+55 (41) 9 8445 0000 arayara@arayara.org

ARAYARA na Mídia: ICMBio detalha riscos de exploração de petróleo e gás em área próxima a Fernando de Noronha

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis vai realizar leilão, no dia 17 de junho, para exploração da Bacia Potiguar. ANP alega que área está numa distância de 398 km da ilha e que informação de risco para Noronha ‘não é verdadeira”.

 

Os riscos da exploração de petróleo e gás nas proximidades de Fernando de Noronha foram discutidos em uma reunião, na noite de quinta (29), no Centro de Visitantes do Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio).

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) programou um leilão, no dia 17 de junho, para exploração de petróleo e gás dos chamados blocos na Bacia Potiguar, numa distância de 398 km da ilha.

Os especialistas afirmaram que as correntes marítimas podem transportar o óleo para Noronha em curto espaço de tempo, em caso de um problema.

“Ainda que a bacia prevista em leilão esteja em frente à Natal (RN) pode acontecer um derramamento de óleo e isso atingiria toda cadeia montanhosa que conecta Fernando de Noronha. As correntes marítimas subsuperficiais podem trazer esses resíduos e impactar o ecossistema, declarou a chefe do ICMBio em Noronha, Lilian Hangae.

A representante do instituto afirmou, ainda, que o ICMBio deu parecer negativo para o leilão, por conta dos riscos. A ANP também é um órgão do governo federal e tem interesse na exploração da região. Lilian Hangae falou da divergência entre os órgãos.

“Os interesses são conflitantes, a gente se preocupa. Nós esperamos que haja bom senso do governo e dos investidores para um leilão como esse”, afirmou Lilian Hangae.

O Instituto Arayara fez um estudo dos riscos e entrou com uma ação na justiça para impedir o leilão. O gerente do operações do instituto, Vinicius Nora, que é biólogo marinho, detalhou os riscos.

“Os riscos são diversos, os blocos propostos para leilão estão localizados na cadeia marinha de Fernando de Noronha, que são montanhas submersas, ricas em corais e que têm um ecossistema interligado, desde o Atol das Rocas. Um vazamento de petróleo seria um desastre ambiental e irreversível para a economia local, que vive do turismo”, indicou Vinicius Nora.

Reunião no ICMBio discutiu riscos do leilão — Foto: Ana Clara Marinho/TV Globo

Reunião no ICMBio discutiu riscos do leilão — Foto: Ana Clara Marinho/TV Globo

Esta será a terceira vez que a ANP tentará leiloar a área para esse tipo de exploração. Nas duas oportunidades anteriores, não houve propostas para os lotes próximos à ilha.

A campanha Salve Noronha teve início para tentar mobilizar a sociedade e impedir o leilão. Um grupo esteve na praia Cacimba do Padre, na manhã desta sexta (30), com uma faixa para produção de imagens e sensibilização dos visitantes (veja vídeo acima).

A bióloga Zaira Matheus, que mora na ilha há mais de 20 anos, aderiu a campanha.

“É possível salvar Fernando de Noronha se todos entenderem quanto serão prejudicados, caso aconteça a exploração de petróleo na região. É preciso que as pessoas se engajem no movimento, façam parte da campanha para que não haja ofertas para os blocos próximos à Noronha e o Atol das Rocas”, falou Zaira.

O empresário Petros Carvalho, que também mora em Fernando de Noronha, falou da necessidade de colaborar com o movimento contra o leilão.

“Queremos afastar Noronha desse risco brutal. É absurdo, não é possível invadir a ilha com óleo. Estamos aqui para fazer resistência”, disse Petros.

A administradora de empresas Cíntia Tomé está em Noronha a turismo e resolveu participar da campanha. “Eu soube da campanha e imediatamente resolvi me engajar. Precisamos proteger esse paraíso, queremos que Noronha fique preservada para muitas gerações”, falou Cíntia.

O que diz a ANP

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis indicou, em nota, que a informação de risco para Fernando de Noronha ‘não é verdadeira:

  • No dia 17 de junho, a ANP realizará a sessão pública do 5º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão (OPC). Serão oferecidos blocos na Bacia Potiguar, mas não há blocos próximos à região de Fernando de Noronha em oferta. A distância do bloco mais próximo é de 398 km.
  • Complementamos que as licitações realizadas pela ANP atendem às diretrizes do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).
  • A resolução CNPE nº 17/2017 determina que, para incluir blocos no edital da Oferta Permanente de Concessão, a ANP precisa estar respaldada por Avaliação Ambiental de Área Sedimentar (AAAS) ou por manifestações conjuntas em vigor, do Ministérios de Minas e Energia (MME) e de Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), nos casos em que as AAAS não tenham sido concluídas.
  • Todos os blocos ofertados contam com manifestações conjuntas do MME e MMA em vigor.
  • Além disso, todas as atividades nas áreas arrematadas nas licitações como a Oferta Permanente exigem a obtenção de licença ambiental emitida pelo órgão ambiental responsável para serem executadas.

Fonte: G1

Compartilhe

Share on whatsapp
WhatsApp
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn

Enviar Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Redes Sociais

Posts Recentes

Categorias
Receba as atualizações mais recentes

Faça parte da nossa rede

Sem spam, notificações apenas sobre novidades, campanhas, atualizações.

Leia também

Posts relacionados

Instituto Internacional Arayara participa de encontro que celebra os 45 anos do Sistema Nacional do Meio Ambiente

Com presença da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva e do ministro do Superior Tribunal de Justiça, Herman Benjamin, evento debateu os avanços e desafios da governança ambiental no país   O Instituto Internacional Arayara participou, nesta terça-feira (10), no auditório do Ibama, em Brasília, da celebração dos 45 anos do Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama). O diretor Juliano

Leia Mais »

ARAYARA na Mídia: Liminar pede exclusão de térmicas a carvão do LRCap

Por: Camila Maia – MegaWhat 05/03/2026 Na petição, o instituto argumenta que as características operacionais dessas usinas são incompatíveis com o objetivo central do leilão, que é contratar potência flexível capaz de responder rapidamente às necessidades do sistema elétrico. O mecanismo foi desenhado justamente para lidar com um sistema com participação crescente de fontes intermitentes, como eólica e solar, que

Leia Mais »

A proteção do Oceano é destaque em agenda no Peru

Nos dias 24 e 25 de janeiro, o Instituto Arayara participou, em Lima (Peru), da Consulta Regional sobre Capacidades Legais para a Proteção do Oceano, promovida pela Asociación Interamericana para la Defensa del Ambiente (AIDA). O encontro reuniu especialistas em temas marinhos de toda a região da América do Sul, em uma oficina de discussão e diálogo, com o objetivo

Leia Mais »

Na Mídia | Flexibilização do licenciamento ambiental entra em vigor nesta quarta com ações no STF alegando inconstitucionalidade

Derrubada de 56 vetos de Lula pelo Congresso restituiu ao texto dispositivos que ampliam modalidades simplificadas, reduzem a participação de órgãos setoriais e restringem exigências previstas em normas anteriores Por Luis Felipe Azevedo — Rio de Janeiro – O Globo   A Lei Geral do Licenciamento Ambiental, que flexibiliza o processo de concessão de licenças, entrou em vigor nesta quarta-feira, 180

Leia Mais »