+55 (41) 9 8445 0000 arayara@arayara.org

DF avança em soluções climáticas em conferência ambiental, mas enfrenta polêmica sobre instalação da UTE Brasília

Caso seja instalado, o empreendimento não só agravará a qualidade do ar no DF, como também causará uma perda significativa de recursos hídricos, equivalente a mais de 105 mil caixas d’água de 500 litros por ano

O Distrito Federal avançou na luta contra a crise climática com a realização da 5ª Conferência Distrital do Meio Ambiente, que aconteceu nos dias 22 e 23 de fevereiro. O evento reuniu especialistas, gestores públicos e representantes da sociedade civil para debater políticas ambientais e elaborar propostas que serão levadas à etapa nacional da conferência, prevista para maio deste ano. No entanto, o evento também serviu de palco para um embate sobre a instalação da Usina Termelétrica a Gás Natural UTE Brasília, proposta pela empresa Termo Norte Energia, levantando questionamentos sobre a coerência das políticas ambientais do governo.

Com o tema “Emergência Climática – O Desafio da Transformação Ecológica”, a conferência, promovida pela Secretaria de Meio Ambiente do DF (Sema-DF), teve como principal objetivo subsidiar a implementação da Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC), além de estruturar ações estratégicas para mitigar os impactos das mudanças climáticas. Entre as principais resoluções, foram priorizadas propostas voltadas para o transporte sustentável, adaptação urbana, justiça climática e governança ambiental.

“A participação ativa da sociedade é essencial para fortalecer políticas públicas eficazes e garantir um futuro sustentável para o DF”, declarou a vice-governadora Celina Leão durante a abertura do evento.

O Instituto Internacional ARAYARA, que participou da construção das propostas, destacou a urgência de um compromisso coletivo. Para o engenheiro doutor em Riscos e Emergências Ambientais e diretor técnico da instituição, Juliano Bueno de Araújo, as conferências ambientais precisam ser fortalecidas em todas as esferas. 

“A emergência climática exige ações concretas e não discursos vazios. O DF avança, mas retrocessos como a instalação de termelétricas precisam ser combatidos”, afirmou Araújo, que foi eleito um dos 71 delegados na instância distrital da conferência, que ocorreu em janeiro.

Os debates resultaram na construção de um caderno com 52 propostas que servirão como base para futuras ações ambientais no DF. Dentre essas, 20 propostas foram priorizadas e cadastradas na plataforma Brasil Participativo, disponível para consulta pública.

Conferência se posiciona contra termelétrica 

O evento também foi marcado por um posicionamento firme contra a instalação da UTE Brasília, que, segundo especialistas, representa um contrassenso diante dos compromissos de transição energética assumidos pelo governo.

A ARAYARA e entidades locais apresentaram uma Moção de Repúdio, assinada pelos delegados presentes, contra o empreendimento. O documento destaca que a usina, movida a gás fóssil, contradiz as diretrizes de transformação ecológica e compromete os esforços para reduzir as emissões de carbono. Além disso, estudos apontam que a instalação pode agravar a contaminação hídrica do rio Melchior, área já vulnerável ambientalmente.

“Defender a transição energética e, ao mesmo tempo, autorizar uma termelétrica a gás é um contrassenso que precisa ser questionado. Esse tipo de empreendimento vai na contramão do que o próprio governo defende nesta conferência”, ressalta Araújo.

A polêmica se intensificará ainda mais na próxima quarta-feira (12/3), quando será realizada uma audiência pública para discutir o licenciamento ambiental da termelétrica junto ao IBAMA. A empresa Termo Norte Energia apresentará seu Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), enquanto a comunidade já se mobiliza para contestar a instalação do projeto.

Crise hídrica e poluição do ar

A UTE Brasília proposta pela Termo Norte Energia, exigirá uma captação massiva de água para seu funcionamento, retirando cerca de 110 mil litros por hora de um corpo hídrico local. Embora a empresa afirme que 94% desse volume será devolvido após tratamento, aproximadamente 144 mil litros serão desperdiçados diariamente – o equivalente a quase 53 milhões de litros por ano.

Araújo explica que, para efeito de comparação, essa perda anual corresponde a mais de 105 mil caixas d’água de 500 litros, suficientes para abastecer milhares de famílias.

“Mesmo com esses dados alarmantes num cenário de crise hídrica que o DF tem sido impactado, a ADASA – Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal autorizou o uso da água para o projeto da UTE Brasília sem consultar a Secretaria do Meio Ambiente”, alerta Araújo.

Se instalado, o empreendimento estará a 35 km da Praça dos Três Poderes. De acordo com a ARAYARA, a Usina ameaça colapsar o abastecimento de água na Bacia do Rio Melchior e piorar a qualidade do ar na capital do Brasil.

 

AUDIÊNCIA PÚBLICA: USINA TERMELÉTRICA (UTE) BRASÍLIA

Data: 12/03/2025

Horário: 18h

Local: SEST SENAT | UNIDADE BRASÍLIA – DF – QS, 420 – Conjunto 8 Lote 01, Subcentro Leste – Samambaia Norte, Brasília – DF, 72320-426 

 

Compartilhe

Share on whatsapp
WhatsApp
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn

Enviar Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Redes Sociais

Posts Recentes

Categorias
Receba as atualizações mais recentes

Faça parte da nossa rede

Sem spam, notificações apenas sobre novidades, campanhas, atualizações.

Leia também

Posts relacionados

Contribution: Roadmap on the Transition Away from Fossil Fuels in a Just, Orderly and Equitable Manner

Introduction ARAYARA International Institute is a federally recognized public interest organization, a member of the National Environmental Council and the National Water Resources Council, among other collegiate bodies in Brazil, and part of Brazilian civil society. It works to promote climate justice, socio-environmental protection, and a just energy transition. Based on its activities in Brazil and Latin America, the Institute

Leia Mais »

Na mídia | Transição energética ganha nova ferramenta no Brasil

Por: plurale.com.br Em Brasília, no próximo dia 27 de abril, o Instituto Internacional Arayara apresenta a representantes de órgãos do governo, especialistas, educadores, estudantes,ativistas e profissionais de diversas áreas o Monitor de Energia, ferramenta colaborativa que traz informações técnicas importantes para o entendimento do processo de transição energética. A plataforma interativa reúne dados, análises e visualizações sobre o setor energético

Leia Mais »

Contribuições do ARAYARA para os Mapas do Caminho – COP30 apontam caminhos para a transição justa longe dos combustíveis fósseis

Introdução O Instituto Internacional ARAYARA é uma organização de utilidade pública federal, membra do Conselho Nacional do Meio Ambiente e Conselho Nacional de Recursos Hídricos, entre outros órgão colegiados pelo Brasil, e da sociedade civil brasileira que atua na promoção da justiça climática, na defesa socioambiental e na transição energética energética justa. Com base em sua atuação no Brasil e

Leia Mais »

ARAYARA Proposes Solutions for a Just Energy Transition for the 1st Conference on Transitioning Away from Fossil Fuels

Introduction The organizing team of the First Conference on Transitioning Away from Fossil Fuels (https://transitionawayconference.com/), to be held in Santa Marta, Colombia, from April 24-29, 2026, and co-sponsored by the Governments of Colombia and the Netherlands, has opened a consultation for participation in Methodological Stage 1 of the Conference. Written contributions focus on practical solutions around three thematic pillars: (i)

Leia Mais »