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ARAYARA na Mídia: Investimento de bilhões em projetos verdes no Nordeste reacende alerta por justiça socioambiental

Debate no Amazon Climate Hub expõe contradições e caminhos para uma transição energética justa

 

Durante a COP30, que será realizada em Belém (PA) em novembro de 2025, a Casa Arayara — Amazon Climate Hub, se consolida como um dos principais polos de mobilização e debate socioambiental fora das salas oficiais de negociação. No espaço, que funcionará como uma casa de convergência de organizações, coletivos e movimentos do Brasil e do mundo, acontecerá o encontro “Desafios Socioambientais + A Voz do Nordeste Brasileiro na Transição Energética Justa”.

 

Estarão reunidos especialistas, representantes de movimentos sociais, sindicatos e lideranças comunitárias para discutir a transição energética e as contradições envolvidas nesse processo. Estão confirmados participantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT); do Observatório da Mineração; da Comissão Pastoral dos Pescadores e Pescadoras (CPP), da Associação Mãe da Reserva Extrativista do Delta do Parnaíba; do Instituto Terramar e do Movimento das Atingidas e dos Atingidos pelas Renováveis (MAR).

 

O Nordeste brasileiro, epicentro de grandes investimentos em energia eólica, solar e em projetos de hidrogênio verde, será o foco principal das discussões. Um dos exemplos é o Ceará. O governo e a Federação das Indústrias estimam que até 2031 o Estado receba investimentos em torno de R$200 bilhões em projetos verdes e de renováveis. No Piauí, foram anunciados R$20 bilhões em projetos de hidrogênio verde, parques renováveis e data centers; em Pernambuco, R$19 bilhões em projetos ligados à área portuária de Suape; na Bahia, a implantação de datas center em Igaporã e Caetité podem receber recursos da ordem de R$900 milhões.

 

Embora seja apontada como região estratégica para a descarbonização da economia, o avanço desses empreendimentos tem reproduzido, segundo as organizações, novas violações de direitos humanos e impactos socioambientais — desde a expulsão de comunidades tradicionais até a apropriação indevida de territórios. Grandes projetos exigem infraestrutura , como redes de transmissão elétrica, portos, logística, concessões, licenciamento e uso de grandes volumes de água, brechas que se tornam porta de entrada para os impactos adversos em territórios vulneráveis.

O painel, que acontece dia 14 de novembro, é promovido pelos Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) e Instituto Filha do Sol, também apresentará um balanço da Cúpula dos Povos rumo à COP30, iniciativa que, nos últimos anos, mobilizou dezenas de entidades. A partir de casos concretos — como os impactos da instalação de data centers e de usinas de hidrogênio verde no Ceará e no Piauí —, o debate colocará em xeque o discurso de sustentabilidade que tem acompanhado projetos empresariais de larga escala. A proposta é apontar caminhos para uma transição realmente justa, popular e inclusiva, que proteja territórios e promova soberania energética, ambiental e social.

 

Mais informações: https://amazonclimatehub.org/

Fonte: Revista NE

Foto: Reprodução / Revista NE

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