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Festival Amazônia Terra Preta discute impactos da exploração de petróleo sobre a pesca

Durante o Festival Amazônia Terra Preta, realizado no fim de semana em Macapá (AP), a oceanógrafa e pesquisadora do Instituto Internacional ARAYARA, Kerlem Carvalho, participou do painel “Sistemas Alimentares e Clima: Desafios das Terras e das Águas”.

O evento, promovido pelo Instituto Mapinguari, reuniu especialistas, lideranças comunitárias e representantes do setor ambiental para discutir os impactos das mudanças climáticas e dos grandes empreendimentos sobre a produção de alimentos na região amazônica.

Carvalho apresentou os resultados do estudo “Impactos do Avanço do Petróleo na Pesca da Costa Amazônica”, alertando para os riscos trazidos pela expansão da indústria de petróleo e gás sobre áreas pesqueiras estratégicas. “Um dos pontos de maior preocupação é o leilão de 47 blocos de petróleo na Bacia Foz do Amazonas, previsto para 17 de junho, que segue em trâmite apesar de recomendações do Ministério Público Federal pela sua suspensão devido aos riscos socioambientais envolvidos”, alertou Carvalho.

A pesquisadora também apresentou as ferramentas desenvolvidas pela ARAYARA para monitoramento em tempo real da atividade petrolífera: o Monitor Amazônia Livre de Petróleo e Gás, que acompanha os blocos exploratórios em toda a Pan-Amazônia, e o Monitor Oceano, voltado para o monitoramento da exploração offshore na costa brasileira. Segundo ela, essas plataformas visam ampliar a transparência, o acesso à informação e o engajamento da sociedade civil.

Políticas públicas e mudanças climáticas

Hannah Balieiro, diretora executiva do Instituto Mapinguari, destacou a relevância da agenda de negociações sobre agricultura e sistemas alimentares, a única temática setorial incluída nas discussões climáticas das COPs. “É fundamental que essa pauta seja debatida em conjunto com outras questões econômicas. Grandes empreendimentos impactam diretamente essa cadeia, que por natureza já é altamente sensível às variações de temperatura causadas pelas emergências climáticas — e que influenciam de forma direta o cotidiano das pessoas.”

O painel reforçou a urgência de políticas públicas que protejam os territórios e assegurem a participação efetiva das comunidades tradicionais nos processos decisórios, além da promoção de alternativas econômicas sustentáveis diante do agravamento das crises climáticas. A participação da ARAYARA reforça seu compromisso com a justiça socioambiental, a preservação dos ecossistemas e a segurança alimentar das populações amazônidas.

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