pela justiça socioambiental, fortalecendo o protagonismo dos países amazônicos na definição de suas próprias políticas de clima e direitos.

Foto: Odaraê Filmes

Compartilhe

Share on whatsapp
WhatsApp
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn

Enviar Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Redes Sociais

Posts Recentes

Receba as atualizações mais recentes

Faça parte da nossa rede

Sem spam, notificações apenas sobre novidades, campanhas, atualizações.

Leia também

Posts relacionados

ARAYARA na Mídia: Roteiro brasileiro para fim dos combustíveis fósseis começa a sair do papel

Lula dá 60 dias para os ministérios do Meio Ambiente, Fazenda e Minas e Energia, e Casa Civil apresentarem as diretrizes para a transição energética justa, mas condiciona financiamento à exploração de petróleo e gás O despacho publicado ontem no Diário Oficial da União onde o presidente Lula convoca os ministérios de Minas e Energia, Fazenda e Meio Ambiente e mais a

Leia Mais »

ARAYARA na Mídia: Direitos humanos e violência política são temas de roda de conversa nesta quarta (10)

A atividade realizada no Dia Internacional dos Direitos Humanos, acontece na sede da Sociedade Protetora dos Desvalidos (SPD) Nesta quarta-feira, 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos, roda de conversa sobre Direitos Humanos e Violência Política, acontece às 9h, na Sociedade Protetora dos Desvalidos (SPD), no Pelourinho. O encontro, iniciativa da vereadora Eliete Paraguassu (PSOL), tem como objetivo fortalecer a

Leia Mais »

ARAYARA na Mídia: STJ:audiência pública discute fracking e impactos ambientais na exploração de gás de xisto

Por Gabriela da Cunha Rio, 8/12/2025 – O Superior Tribunal de Justiça (STJ) analisará nesta quinta-feira, 11, a possibilidade de uso do fraturamento hidráulico (fracking) na exploração de óleo e gás de xisto, durante audiência pública convocada pela Primeira Seção sob relatoria do ministro Afrânio Vilela. No primeiro bloco, apresentarão argumentos o Ministério Público Federal, a Agência Nacional do Petróleo,

Leia Mais »

ARAYARA na Mídia: After COP30, Brazilian oil continues its rush towards the global market

A decision to drill at the mouth of the Amazon drew criticism at the UN summit. But Brazil’s oil production still soars, as it hopes to consolidate its role as an exporter decision to approve oil exploration off the coast of Brazil weeks before the country hosted the COP30 climate conference signals the country’s intention to increasingly target the international market, despite

Leia Mais »