+55 (41) 9 8445 0000 arayara@arayara.org

ARAYARA na Mídia: Estudo aponta que Petrobras é responsável por 29% do crescimento do upstream na América Latina

Relatório internacional lista grandes bancos estrangeiros como financiadores de combustível fóssil na América Latina e Caribe

BRASÍLIA — A Petrobras foi apontada, em relatório sobre o “caminho do dinheiro” em empreendimentos de energia fóssil, como responsável por 29% da expansão do upstream na América Latina e Caribe entre 2022 e 2024.

A brasileira tem 7,4 bilhões de barris de óleo equivalente em desenvolvimento, um volume 3,7 vezes maior que o da segunda colocada, a norte-americana ExxonMobil.

Intitulado “o rastro do dinheiro por trás da expansão dos combustíveis fósseis na América Latina e Caribe”, o estudo aponta o Brasil como principal motor dessa expansão, sobretudo pela possibilidade do início da exploração na Margem Equatorial, dado o avanço no processo de licenciamento do poço FZA-M-59, na bacia da Foz do Amazonas.

De acordo com o relatório, empresas nacionais e internacionais estão se preparando para colocar em produção 25 bilhões de barris de petróleo equivalente na região.

A estimativa é que a queima desses recursos liberaria 10 bilhões de toneladas de CO2 equivalente na atmosfera, o que representa 7,7% do orçamento de carbono restante para limitar o aquecimento global a 1,5ºC.

O estudo aponta contradição entre a retórica climática do governo federal e as ações da petroleira, da qual a União é acionista majoritária.

“As pessoas no Brasil querem energia limpa e um meio ambiente saudável, mas nossa empresa estatal de petróleo continua presa no mundo da energia suja de ontem”, critica Sara Ribeiro, da Arayara, uma das organizações co-autoras do relatório.

Para a ambientalista, a transição da Petrobras está restrita a campanhas publicitárias.

Novas fronteiras

A rota para a expansão da produção escolhida pela Petrobras está na produção em águas ultraprofundas, classificada pelos autores do estudo como “arriscada tecnicamente”.

“Impressionantes 93% da expansão planejada pela empresa está vinculada à perfuração em profundidades superiores a 1.500 metros”, diz o relatório.

O texto pontua que a licença ambiental para a perfuração de poço na Foz do Amazonas tem mais de dez anos e atribui o recente avanço à pressão política, incluindo críticas do presidente Lula (PT) à atuação do Ibama.

Segundo dados levantados pelo ClimaInfo, o Fundo Clima, financiado pela exploração de óleo e gás, destinou menos de 0,1% de seus recursos para a transição energética entre 2018 e 2025.

O relatório aponta, entretanto, que o PAC destinou 65% dos US$ 128 bilhões para o setor energético voltados para energia de origem fóssil.

O que diz a Petrobras

Em resposta, a companhia reiterou à eixos que “tem investido fortemente em tecnologias inovadoras de baixo carbono, mitigando suas emissões e focando em ganhos de eficiência”.

Segundo a petroleira, hoje o petróleo produzido no pré-sal brasileiro tem 40% menos emissões do que a média mundial.

Como resultado dos processos de descarbonização, a empresa cita a redução de 40% em suas emissões absolutas entre 2015 e 2024, o que representa três vezes o setor de aviação brasileiro.

O destaque está nos 70% de emissões de metano, que contribuíram para o resultado acumulado.

As medidas de mitigação integram o Programa Carbono Neutro, visando net zero até 2050, a partir da interação de ações de descarbonização das operações de upstream e downstream.

“O programa foi criado com o objetivo de fortalecer a atuação da empresa em baixo carbono, acelerar e reduzir custos das soluções para descarbonização”, diz em nota.

Entre os exemplos de oportunidades de abatimento e remoção de CO2, a petroleira cita a Captura, Utilização e Armazenamento de Carbono (CCUS) e as Soluções Baseadas na Natureza (SBN).

E lista ações como o Restaura Amazônia, Floresta Viva, ProFLoresta+ e o Fundo Petrobras de Bioeconomia, todas iniciativas socioambientais. Também elencou a descarbonização por meio dos combustíveis, com o diesel coprocessado (R5), biobunker (VLS B24).

“Para o Plano de Negócios 25-29, a Petrobras prevê US$ 4,3 bilhões de investimentos para bioprodutos, com destaque para etanol, biorrefino, biodiesel e biometano. Em relação aos investimentos em renováveis, cabe destacar que foram alocados US$ 5,7 bilhões no PN 25-29 para energias de baixo carbono”, continua a nota.

Financiamento estrangeiro

O banco espanhol Santander é o maior financiador de combustíveis fósseis na América Latina. Segundo o estudo, destinou US$ 9,9 bilhões entre 2022 e 2024, seguido por gigantes como JPMorgan Chase (US$ 8,1 bilhões) e Citigroup (US$ 7,9 bilhões).

O Santander também foi um dos cinco bancos a conceder empréstimo para o gasoduto Vaca Muerta Oil Sur, na Argentina que, segundo a coalizão de organizações ambientalistas, ameaça o Golfo San Matías, um santuário de baleias.

O relatório aponta que 290 bancos financiaram projetos voltados a combustíveis fósseis na região. Bancos latinoamericanos foram responsáveis por apenas 8%.

A expansão é bancada majoritariamente por bancos estrangeiros, que forneceram cerca de 92% do financiamento para o setor. Os Estados Unidos lideram, com 25% do total, seguidos por Canadá (14%) e Espanha (11%).

Situação nos outros países

No México, a Pemex é apontada como destino de bilhões de dólares em socorro estatal enquanto o país sofre com apagões.

Na Argentina, o estudo cita o desmantelamento da legislação ambiental para destravar projetos de Vaca Muerta, uma das maiores reservas mundiais de gás de xisto, cuja exploração consumiria 11,4% do orçamento de carbono para cumprir com as metas do Acordo de Paris.

Para os autores do estudo, a ExxonMobil tem um contrato “unilateral” com o governo da Guiana, deixando o país com apenas 12,5% dos lucros.

No Equador, são elencados retrocessos, como o descumprimento do resultado do referendo que determinou o fim da exploração do Parque Nacional Yasuní. O documento acusa o governo de Daniel Naboa de trair o resultado da vontade popular ao apresentar um plano de US$ 47 bilhões para o setor.

Foto: reprodução/ Eixos/ André Motta de Souza/Agência Petrobras

Compartilhe

Share on whatsapp
WhatsApp
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn

Enviar Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Redes Sociais

Posts Recentes

Receba as atualizações mais recentes

Faça parte da nossa rede

Sem spam, notificações apenas sobre novidades, campanhas, atualizações.

Leia também

Posts relacionados

Na Mídia | Flexibilização do licenciamento ambiental entra em vigor nesta quarta com ações no STF alegando inconstitucionalidade

Derrubada de 56 vetos de Lula pelo Congresso restituiu ao texto dispositivos que ampliam modalidades simplificadas, reduzem a participação de órgãos setoriais e restringem exigências previstas em normas anteriores Por Luis Felipe Azevedo — Rio de Janeiro – O Globo   A Lei Geral do Licenciamento Ambiental, que flexibiliza o processo de concessão de licenças, entrou em vigor nesta quarta-feira, 180

Leia Mais »

Na mídia | Fracking: STJ pode avaliar uso de técnica controversa e redefinir exploração de gás neste semestre

Processo que discute viabilidade jurídica e condições técnicas para o fraturamento hidráulico foi instaurado pelo tribunal após 11 anos de impasse; tema mobiliza mais de 500 municípios brasileiros Por: Gabriela da Cunha –  Estadão.com Com a volta do ano judiciário, em fevereiro, o STJ pode levar a julgamento, ainda neste semestre, a ação sobre o uso do fracking no País.

Leia Mais »

Na mídia | Mapa do caminho: sociedade civil propõe diretrizes para que plano de transição energética vá além da retórica

Por Luciana Casemiro – O Globo (28/01/2026) Termina na próxima sexta-feira o prazo dado pelo presidente Lula para que sejam estabelecidas as diretrizes para o plano transição energética no Brasil. O chamado mapa do caminho para o fim da dependência dos combustíveis fósseis foi uma proposta apresentada pelo governo brasileiro durante a COP, realizada em Belém, em novembro do ano

Leia Mais »

NA MÍDIA | Projeto da maior usina termelétrica do país é vetado pelo Ibama por falta de informações conclusivas

Usina Termelétrica São Paulo seria construída em Caçapava e era alvo de protestos de ambientalistas; Fiocruz apontava ameaças à saúde   Por Lucas Altino — Rio de Janeiro – O GLOBO   O projeto do que seria a maior usina termelétrica do país e da América latina, em Caçapava (SP), foi vetado pelo Ibama. Nesta quarta (21), o Instituto indeferiu

Leia Mais »