+55 (41) 9 8445 0000 arayara@arayara.org

“Ambientalistas estão de luto”, diz diretor da ARAYARA sobre licença concedida à Petrobras para explorar a Foz do Amazonas

Nesta terça-feira (21), o Instituto Internacional ARAYARA participou do seminário promovido pela Frente Parlamentar Ambientalista e pelo Observatório do Clima — rede da qual é integrante — na Câmara dos Deputados. O debate expôs as contradições da atual política energética e ambiental do Brasil em um momento decisivo, com o país se preparando para sediar a COP30 em Belém.

Durante o debate, o diretor da ARAYARA e conselheiro do Conama, Juliano Bueno de Araújo, criticou a recente licença concedida pelo Ibama à Petrobras para perfuração de um poço de petróleo na foz do rio Amazonas. Segundo ele, a medida “fere a coerência climática do país, aprofunda a dependência do petróleo e contribui para o caos climático”.

Juliano lembrou que a Petrobras já responde por 29% da expansão de combustíveis fósseis na América Latina, consolidando-se, nas palavras dele, como a “líder da não-transição energética” na região.

O especialista também apontou outros retrocessos recentes, como o subsídio de R$ 50 bilhões à queima de carvão mineral e o último leilão de blocos do pré-sal, que aconteceu ontem (22) no Rio de Janeiro e teve cinco blocos arrematados (dos sete blocos ofertados). “Os ambientalistas estão de luto. Estamos nos tornando o quarto maior exportador de CO₂ e metano do mundo”, afirmou.

Alerta para retrocessos no licenciamento ambiental

A ARAYARA reforçou ainda a preocupação com a possível derrubada dos vetos presidenciais à nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental, o que poderia fragilizar ainda mais a proteção ambiental no país. A coordenadora de políticas públicas do Observatório do Clima, Sueli Araújo, alertou que a flexibilização proposta representa um “licenciamento automático”, sem a devida análise técnica de impactos, ampliando o risco de desmatamento e emissões.

Atualmente, o desmatamento responde por 46% das emissões brutas de gases de efeito estufa do Brasil, segundo o Observatório do Clima.

Confira seminário

 

Desafios para a COP30

O coordenador de política internacional do Observatório do Clima, Cláudio Ângelo, criticou o atraso na entrega das NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas), metas de redução de emissões previstas no Acordo de Paris. Segundo ele, mesmo com prorrogações concedidas pela ONU, apenas 62 dos 197 países signatários apresentaram suas metas — entre eles, os maiores emissores globais.

Ângelo destacou que a COP30 será decisiva para pressionar por compromissos mais ambiciosos e coerentes com a meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C.

“A Agência Internacional de Energia já deixou claro: se levamos a sério a meta de 1,5°C, não pode haver novos projetos de petróleo, gás ou carvão a partir de 2021. Infelizmente, parece que esqueceram de dar esse recado no Palácio do Planalto”, afirmou.

Momento decisivo para o Brasil

Para o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), a COP30 representa uma oportunidade de “contestação e reflexão em meio a um cenário de profundas contradições”. Já o coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista, deputado Nilto Tatto (PT-SP), enfatizou a importância da mobilização da sociedade civil e do simbolismo de realizar a cúpula climática na Amazônia.

“A COP30 é uma chance de reafirmar o papel do Brasil na liderança climática global e de fazer valer uma agenda que enfrente de fato a crise climática com justiça social e ambiental”, defendeu.

O seminário também discutiu temas como racismo ambiental, justiça climática e restauração florestal, reforçando a necessidade de integrar direitos humanos, políticas públicas e transição energética justa.

Compartilhe

Share on whatsapp
WhatsApp
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn

Enviar Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Redes Sociais

Posts Recentes

Receba as atualizações mais recentes

Faça parte da nossa rede

Sem spam, notificações apenas sobre novidades, campanhas, atualizações.

Leia também

Posts relacionados

NA MÍDIA | Projeto da maior usina termelétrica do país é vetado pelo Ibama por falta de informações conclusivas

Usina Termelétrica São Paulo seria construída em Caçapava e era alvo de protestos de ambientalistas; Fiocruz apontava ameaças à saúde   Por Lucas Altino — Rio de Janeiro – O GLOBO   O projeto do que seria a maior usina termelétrica do país e da América latina, em Caçapava (SP), foi vetado pelo Ibama. Nesta quarta (21), o Instituto indeferiu

Leia Mais »

Instituto Internacional ARAYARA integra litigância climática no STF contra retrocesso histórico da Lei de Licenciamento Ambiental

O Instituto Internacional ARAYARA ocupa papel de protagonismo na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) protocolada no Supremo Tribunal Federal (STF) contra dispositivos centrais da Lei nº 15.190/2025, conhecida como Lei Geral do Licenciamento Ambiental, e da Lei nº 15.300/2025, que institui o chamado Licenciamento Ambiental Especial. A ação foi proposta pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e pela Articulação dos

Leia Mais »

Na defesa das usinas nucleares falta argumento, sobra mediocridade

Heitor Scalambrini Costa Professor associado aposentado da Universidade Federal de Pernambuco Zoraide Vilasboas Ativista socioambiental, integrante da Articulação Antinuclear Brasileira   Na discussão sobre se o Brasil avança na nuclearização de seu território com a conclusão de Angra 3 e constrói mais 10.000 MW de novas usinas nucleares, como propõe o Plano Nacional de Energia 2050, a mediocridade dos argumentos pró

Leia Mais »

Aviso de Convocação – Assembleia Geral Ordinária

O Instituto Internacional ARAYARA convoca os(as) associados(as) com filiação regular e quites com as taxas anuais e remidas, e que estejam em pleno gozo de seus direitos estatutários, para a Assembleia Geral Ordinária a ser realizada em formato híbrido no dia 18 de dezembro de 2025, às 18h30 em primeira chamada e às 19h00 em segunda chamada. A participação poderá

Leia Mais »