+55 (41) 9 8445 0000 arayara@arayara.org

COP30: Soluções alimentares de baixo carbono ganham protagonismo e apontam novos rumos para políticas climáticas no Brasil

Projetos que unem agroecologia, alimentação saudável e fortalecimento da agricultura familiar foram apontados como algumas das soluções climáticas mais concretas apresentadas na COP30.

Em uma mesa-redonda no Arayara Climate Hub, especialistas, gestores públicos e agricultores mostraram que colocar comida de verdade — limpa, local e justa — no centro das políticas climáticas pode ser decisivo para conter a crise ambiental e garantir justiça social nos territórios.

O encontro reuniu iniciativas como o LUPPA — Laboratório Urbano de Políticas Públicas Alimentares,  Instituto Comida do Amanhã , CLEI América do Su, o Projeto Terra Nutre, do Instituto Centro de Vida (ICV), e a Iniciativa Mesa da COP30, do Instituto Regenera em parceria com o Comida do Amanhã.

Para Nicole Figueiredo, diretora executiva do Instituto Internacional ARAYARA, o debate confirmou que “políticas públicas integradas, apoio à agricultura familiar e protagonismo comunitário são caminhos reais para enfrentar a crise climática garantindo produção local, comida de qualidade e justiça social”.

Agricultura familiar pede mais espaço nas decisões climáticas

A primeira mesa foi moderada por Fabricio Muriana, diretor e cofundador do Instituto Regenera. Ele celebrou o avanço de iniciativas que já incorporam alimentos agroecológicos amazônicos à COP, mas cobrou mais espaço para os agricultores:
“Queremos que os agricultores estejam no centro do debate e sejam mais ouvidos quando falamos em soluções climáticas.” Ele defendeu a ampliação da participação da agricultura familiar em eventos como a COP, que pela primeira vez em uma Conferência, teve estabelecido em 30% o percentual de ingredientes locais e biodiversos fornecidos para os cardápios de bares e restaurantes credenciados. 

Muriana destacou novas oportunidades de financiamento e citou o programa Amazônia na Escola, previsto para o próximo ano, que ampliará a participação direta de agricultores na transição agroecológica dos territórios.

Produtores da região Norte reforçaram a urgência de políticas que considerem a realidade da agricultura familiar e a voz do campo foi forte.

José Cunha, do SPG Tapajós, enfatizou o potencial da Amazônia e a urgência de agir: “A ganância humana está destruindo vidas e ecossistemas, e a agroecologia é uma alternativa real para mitigar essas crises. “Temos tecnologia para produzir respeitando a vida humana, o meio ambiente e os recursos hídricos.” Já Maria Jeanira, diretora da Pará Orgânicos,que celebrou a visibilidade trazida pela COP30, fez um apelo. Para Jeanira, a COP30 deve deixar como legado que bares, restaurantes e instituições continuem a  comprar da agricultura familiar.

Alciete Mendes dos Santos (SPG Tapajós) e Ana Cristina, agrônoma da COPABEM, relataram dificuldades estruturais, como a falta de documentação das familias o que impossibilita acesso a financiamentos e participação em licitações. Para elas, a COP surgiu como uma chance para recomeçar.

Lucia Reis, da Rede Bragantina, defendeu o protagonismo feminino na agroecologia:
“Queremos que, em cinco anos, o nosso grupo esteja ainda mais fortalecido e respeitado.”

Soluções urbanas e políticas públicas: quando as cidades impulsionam a transformação

Na segunda mesa, Francine Xavier, diretora e cofundadora do Instituto Comida do Amanhã, reforçou que os municípios são chave para transformar sistemas alimentares:
“A monocultura aumenta doenças e agrava a crise climática. A LUPPA dá visão sistêmica aos gestores e aproxima políticas públicas das comunidades.” Rodrigo, diretor do ICLEI América do Sul, lembrou que municípios são essenciais, mas enfrentam “mais exigências e menos recursos”, o que dificulta a execução de políticas sustentáveis.

Kassia Ripardo, gestora da Prefeitura de Benevides e coordenadora do LUPPA, apresentou avanços locais.  “O produtor precisa ser reconhecido e valorizado. O PNAE Ecológico foi uma grande conquista, garantindo alimentos agroecológicos nas escolas e fortalecendo a produção local.”

Encerrando a mesa, Camila Horiye Rodrigues, do Instituto Centro de Vida, apresentou o projeto Amazônia nas Escolas em Mato Grosso, destacando o aumento de fornecedores locais e a criação de chamadas públicas para produtores indígenas:
“O objetivo é expandir essas chamadas para todos os povos indígenas em 2026.”

Foto: Oruê Brasileiro/ ARAYARA

Compartilhe

Share on whatsapp
WhatsApp
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn

Enviar Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Redes Sociais

Posts Recentes

Receba as atualizações mais recentes

Faça parte da nossa rede

Sem spam, notificações apenas sobre novidades, campanhas, atualizações.

Leia também

Posts relacionados

ARAYARA na Mídia: Roteiro brasileiro para fim dos combustíveis fósseis começa a sair do papel

Lula dá 60 dias para os ministérios do Meio Ambiente, Fazenda e Minas e Energia, e Casa Civil apresentarem as diretrizes para a transição energética justa, mas condiciona financiamento à exploração de petróleo e gás O despacho publicado ontem no Diário Oficial da União onde o presidente Lula convoca os ministérios de Minas e Energia, Fazenda e Meio Ambiente e mais a

Leia Mais »

ARAYARA na Mídia: Direitos humanos e violência política são temas de roda de conversa nesta quarta (10)

A atividade realizada no Dia Internacional dos Direitos Humanos, acontece na sede da Sociedade Protetora dos Desvalidos (SPD) Nesta quarta-feira, 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos, roda de conversa sobre Direitos Humanos e Violência Política, acontece às 9h, na Sociedade Protetora dos Desvalidos (SPD), no Pelourinho. O encontro, iniciativa da vereadora Eliete Paraguassu (PSOL), tem como objetivo fortalecer a

Leia Mais »

ARAYARA na Mídia: STJ:audiência pública discute fracking e impactos ambientais na exploração de gás de xisto

Por Gabriela da Cunha Rio, 8/12/2025 – O Superior Tribunal de Justiça (STJ) analisará nesta quinta-feira, 11, a possibilidade de uso do fraturamento hidráulico (fracking) na exploração de óleo e gás de xisto, durante audiência pública convocada pela Primeira Seção sob relatoria do ministro Afrânio Vilela. No primeiro bloco, apresentarão argumentos o Ministério Público Federal, a Agência Nacional do Petróleo,

Leia Mais »

ARAYARA na Mídia: After COP30, Brazilian oil continues its rush towards the global market

A decision to drill at the mouth of the Amazon drew criticism at the UN summit. But Brazil’s oil production still soars, as it hopes to consolidate its role as an exporter decision to approve oil exploration off the coast of Brazil weeks before the country hosted the COP30 climate conference signals the country’s intention to increasingly target the international market, despite

Leia Mais »