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Líderes do FFF planejam ações com Arayara e 350.org

Líderes do FFF planejam ações com Arayara e 350.org

Na tarde desta quinta-feira, 23, em Porto Alegre, os líderes do movimento Fridays For Future da capital gaúcha estiveram na sede do Instituto Arayara e 350.org no Rio Grande do Sul. Os jovens Amália Garcez, Elisa Fink e Pietro Bottega vem liderando no RS o movimento da greve pelo clima.

Eles foram recebidos pela líder indígena Andréia Takua, coordenadora do Programa 350 Indígena e Presidente do Conselho Nacional de Saúde Indígena do Brasil, e Renan Andrade, coordenador do programa Fé, Paz e Clima.

“Somos apoiadores do FFF no mundo todo e queremos que o movimento cresça de forma autônoma e legítima. Nosso papel é fortalecer e dar protagonismo a esse movimento aqui no Rio Grande do Sul. Nesse sentido, estamos organizando algumas ações com os líderes e queremos contribuir para o crescimento do movimento”, disse Andrade.

Oil Toys

Amália, Elisa e Pietro aderiram à campanha #OilToys, lançada em 2019 pela Arayara, 350.org e produzida pela agência INNOCEAN. A campanha apela para o humor ácido para pedir o vazamento de óleo que atingiu a costa brasileira não caia no esquecimento.

Em documento, Dmae cogita desistir de projeto de captação de água no Jacuí em razão da Mina Guaíba

Em documento, Dmae cogita desistir de projeto de captação de água no Jacuí em razão da Mina Guaíba

Departamento Municipal de Água e Esgoto de Porto Alegre cita “alertas de preocupação com possível prejuízo à qualidade” do líquido após instalação de polo carboquímico

Um documento enviado pelo Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) de Porto Alegre para o Ministério Público Estadual (MP-RS) em 2019 revela que o órgão cogita desistir de um antigo plano que prevê a instalação de um ponto de captação no Rio Jacuí em busca de água mais limpa do que a disponível no Guaíba para abastecer a Capital. O motivo para a mudança de planos, conforme o ofício número 103/2019, são “alertas de preocupação com possível prejuízo à qualidade das águas” do Jacuí em razão da eventual abertura da Mina Guaíba às margens.

O relatório compila informações de uma análise técnica realizada pelo órgão municipal em 2016. Até agora, por razão desconhecida, apenas parte daquela antiga avaliação havia sido remetida para a promotora de Defesa do Meio Ambiente de Porto Alegre, Ana Marchesan. A versão parcial trazia somente uma análise feita pela Gerência Ambiental e de Tratamento de Esgoto do Dmae, e não identificava grandes problemas na escavação da mina. O texto concluía que “cumpridos os padrões ambientais indicados nas normas, bem como o preconizado nos volumes do EIA (Estudo de Impacto Ambiental), espera-se mínimo impacto à qualidade das águas brutas que ingressarão no Delta do Rio Jacuí”.

Mas o documento completo, remetido apenas no dia 21 de agosto de 2019 com assinatura do atual diretor-presidente, Darcy Nunes dos Santos, inclui pareceres de outras diretorias como Tratamento e Meio Ambiente, Planejamento e Desenvolvimento. As análises são menos otimistas em relação às possíveis consequências da exploração do mineral. O compilado atesta: “Em resumo das manifestações técnicas do Dmae acerca da instalação da Mina Guaíba, há reiterados alertas de preocupação com possível prejuízo à qualidade das águas do Rio Jacuí para captação visando ao abastecimento dos sistemas Moinhos de Vento e São João de Porto Alegre”.

Essa preocupação vem do fato de que o Plano Municipal de Saneamento Básico prevê a instalação de um novo ponto de captação de água para a cidade em um local do Jacuí próximo ao chamado Saco Assombrado, não muito longe da Ilha Grande dos Marinheiros, entre 2031 e 2035.

O líquido captado nesta área, a fim de reforçar o abastecimento na cidade, seria enviado para os sistemas de distribuição Moinhos de Vento e São João, que atendem a 50 bairros onde vivem cerca de 745 mil pessoas (aproximadamente metade da população da Capital). Assim, um eventual acidente que comprometesse a qualidade da água do Jacuí afetaria o novo ponto de captação para Porto Alegre e boa parte da rede municipal.

O relatório prossegue: “Há também manifesta preocupação com a qualidade da água disponível para a Estação de Tratamento de Água existente na Ilha da Pintada, que atende aproximadamente 8.500 habitantes em Eldorado do Sul, Ilha da Pintada, Ilha das Flores, Ilha Grande dos Marinheiros e Ilha do Pavão”.

Como resultado desses riscos, o Dmae informou ao Ministério Público existir “grande possibilidade” de que a instalação de um novo ponto de captação no Jacuí seja eliminado nas próximas revisões do Plano de Saneamento. Nesse caso, o Dmae teria de buscar alternativa para garantir a segurança e a qualidade do abastecimento no município.

GaúchaZH solicitou uma entrevista sobre o assunto à direção do Dmae, mas o pedido foi recusado. O gabinete do prefeito Nelson Marchezan informou que a prefeitura de Porto Alegre só se manifestará a respeito após deliberar sobre o projeto da mina de forma conjunta com diferentes secretarias.

Fonte: GaúchaZH
Foto: Joel Vargas / PMPA