+55 (41) 9 8445 0000 arayara@arayara.org

Impactos na Qualidade do Ar da Usina Siderúrgica Ternium Brasil Santa Cruz

A Ternium, empresa siderúrgica com sede em Luxemburgo, é uma das principais produtoras de aço das Américas e está classificada no percentil 90 da indústria em termos de práticas ambientais, éticas, trabalhistas e de sustentabilidade pela EcoVadis.

Em 2017, a Ternium adquiriu e assumiu as operações da usina siderúrgica Ternium Brasil Santa Cruz, localizada no Rio de Janeiro, com a promessa de gerar empregos. No entanto, como uma usina siderúrgica movida a carvão e intensiva em emissões de carbono, a Ternium Brasil representa uma faca de dois gumes para a população local: oportunidades de emprego e poluição letal.

A Avaliação de Impacto na Saúde (AIS) do CREA revela que a usina siderúrgica Ternium Brasil tem causado impactos devastadores na saúde da população local devido à emissão de poluentes atmosféricos mortais que atingem até São Paulo. Desde o início das operações em 2010, essas emissões já resultaram em mais de mil mortes e geraram custos superiores a 2 bilhões de dólares em despesas com saúde.

As estimativas indicam que as emissões da usina Ternium Brasil causaram aproximadamente 100 visitas ao pronto-socorro devido a crises de asma, 300 novos casos de asma infantil, 1.100 crianças com asma, 60 partos prematuros, 60 casos de baixo peso ao nascer e 120.000 dias de ausência no trabalho.

Além disso, estima-se que a poluição do ar proveniente dessa instalação tenha causado 1.200 mortes devido a doenças como AVC, infecções respiratórias inferiores, doença pulmonar obstrutiva crônica, câncer de pulmão e diabetes – incluindo aproximadamente 35 óbitos de crianças com menos de 5 anos.

Os custos econômicos decorrentes dos impactos da poluição do ar da Ternium Brasil são estimados em cerca de 1,8 bilhão de dólares (9,1 bilhões de reais), valor superior ao orçamento total do Rio de Janeiro para educação, cultura e esportes combinados em um ano (8 bilhões de reais).

Fundada na Argentina, com operações na América do Norte e do Sul, mas com sede na Europa, em Luxemburgo, por vantagens fiscais, a Ternium tem obtido lucros substanciais com suas operações em Santa Cruz – uma comunidade que enfrenta pobreza, desigualdades raciais e os efeitos da poluição. Essa situação é um exemplo de racismo ambiental, no qual os impactos negativos de atividades industriais afetam desproporcionalmente comunidades marginalizadas, sem que essas comunidades colham benefícios significativos. A riqueza gerada por essas operações beneficia acionistas e executivos distantes da realidade de Santa Cruz, deixando para trás uma crise de saúde pública e dificuldades econômicas.

Principais Conclusões

Este relatório avalia os impactos das emissões da usina siderúrgica de Santa Cruz, Rio de Janeiro, atualmente conhecida como Ternium Brasil Santa Cruz (anteriormente CSA – Companhia Siderúrgica do Atlântico), na qualidade do ar, na saúde pública e na economia entre 2010 e 2023.

– A usina emite níveis perigosos de poluentes tóxicos sobre uma ampla região, alcançando até São Paulo.

-A exposição aos poluentes emitidos pela Ternium Brasil teve um impacto devastador na saúde da população local.

-Alguns dos impactos estimados incluem:

-100 (70–150) visitas ao pronto-socorro por crises de asma.

-300 (60–700) novos casos de asma infantil.

-1.100 (300–2.400) crianças com asma.

-60 (20–110) partos prematuros.

-60 (20–110) casos de baixo peso ao nascer.

-120.000 (100.000–140.000) dias de ausência no trabalho.

-Além disso, a poluição do ar da usina é estimada como responsável por 1.200 (775–1.750) mortes devido a doenças como AVC, infecções respiratórias inferiores, doença pulmonar obstrutiva crônica, câncer de pulmão e diabetes – incluindo aproximadamente 35 (10–65) óbitos de crianças com menos de 5 anos.

-Considerando esses impactos na saúde, a poluição atmosférica da Ternium Brasil pode ter custado à sociedade cerca de 1,8 (1,2–2,7) bilhões de dólares, ou 9,1 (5,8–13,2) bilhões de reais.

-Para fins de comparação, os custos econômicos da poluição do ar da Ternium Brasil superam as despesas totais do Rio de Janeiro com educação, cultura e esportes em um ano (8 bilhões de reais, segundo a Statista, 2023).

De forma geral, a usina siderúrgica Ternium Brasil, que opera com combustíveis altamente poluentes, como carvão e coque, e carece de medidas adequadas de controle da poluição do ar, tem causado impactos devastadores na saúde pública e na economia, resultando em bilhões de dólares em danos à saúde.

 

Confira estudo

 

Metodologia

Neste estudo, estimamos como as emissões de poluentes da usina siderúrgica Ternium Brasil afetaram a qualidade do ar, a saúde pública e a economia entre 2010 e 2023. Primeiramente, coletamos dados sobre as emissões de poluentes a partir de documentos oficiais da Ternium. Em seguida, utilizamos um modelo meteorológico e de dispersão atmosférica para simular como essas emissões se distribuem no ar, gerando mapas de concentração de poluentes.

Por fim, calculamos os impactos na saúde pública ao combinar os mapas de concentração de poluentes com dados sobre a toxicidade dos poluentes e informações populacionais (como densidade populacional, idade e incidência de doenças pré-existentes). Consulte a seção de Metodologia do relatório para mais detalhes.

Fonte: CREA

Compartilhe

Share on whatsapp
WhatsApp
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn

Enviar Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Redes Sociais

Posts Recentes

Receba as atualizações mais recentes

Faça parte da nossa rede

Sem spam, notificações apenas sobre novidades, campanhas, atualizações.

Leia também

Posts relacionados

NA MÍDIA | Projeto da maior usina termelétrica do país é vetado pelo Ibama por falta de informações conclusivas

Usina Termelétrica São Paulo seria construída em Caçapava e era alvo de protestos de ambientalistas; Fiocruz apontava ameaças à saúde   Por Lucas Altino — Rio de Janeiro – O GLOBO   O projeto do que seria a maior usina termelétrica do país e da América latina, em Caçapava (SP), foi vetado pelo Ibama. Nesta quarta (21), o Instituto indeferiu

Leia Mais »

Instituto Internacional ARAYARA integra litigância climática no STF contra retrocesso histórico da Lei de Licenciamento Ambiental

O Instituto Internacional ARAYARA ocupa papel de protagonismo na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) protocolada no Supremo Tribunal Federal (STF) contra dispositivos centrais da Lei nº 15.190/2025, conhecida como Lei Geral do Licenciamento Ambiental, e da Lei nº 15.300/2025, que institui o chamado Licenciamento Ambiental Especial. A ação foi proposta pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e pela Articulação dos

Leia Mais »

Na defesa das usinas nucleares falta argumento, sobra mediocridade

Heitor Scalambrini Costa Professor associado aposentado da Universidade Federal de Pernambuco Zoraide Vilasboas Ativista socioambiental, integrante da Articulação Antinuclear Brasileira   Na discussão sobre se o Brasil avança na nuclearização de seu território com a conclusão de Angra 3 e constrói mais 10.000 MW de novas usinas nucleares, como propõe o Plano Nacional de Energia 2050, a mediocridade dos argumentos pró

Leia Mais »

Aviso de Convocação – Assembleia Geral Ordinária

O Instituto Internacional ARAYARA convoca os(as) associados(as) com filiação regular e quites com as taxas anuais e remidas, e que estejam em pleno gozo de seus direitos estatutários, para a Assembleia Geral Ordinária a ser realizada em formato híbrido no dia 18 de dezembro de 2025, às 18h30 em primeira chamada e às 19h00 em segunda chamada. A participação poderá

Leia Mais »