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A crise hídrica e o alto custo da água na exploração e queima de carvão mineral no Brasil

O Instituto Internacional ARAYARA marcou presença de destaque no Workshop Internacional Sustentare & WIPIS 2025, realizado de 24 a 28 de novembro, em Campinas, São Paulo. Representada presencialmente pela engenheira ambiental Daniela Giovana da Cunha Barros, coordenadora de Projetos e Clima, a organização levou ao ambiente acadêmico um debate crucial sobre a insustentabilidade do carvão mineral e a expansão de combustíveis fósseis em biomas estratégicos.

O evento, realizado pela PUC Campinas e pela USP, serviu como plataforma para a ARAYARA apresentar três estudos de peso, reforçando a urgência de uma transição energética justa e baseada em evidências científicas.

Pesquisas de impacto da ARAYARA: do carvão à Amazônia

A participação do Instituto incluiu a submissão de um artigo completo e dois resumos expandidos, todos aceitos e que serão publicados nos Anais do evento:

  • Artigo Completo: “Contaminação hídrica e estresse ambiental em regiões carboníferas: O caso de Candiota, Rio Grande do Sul”. O trabalho analisa como a exploração de carvão em Candiota (RS), que detém 21% das reservas nacionais, compromete recursos hídricos. Por meio de análise documental e estudo de caso, o artigo aponta para a contaminação por drenagem ácida de mineração e o alto consumo de água pela usina termelétrica Candiota III, agravando o estresse hídrico em uma região já vulnerável a estiagens. A conclusão reforça a inviabilidade ambiental e social de manter a dependência do carvão.
  • Resumo expandido I: Os desafios da preservação do bioma Cerrado frente à construção de termelétricas e gasodutos Este estudo foca na ameaça que a expansão da infraestrutura fóssil (gasodutos e termelétricas) representa para o Cerrado, bioma fundamental para o equilíbrio hídrico do país. O trabalho conclui que a continuidade desses empreendimentos contradiz os compromissos de descarbonização do Brasil e compromete a credibilidade climática nacional.
  • Resumo expandido II: Plataforma digitais e justiça climática: O papel do Monitor Amazônia Livre de Petróleo e Gás A pesquisa apresenta a eficácia do Monitor Amazônia Livre de Petróleo e Gás, uma plataforma criada para mapear riscos e fortalecer o controle social contra a exploração de óleo e gás na Amazônia. O estudo mostra que os dados do Monitor (841 blocos de P&G em 9 países amazônicos, muitos sobrepostos a áreas protegidas) apoiaram ações judiciais e contribuíram para proteger cerca de 700 mil km² entre 2023 e 2025, destacando a importância da tecnologia e da litigância climática.

Debate acadêmico confronta a contradição nacional

A apresentação do artigo sobre Candiota, realizada no dia 24 de novembro, ganhou urgência ao ocorrer dias após o encerramento da COP30 e a sanção integral da Lei nº 15.269 (MP 1.304/2025). Essa nova lei garante a continuidade da operação subsidiada das usinas a carvão mineral até 2040, autorizando um custo estimado de até R$ 107 bilhões aos consumidores.

A ARAYARA utilizou o espaço para denunciar a incoerência entre o discurso climático internacional do Brasil e suas decisões internas: “O cenário em que o Brasil se encontra é incoerente e acarreta em impactos irreversíveis ao meio ambiente e à sociedade. E, no final, quem paga essa conta somos nós, cidadãos,” destacou Daniela Barros.

O Pacote de Belém, resultado da COP30, também foi pauta, sendo criticado por manter a estrutura de uso de combustíveis fósseis sem estabelecer cronogramas claros de eliminação, o que contraria a urgência científica.

Destaques do Encontro Acadêmico

Além da apresentação sobre Candiota, a participação da ARAYARA no Sustentare & WIPIS 2025 permitiu acompanhar uma vasta agenda de debates de alto nível. O evento promoveu a discussão sobre Resiliência Climática e Sustentabilidade, com foco em temas como incêndios florestais (Wildfires) e a incorporação de critérios de essencialidade e circularidade na gestão de operações. Os painéis de ODS Talks reuniram especialistas para debater a governança da água como direito humano e a cooperação internacional pós-COP30. O papel da tecnologia foi central, com a apresentação de métodos de ponta para avaliação de queimadas usando sensoriamento remoto e o projeto “Bacias hidrográficas inteligentes,” que utiliza Inteligência Artificial (IA) para monitoramento preditivo e segurança hídrica. Houve ainda um debate crítico sobre o balanço da COP30 e a urgência de fortalecer a mitigação e a adaptação climática. O Instituto também acompanhou a oficina “A Amazônia vai à Escola!”, que abordou saberes tradicionais, biodiversidade e a importância ecológica da floresta.

Ciência e justiça como pilar da transição

A participação do Instituto ARAYARA no evento reforçou a importância da integração entre ciência, tecnologia e políticas públicas na luta climática. A visibilidade alcançada pelas pesquisas sobre Candiota e a Amazônia contribuiu para evidenciar as ameaças da infraestrutura fóssil e reforçar a urgência de uma transição energética justa.

O evento também destacou a contribuição essencial das mulheres na ciência climática e na defesa dos territórios, reforçando a necessidade de ampliar sua liderança em áreas estratégicas para o desenvolvimento sustentável.

A ARAYARA reafirma seu compromisso de seguir atuando em espaços de construção científica e política, utilizando o conhecimento crítico como pilar para orientar a proteção dos ecossistemas e a promoção da justiça socioambiental no Brasil.

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