+55 (41) 9 8445 0000 arayara@arayara.org

Lei do Mar: uma oportunidade para proteger os oceanos e fortalecer a Economia Azul

Os oceanos desempenham um papel essencial na regulação do clima, na manutenção da biodiversidade e no desenvolvimento econômico global. No Brasil, com mais de 8 mil quilômetros de costa, a proteção e o uso sustentável dos recursos marinhos são fundamentais para garantir a resiliência dos ecossistemas e a segurança das populações costeiras. No entanto, ainda não temos uma política nacional específica para a conservação e gestão do bioma marinho.

É nesse contexto que surge o Projeto de Lei 6969/2013, também conhecido como Lei do Mar, uma iniciativa que visa estabelecer a Política Nacional para a Conservação e o Uso Sustentável do Bioma Marinho Brasileiro (PNCMar). Essa legislação, que já foi amplamente debatida nos últimos 10 anos, está madura para ser votada e representa um avanço crucial na governança do oceano.

O que a Lei do Mar propõe?

Diferente de um instrumento de comando e controle, a Lei do Mar é uma lei principiológica, ou seja, estabelece diretrizes para a gestão integrada da zona costeira e marinha, sem criar novas proibições. Seu objetivo é promover o uso sustentável dos recursos oceânicos, garantindo que atividades como pesca, turismo, exploração de petróleo e energia renovável possam coexistir de forma equilibrada com a conservação ambiental.

Além disso, o PL prevê a criação do Fundo Mar, um mecanismo financeiro próprio para ações de proteção e pesquisa científica, sem gerar custos adicionais para o governo. Também estabelece um Conselho Gestor Interministerial, que reunirá diferentes setores para planejar e executar políticas públicas voltadas para o mar.

Por que essa lei é tão importante?

A aprovação da Lei do Mar ocorre em um momento estratégico, durante a Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável (2021-2030), uma iniciativa da ONU que reconhece a urgência de medidas para proteger os oceanos. No Brasil, essa legislação ajudará a estruturar um modelo de gestão mais eficiente e alinhado com as boas práticas internacionais.

A economia azul, que já representa cerca de 20% do PIB nacional, também será fortalecida, pois a lei contribui para a construção do Planejamento Espacial Marinho (PEM) – uma ferramenta essencial para organizar os diferentes usos do espaço marítimo e garantir um desenvolvimento econômico sustentável.

Proteção climática e resposta a desastres ambientais

Outro ponto crucial do PL 6969/2013 é a sua contribuição para a adaptação às mudanças climáticas. Ecossistemas costeiros como manguezais e pradarias marinhas são fundamentais para a absorção de carbono e a mitigação de eventos extremos, como elevação do nível do mar e acidificação oceânica. Além disso, a lei aprimora a resposta a desastres ambientais, fornecendo diretrizes para enfrentar situações como vazamentos de petróleo e poluição marinha.

Uma decisão histórica para o Brasil

Para o diretor técnico do Instituto Internacional ARAYARA, Juliano Bueno de Araújo, a Lei do Mar representa uma oportunidade única para consolidar a governança dos oceanos no Brasil e garantir que nossas riquezas marinhas sejam protegidas para as futuras gerações. “O projeto já passou por diversas revisões, recebeu contribuições de diferentes setores e está pronto para ser aprovado”, avalia.

Segundo Araújo, o Brasil tem potencial para se tornar uma potência marítima global, mas, para isso, precisa de um marco legal que equilibre o desenvolvimento econômico e a conservação ambiental. “A aprovação do PL 6969/2013 é um passo essencial para essa transformação”, ressalta.

O gerente de operações da ARAYARA destaca o Monitor Oceano, ferramenta lançada em agosto pela instituição que reforça a importância  da preservação dos oceanos. “O Monitor Oceano mapeia áreas sensíveis, revelando a sobreposição dessas regiões com a atuação da indústria fóssil”, explica o biólogo. 

Nora ressalta o pioneirismo da ARAYARA na produção de análises técnicas estratégicas, que têm sido fundamentais para o Planejamento Espacial Marinho (PEM), fortalecendo a proteção e a gestão sustentável das áreas costeiras e marinhas.

Compartilhe

Share on whatsapp
WhatsApp
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn

Enviar Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Redes Sociais

Posts Recentes

Receba as atualizações mais recentes

Faça parte da nossa rede

Sem spam, notificações apenas sobre novidades, campanhas, atualizações.

Leia também

Posts relacionados

ARAYARA na Mídia: Em ano de COP no Brasil, governo lança edital para contratar termelétricas a carvão

Ministério de Minas e Energia (MME) abre consultas públicas que preveem a contratação de termelétricas fósseis, consideradas as mais poluentes. Anúncio marca a volta do carvão à agenda de leilões de energia no Brasil após 11 anos Faltando 76 dias para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém (PA), o governo federal reacendeu uma polêmica no

Leia Mais »

Desafios da Transição Energética Justa é tema de palestra em Semana Acadêmica da UFSC

Evento integrou a Semana Acadêmica de Engenharia Ambiental da UFSC e trouxe reflexões sobre o PL da Devastação, os riscos da Licença Ambiental Especial e as dificuldades da política energética em Santa Catarina. O desafio da transição energética justa diante do recém-sancionado PL da Devastação (a Nova Lei de Licenciamento Ambiental, Nº 15.190, de 08/08/2025) foi tema da palestra do

Leia Mais »

Evento sobre litigância climática para transição energética justa fortalece alianças e estratégias jurídicas coletivas

Organizações, juristas e movimentos sociais se reuniram na PUC-Rio em encontro nacional para discutir caminhos jurídicos e políticos diante do avanço dos combustíveis fósseis e da crise climática. Nos dias 25 e 26 de agosto de 2025, a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) sediou o Encontro Nacional sobre Litigância Climática para a Transição Energética Justa e o

Leia Mais »

ARAYARA na Mídia:AL: Projeto inédito no país quer estocar gás no subsolo e avança sob receio

Um investimento bilionário quer implantar no Brasil, pela primeira vez, a tecnologia de estocagem de gás natural no subsolo. O projeto comercial pioneiro na América Latina está avançando em Pilar, cidade de 35 mil habitantes na região metropolitana de Maceió, onde existe uma das maiores reservas do país —e que são exploradas há quatro décadas. Os riscos e regras da

Leia Mais »