+55 (41) 9 8445 0000 arayara@arayara.org

PL da Devastação: governo libera bancada no Senado

Sob a justificativa de simplificar o conjunto de normas ambientais, ontem (21), o Projeto de Lei nº 2.159/2021 foi aprovado nesta noite no Senado Federal, apesar da intensa mobilização entre ambientalistas, especialistas e organizações da sociedade civil. Apelidado de “PL da Devastação” e “mãe de todas as boiadas”, o projeto agora retorna à Câmara para nova votação.

Foram 54 votos favoráveis e 13 contrários. Apenas a bancada do PT encaminhou voto contrário à matéria.

O texto representa um grave retrocesso nas políticas ambientais do país e enfraquece drasticamente o licenciamento ambiental, um dos principais instrumentos de controle, prevenção e mitigação de impactos socioambientais no Brasil.

Se aprovado quando retornar à Câmara e for sancionado, o projeto eliminará a obrigatoriedade de licenciamento para diversas atividades de alto impacto, além de permitir licenças automáticas por meio da internet, sem análise técnica prévia. Organizações alertam que isso enfraqueceria a fiscalização e aumentaria os riscos de tragédias ambientais como as de Mariana e Brumadinho.

O diretor técnico da ARAYARA, Juliano Bueno de Araújo, expressa grande preocupação com a aprovação da Emenda 120 nas comissões do Senado (CMA e CRA). Segundo ele, essa medida fragiliza o licenciamento ambiental justamente para atividades com alto potencial poluidor e grandes emissões de gases de efeito estufa, como é o caso das usinas termelétricas a gás fóssil ou carvão mineral. 

“Licenças simplificadas para empreendimentos desse porte não garantem segurança energética — ao contrário, abrem margem para insegurança jurídica, ao permitir o funcionamento de projetos com pouquíssima avaliação de seus impactos ambientais e sociais. Araújo ressalta que é indispensável manter o licenciamento trifásico — prévio, de instalação e de operação — com suas devidas renovações ao longo do tempo. “Qualquer flexibilização nesse processo coloca em risco não apenas o meio ambiente, mas também a saúde pública e os compromissos climáticos do país”, destacou Araújo.

Mobilização contra o PL

Na última segunda-feira (19/5), o Observatório do Clima, do qual a ARAYARA faz parte, entregou ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, uma carta com mais de 100 páginas analisando tecnicamente o PL. O documento aponta inconstitucionalidades, ameaça à segurança jurídica e impactos severos como aumento da poluição, do desmatamento e das emissões de gases de efeito estufa. A entidade pede que o Senado revise o texto com responsabilidade, garantindo um licenciamento robusto e alinhado aos compromissos climáticos do Brasil, especialmente às vésperas da COP-30.

Principais riscos apontados no PL 2159/2021:

-Autolicenciamento: permite que empresas se licenciem automaticamente via formulário online, sem supervisão técnica.

-Dispensa de licenciamento para atividades de risco: até 13 tipos de empreendimentos, incluindo ampliações de hidrelétricas, ficariam isentos.

-Isenção para o agronegócio: atividades agropecuárias seriam liberadas de licenciamento.

-Impacto sobre recursos hídricos: elimina exigência de outorga para uso da água, ameaçando a segurança hídrica.

-Transferência de custos ambientais: empresas deixariam de ser responsáveis por prevenir ou reparar danos ambientais, repassando os custos à sociedade e ao Estado.

Além dos efeitos diretos sobre o meio ambiente, a proposta ameaça comunidades tradicionais, povos indígenas e unidades de conservação, ampliando desigualdades e conflitos fundiários. Também compromete a imagem internacional do Brasil, colocando o país na contramão da agenda climática global.

Fonte: Creative Commons

Compartilhe

Share on whatsapp
WhatsApp
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn

Enviar Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Redes Sociais

Posts Recentes

Receba as atualizações mais recentes

Faça parte da nossa rede

Sem spam, notificações apenas sobre novidades, campanhas, atualizações.

Leia também

Posts relacionados

ARAYARA na Mídia: Congresso ‘enterrou’ de vez as medidas ambientais que protegem os biomas brasileiros

Em vez de alinhar o Brasil a uma trajetória real de transição energética justa, o cenário interno aponta para o contrário: flexibilização normativa prejudicial, criação de atalhos para megaprojetos fósseis e minerários e, agora, a tentativa de consolidar a Licença Ambiental Especial (LAE) como um instrumento de exceção. __ Passados 10 dias do término da COP30, em Belém, o Congresso

Leia Mais »

ARAYARA na Mídia: Petróleo em Alta Reacende Alerta Ambiental

O Brasil quebrou novamente o próprio recorde de produção de petróleo. Em outubro, o país extraiu 4,03 milhões de barris de petróleo por dia e 5,255 milhões de barris de óleo equivalente (incluindo gás natural), segundo dados oficiais divulgados ontem pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). O aumento foi de 2,9% em relação a setembro e de 23,2% na comparação

Leia Mais »

ARAYARA na Mídia: Valuing Nature, Empowering Action – Interactive Training with the CSF Calculator Hub

Irina Cabrerizo Suaznábar | December 3, 2025 Pictures / Fotos: Oruê Brasileiro / Odaraê Filmes On November 20, 2025, during COP30, we hosted the workshop “Valuing Nature, Empowering Action: Interactive Training with the CSF Calculator Hub” at the ARAYARA, Amazon Climate Hub in Belém, Brazil. The session brought together people working in conservation for a hands-on exploration of socio-environmental and economic

Leia Mais »

ARAYARA na Mídia: Bahia propõe reconhecer a natureza como sujeito de direito

Estado quer seguir tendência de ‘constitucionalismo ecológico’ adotado em outros países, como Equador e Bolívia Por Maristela Crispim A COP30 tornou-se palco de um movimento inédito vindo do Nordeste brasileiro. O deputado Marcelino Galo (PT-BA) apresentou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) Direitos da Natureza, iniciativa que pretende inserir no texto constitucional baiano o reconhecimento da natureza como sujeito

Leia Mais »