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ARAYARA na Mídia: Florestas tropicais, uma lenta adaptação às mudanças climáticas

Pesquisa feita por mais de 100 cientistas de diferentes países, incluindo brasileiros, mostra que as árvores têm reações distintas às mudanças climáticas. Fatores como espessura das folhas e da casca influenciam fortemente na resiliência

As florestas tropicais, vitais para a regulação do clima mundial e para preservação da biodiversidade, enfrentam sérios desafios de adaptação às mudanças climáticas. Um estudo publicado, na revista Science, revela que as florestas tropicais das Américas não estão se ajustando às alterações climáticas no mesmo ritmo em que elas acontecem, o que levanta sérias preocupações sobre sua resiliência a longo prazo. A pesquisa multidisciplinar envolveu mais de 100 cientistas, incluindo estudiosos brasileiros, com o objetivo de analisar dados de 415 parcelas florestais que se estendem do México ao sul do Brasil.

Ao avaliar mais de 250 mil árvores, os pesquisadores analisaram como diferentes espécies têm respondido às mudanças de temperatura e padrões de chuva nas últimas décadas. O estudo mostrou que, embora o clima esteja mudando rapidamente, as florestas tropicais não estão acompanhando esse ritmo, o que pode comprometer a capacidade de adaptação e aumentar a vulnerabilidade.

O estudo revelou que as diferentes espécies de árvores reagem de formas distintas. Algumas mostram uma adaptação bem-sucedida, enquanto outras estão lutando para sobreviver. Fatores, como a espessura das folhas, a densidade da madeira e a capacidade de tolerar a seca influenciam diretamente nessa resiliência. Aquelas com maior resistência a mudanças climáticas, como as que são mais tolerantes à seca ou com folhagem mais grossa, têm mais chances de prosperar diante do aquecimento global.

Diferenças

Além disso, os cientistas verificaram que as florestas, localizadas em regiões de maior altitude, estão se adaptando mais rapidamente do que as matas de planície. A maior variabilidade climática nessas áreas elevadas parece ser um fator que acelera o processo de adaptação, contrastando com as áreas planas, onde o ajuste é mais lento.

Outro aspecto identificado na pesquisa foi que as árvores mais jovens apresentam mudanças mais visíveis em resposta às variações climáticas. No entanto, a composição geral da floresta permanece praticamente inalterada. Esse fenômeno indica que, embora algumas modificações possam estar ocorrendo individualmente de cada espécime da vegetação, o impacto geral nas florestas ainda é pequeno e insuficiente para garantir adaptação a longo prazo.

Conforme Simone Vieira, professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coautora da pesquisa, para planejar o futuro, é preciso saber o que está acontecendo no presente e como as florestas da América do Sul respondem às mudanças climáticas. “O clima está mudando. A gente observa um aumento na temperatura e uma mudança no padrão de precipitação. Não só no padrão, mas temos previsões que indicam que, por exemplo, até 2100, teremos uma diminuição de 20% na precipitação, com um aumento de até 4°C na temperatura”, afirmou ao Correio.

“Estamos provocando mudanças e esperávamos que a composição das espécies mudasse mais rapidamente, ou que as características das espécies mudassem. Mas o que estamos observando é que essa velocidade de mudança está sendo bem lenta. Uma grande parte das árvores, têm mais de 200, 300, ou até mais de mil anos. Então, essa estrutura e comunidade se estabeleceram há muito tempo, e as mudanças ocorrerão de forma lenta. Estamos observando isso com nossos dados: a mudança está sendo muito lenta”, completou a especialista.

Desafios na Amazônia

A professora Beatriz Marimon, coautora do estudo e pesquisadora da Universidade Estadual do Mato Grosso (Unemat), ressaltou os problemas que acometem as florestas tropicais, especialmente na Amazônia. “Em algumas partes na Amazônia, estamos enfrentando uma combinação de fogo, calor e seca, o que coloca a floresta sob grande pressão. Entender quais espécies podem sobreviver a essas ameaças é essencial para garantir um futuro sustentável para esses ecossistemas e para o planeta”, afirmou.

O estudo reforça a urgência de ações mais eficazes para apoiar a resiliência das florestas tropicais diante das mudanças climáticas. A preservação dessas florestas não é apenas crucial para a biodiversidade, mas também para a estabilidade climática global, e os resultados apontam para a necessidade de intensificar os esforços de pesquisa e conservação para enfrentar os desafios impostos pelas alterações climáticas.

Jesús Aguirre-Gutiérrez do Environmental Change Institute (ECI) da Universidade de Oxford, na Inglaterra, e líder da pesquisa, enfatizou a importância de entender as características das árvores que estão prosperando e das que estão enfrentando dificuldades. “Se soubermos quais espécies de árvores estão indo melhor ou pior, e quais características elas têm, saberemos o que elas podem suportar. Isso ajudará a informar quais ações de conservação devem ser priorizadas e onde os recursos financeiros devem ser alocados”, ressaltou. Os autores destacaram que a pesquisa pode fornecer informações para orientar os esforços de conservação. Ao observar as árvores que sobreviveram e as que não resistiram às mudanças climáticas, os cientistas podem identificar quais características são mais eficazes para lidar com o novo clima e definir estratégias de conservação.

“As florestas tropicais sempre foram vistas como amortecedores naturais das mudanças climáticas, mas o estudo nos mostra que elas estão perdendo essa capacidade. O ritmo acelerado do aquecimento global, impulsionado pela queima de combustíveis fósseis, está criando um descompasso entre a resiliência das árvores e as novas condições climáticas. A lentidão na adaptação das florestas tropicais significa que veremos um aumento na mortalidade das árvores e uma redução na sua capacidade de absorver carbono, agravando ainda mais a crise climática. O estudo revela um efeito dominó perigoso: com temperaturas mais altas e menos chuva, algumas espécies não conseguem mais sobreviver, o que afeta toda a estrutura das florestas. É um ciclo vicioso.” Vinícius Nora, Biólogo, gerente de operações do Instituto Internacional ARAYARA

Fonte: Correio Braziliense

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