+55 (41) 9 8445 0000 arayara@arayara.org

COP30: CNDH recomenda suspensão do licenciamento da UTE Brasília por riscos socioambientais e violação de direitos humanos

O Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) emitiu a Recomendação nº 14/2025, acolhendo pedido do Instituto Internacional ARAYARA para suspender o licenciamento ambiental da Usina Termelétrica (UTE) Brasília, em Samambaia (DF). A deliberação, aprovada por unanimidade na 93ª reunião do colegiado, ocorreu após sustentação oral de John Wurdig, gerente de Transição Energética da ARAYARA, que representou a entidade durante a sessão.

A recomendação do CNDH ao Ibama reforça a necessidade de suspender imediatamente o processo de licenciamento da UTE Brasília, pedindo ao IBAMA o arquivamento deste processo. O documento destaca que o empreendimento ameaça diretamente a Escola Classe Guariroba, única unidade rural da região, com 560 crianças matriculadas, além de prever a supressão de quase 32 hectares de vegetação nativa, poluição atmosférica e aumento de emissões de gases do efeito estufa, que poderiam dobrar as emissões do setor energético do Distrito Federal.

A iniciativa do CNDH surge após o Ibama indeferir a Licença Prévia da usina, considerando sua inviabilidade ambiental e locacional. A decisão federal barrou o maior projeto termelétrico a gás do bioma Cerrado — com 1.470 MW de potência e emissões estimadas em 4,7 milhões de toneladas de CO₂ por ano — e impede sua participação nos próximos leilões de reserva de capacidade.

Para Nicole Figueiredo de Oliveira, diretora executiva da ARAYARA, a recomendação do CNDH confirma o papel da sociedade civil na defesa do direito à vida e à justiça climática: “A instalação de uma termelétrica fóssil ao lado de uma escola é inaceitável em qualquer contexto. Essa decisão reafirma que a transição energética não pode se dar às custas da saúde, da educação e do futuro das crianças brasileiras.”

Já Renata Prata, Coordenadora de Advocacy, defendeu o pedido na reunião do CNDH, destacou o caráter simbólico da decisão: “O caso da UTE Brasília evidencia a contradição da chamada ‘transição energética pró-fóssil’. Nosso papel é expor essas falsas soluções e garantir que o Estado brasileiro cumpra seus compromissos de descarbonização, justiça social e respeito aos direitos humanos, especialmente enquanto estamos na COP30 reforçando a importância do Brasil liderar a transição energética pelo bom exemplo. 

O caso ganha relevância adicional por ocorrer durante a realização da COP30, quando o Brasil se apresenta como anfitrião e defensor da transição energética justa. Para a ARAYARA, decisões como essa demonstram que a defesa dos direitos humanos é indissociável da política climática, e que a descarbonização deve priorizar a proteção de territórios e populações vulneráveis.

Mesmo após o indeferimento da Licença Prévia pelo Ibama, a empresa Termo Norte Energia apresentou um pedido de revisão da decisão, buscando reverter a negativa e retomar o processo de licenciamento.

 

Compartilhe

Share on whatsapp
WhatsApp
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn

Enviar Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Redes Sociais

Posts Recentes

Receba as atualizações mais recentes

Faça parte da nossa rede

Sem spam, notificações apenas sobre novidades, campanhas, atualizações.

Leia também

Posts relacionados

Na defesa das usinas nucleares falta argumento, sobra mediocridade

Heitor Scalambrini Costa Professor associado aposentado da Universidade Federal de Pernambuco Zoraide Vilasboas Ativista socioambiental, integrante da Articulação Antinuclear Brasileira   Na discussão sobre se o Brasil avança na nuclearização de seu território com a conclusão de Angra 3 e constrói mais 10.000 MW de novas usinas nucleares, como propõe o Plano Nacional de Energia 2050, a mediocridade dos argumentos pró

Leia Mais »

Aviso de Convocação – Assembleia Geral Ordinária

O Instituto Internacional ARAYARA convoca os(as) associados(as) com filiação regular e quites com as taxas anuais e remidas, e que estejam em pleno gozo de seus direitos estatutários, para a Assembleia Geral Ordinária a ser realizada em formato híbrido no dia 18 de dezembro de 2025, às 18h30 em primeira chamada e às 19h00 em segunda chamada. A participação poderá

Leia Mais »

Audiência pública sobre o fracking no STJ : uma das maiores ameaças à saúde humana e prejuízos ao agronegócio e às mulheres do Brasil

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) sedia, no dia 11 de dezembro de 2025, uma audiência pública de importância crucial para o futuro energético e ambiental do Brasil. O evento coloca em debate a exploração de gás de xisto (shale gas) por meio do fraturamento hidráulico (fracking), uma técnica não-convencional que, segundo dados e subsídios científicos compilados pelo Instituto Internacional

Leia Mais »

ARAYARA na Mídia: Roteiro brasileiro para fim dos combustíveis fósseis começa a sair do papel

Lula dá 60 dias para os ministérios do Meio Ambiente, Fazenda e Minas e Energia, e Casa Civil apresentarem as diretrizes para a transição energética justa, mas condiciona financiamento à exploração de petróleo e gás O despacho publicado ontem no Diário Oficial da União onde o presidente Lula convoca os ministérios de Minas e Energia, Fazenda e Meio Ambiente e mais a

Leia Mais »