+55 (41) 9 8445 0000 arayara@arayara.org

ARAYARA na Mídia: Leilão de capacidade reacende críticas sobre lobby do carvão e riscos ambientais

MME reabre consulta pública em meio a denúncias de favorecimento à UTE Candiota III

Ministério de Minas e Energia (MME) reabriu em 22 de agosto de 2025 a consulta pública para o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) 2026, por meio da Portaria nº 859/2025. A medida prevê a contratação de potência elétrica a partir de termelétricas movidas a gás natural, carvão mineral e óleo diesel, além de expansões em hidrelétricas. Entretanto, especialistas e ambientalistas apontam que a decisão pode favorecer diretamente a Usina Termelétrica Candiota III, localizada no Rio Grande do Sul, alvo de multas ambientais superiores a R$ 200 milhões, conforme o Ibama, além de investigações do Ministério Público Federal (MPF). Inclusive, a usina teve sua licença de operação suspensa judicialmente em 22 de agosto de 2025.

Pressão ambiental e denúncias de lobby político

De acordo com a ARAYARA, a UTE Candiota III tem sido beneficiada por “jabutis” legislativos — dispositivos inseridos em Projetos de Lei para assegurar a manutenção de subsídios públicos. Apenas entre junho e julho de 2025, a Âmbar Energia, controlada pelo grupo J&F Investimentos, recebeu R$ 26 milhões da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). O valor foi destinado à Companhia Riograndense de Mineração (CRM) para compra de carvão mineral, sendo pago diretamente pelos consumidores brasileiros.

  • Subsídios milionários: garantem a sobrevivência da usina.
  • Energia de baixa eficiência: com elevada emissão de gases poluentes.
  • Mercado spot e exportação: parte da geração pode não atender a demanda nacional.

Esse modelo, conforme a entidade, torna a operação da usina altamente dependente de recursos públicos, gerando energia cara, poluente e ineficiente.

— ARTIGO CONTINUA ABAIXO —

Veja também

Impactos climáticos e econômicos ampliados

LRCAP 2025, apelidado de “Leilão das Emissões”, chegou a ser cancelado após disputas judiciais, pois previa a contratação em larga escala de usinas a gás fóssil. Estudos estimaram emissões potenciais de até 1,11 gigatoneladas de CO₂ até 2050. Agora, a versão 2026 vai além, incluindo carvão mineral e óleo diesel, o que amplia ainda mais os riscos ambientais.

Conforme declarou Luiz Barata, presidente da Frente Nacional dos Consumidores de Energia, insistir em termelétricas fósseis significa colocar em risco os compromissos climáticos do Brasil e, ao mesmo tempo, onerar consumidores que pagam por energia mesmo sem utilização efetiva.

Contexto internacional e críticas às vésperas da COP30

A decisão do governo ocorre em momento crítico, uma vez que o Brasil se prepara para sediar a COP30 em Belém, em novembro de 2025. Para a ARAYARA, a medida simboliza um retrocesso na transição energética, prejudicando a imagem internacional do país.

Segundo Juliano Bueno, diretor técnico da entidade, o cenário representa “a transição energética dos combustíveis fósseis para os combustíveis fósseis”, o que reforça a dependência de fontes poluentes. Ele destaca que os custos ambientais e sociais serão pagos pelo meio ambiente, pelos consumidores e pelas cidades brasileiras cada vez mais afetadas por eventos climáticos extremos.

Principais pontos em destaque

  • Portaria nº 859/2025 do MME reabre o LRCAP 2026 em 22 de agosto de 2025.
  • UTE Candiota III acumula R$ 200 milhões em multas ambientais, segundo o Ibama, e está sob investigação do MPF.
  • Âmbar Energia (J&F Investimentos) recebeu R$ 26 milhões da CDE em apenas dois meses de 2025.
  • O modelo garante subsídios milionários a uma usina considerada ineficiente e poluente.
  • O leilão pode comprometer os compromissos climáticos internacionais e gerar mais custos para os consumidores.
  • Críticas ganham força às vésperas da COP30 em Belém.

Reflexos para o futuro do setor elétrico

Portanto, a polêmica em torno do LRCAP 2026 evidencia um choque entre a necessidade de segurança energética e as metas de sustentabilidade climática assumidas pelo Brasil. Assim, enquanto subsídios continuam a sustentar a geração a carvão, cresce a pressão de ambientalistas e especialistas para que o país invista em fontes renováveis e limpas, evitando riscos de retrocesso na política energética nacional.

Diante disso, a disputa entre interesses políticos, econômicos e ambientais deve intensificar o debate sobre o futuro da matriz elétrica brasileira nos próximos meses. Afinal, será que o país conseguirá conciliar desenvolvimento energético com seus compromissos climáticos globais?

Fonte: Click Petróleo e Gás

Foto: Reprodução/Click Petróleo e Gás

Compartilhe

Share on whatsapp
WhatsApp
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn

Enviar Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Redes Sociais

Posts Recentes

Receba as atualizações mais recentes

Faça parte da nossa rede

Sem spam, notificações apenas sobre novidades, campanhas, atualizações.

Leia também

Posts relacionados

ARAYARA aponta falhas e pede indeferimento do licenciamento da Usina Termelétrica São Paulo

Instituto protocola análise técnica no IBAMA em resposta a questionamentos do Ministério Público Federal e reforça inconsistências nos estudos apresentados pelo empreendedor O Instituto Internacional ARAYARA protocolou, nesta terça-feira (26/08), uma análise técnica detalhada sobre o processo de licenciamento da Usina Termelétrica São Paulo (UTE-SP). O documento foi incluído no Sistema Eletrônico de Informações (SEI) do IBAMA em resposta ao

Leia Mais »

ARAYARA na Mídia: Em ano de COP no Brasil, governo lança edital para contratar termelétricas a carvão

Ministério de Minas e Energia (MME) abre consultas públicas que preveem a contratação de termelétricas fósseis, consideradas as mais poluentes. Anúncio marca a volta do carvão à agenda de leilões de energia no Brasil após 11 anos Faltando 76 dias para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém (PA), o governo federal reacendeu uma polêmica no

Leia Mais »

Desafios da Transição Energética Justa é tema de palestra em Semana Acadêmica da UFSC

Evento integrou a Semana Acadêmica de Engenharia Ambiental da UFSC e trouxe reflexões sobre o PL da Devastação, os riscos da Licença Ambiental Especial e as dificuldades da política energética em Santa Catarina. O desafio da transição energética justa diante do recém-sancionado PL da Devastação (a Nova Lei de Licenciamento Ambiental, Nº 15.190, de 08/08/2025) foi tema da palestra do

Leia Mais »

Evento sobre litigância climática para transição energética justa fortalece alianças e estratégias jurídicas coletivas

Organizações, juristas e movimentos sociais se reuniram na PUC-Rio em encontro nacional para discutir caminhos jurídicos e políticos diante do avanço dos combustíveis fósseis e da crise climática. Nos dias 25 e 26 de agosto de 2025, a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) sediou o Encontro Nacional sobre Litigância Climática para a Transição Energética Justa e o

Leia Mais »