+55 (41) 9 8445 0000 arayara@arayara.org

São João dos Patos relata problemas com exploração de gás de xisto

A equipe da Não Fracking Brasil conversou com moradores da cidade, que disseram não ter contato com os pesquisadores

O que é o fracking?

O fracking – também chamado de fraturamento hidráulico – é um processo que envolve a injeção de grandes volumes de água, produtos químicos e areia, a alta pressão, em camadas de rocha do subsolo para liberar o gás natural que está preso. Apesar de ser uma técnica já utilizada em vários países, ela é controversa por causar danos ambientais e ecológicos, incluindo contaminação da água subterrânea, liberação de gases de efeito estufa, terremotos induzidos etc.

 

A COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil pela Água e Vida, uma campanha do Instituto Internacional Arayara, entrevistou, em 14 de setembro de 2022,  a senhora Julia Leopoldino, moradora de São João dos Patos, no Maranhão. Julia compartilhou sua experiência sobre a abordagem dos funcionários de uma empresa de pesquisa que buscavam autorização para entrar em sua propriedade e realizar estudos. Segundo ela, os funcionários chegaram, conversaram com a família e levaram um documento para que assinassem, autorizando a pesquisa. 

 

“Eles falaram que a rede não afeta nada, é só uma coisinha”, relatou Julia.

 

A moradora conta que todos da região assinaram o documento. Situações semelhantes ocorreram no estado do Paraná, onde também houve autorização da população para a realização de pesquisas relacionadas à extração de gás por fraturamento hidráulico. No entanto, os danos causados pelos estudos foram grandes, resultando em rachaduras em casas e estruturas devido a atividades sísmicas causadas pela pesquisa.

Em Santa Catarina, os moradores, produtores rurais e fazendeiros, cientes dos impactos negativos do fracking em suas propriedades, decidiram se unir e criar um movimento. Eles colocaram placas informativas nas portas e entradas de suas propriedades, proibindo a entrada da empresa de pesquisa. A comunidade se uniu para lutar contra o fracking, e o governo, pressionado pelos cidadãos, promulgou uma lei proibindo o fraturamento hidráulico em todo o estado catarinense.

Julia também relata que a equipe de pesquisadores não é composta por moradores locais, sendo apenas dois deles da região. O fracking não gera empregos significativos para a comunidade. Os trabalhadores vivem em um complexo isolado, dormindo em alojamentos e trazendo sua própria comida, o que não beneficia a economia local, incluindo hotéis e restaurantes. Os pesquisadores são vistos apenas nos postos de gasolina, abastecendo suas frotas de jipes, e nas propriedades pedindo autorizações.

Ao ser questionada pela equipe da COESUS sobre a finalidade do gás extraído por meio do fracking, Julia relatou que os pesquisadores não explicaram para que esse gás serviria.

Esses relatos reforçam a importância de uma conscientização efetiva sobre os impactos do fracking e a necessidade de buscar alternativas energéticas mais sustentáveis. A COESUS segue empenhada em promover a conscientização sobre os riscos do fracking e incentivar ações coletivas que visem a preservação da vida e do meio ambiente.

 

Compartilhe

Share on whatsapp
WhatsApp
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn

Enviar Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Redes Sociais

Posts Recentes

Categorias
Receba as atualizações mais recentes

Faça parte da nossa rede

Sem spam, notificações apenas sobre novidades, campanhas, atualizações.

Leia também

Posts relacionados

Reunião na ALEP Debate Novo Código Florestal do Paraná e Revela Pontos Críticos

A Assembleia Legislativa do Paraná sediou, na manhã desta quinta-feira (26), uma reunião pública para debater o Projeto de Lei nº 80/2026, que propõe a criação de uma nova Política Ambiental de Proteção, Gestão e Uso Sustentável da Vegetação no estado, na prática, um novo Código Florestal estadual. A iniciativa, conduzida pelo deputado estadual Goura (PDT), reuniu representantes do poder

Leia Mais »

LRCAP 2026: Retorno do Carvão Mineral Eleva Riscos Climáticos e Custos Energéticos ao Consumidor Brasileiro

O Instituto Internacional ARAYARA, como a maior ONG de litigância climática e ambiental da América Latina, informa à sociedade brasileira que vê com preocupação os resultados do Leilão – Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência de 2026 (LRCAP 2026) – UTEs a Gás Natural, Carvão Mineral e UHEs, que ocorreu hoje hoje (18.03). A Empresa de Pesquisa

Leia Mais »

Guerra no Irã e a transição energética

Por: Urias Neto – Engenheiro Ambiental, Gerente de Engenharia Ambientas e Ciências/Licenciamento Ambiental A possibilidade de que os Estados Unidos e Israel tenham subestimado a capacidade militar do Irã pode contribuir para a prolongação dos conflitos no Oriente Médio. Um conflito mais duradouro tende a ampliar as tensões no mercado internacional de energia, sobretudo porque a região concentra parte significativa

Leia Mais »