+55 (41) 9 8445 0000 arayara@arayara.org
reunião direitos humanos onu

Carta aberta para o estabelecimento de um novo Relator Especial da ONU sobre Direitos Humanos e Mudanças Climáticas

Foto: Reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU |

Uma carta publicada pela Federação Internacional de Direitos Humanos – assinada pela Fundação Arayara Brasil e Fundação Arayara Uruguai, junto à Coalizão Não Fracking Brasil e Fé, Paz e Clima, além de centenas de organizações pelo mundo – demanda urgência ao tratar das mudanças climáticas e seus impactos cada vez mais graves para a sociedade e o planeta.

A carta pede, ainda, que seja definido um novo Relator Especial sobre Direitos Humanos e Mudanças Climáticas na ONU.

Leia, abaixo, a tradução:

Como a 47ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU (CDH) está ocorrendo de 21 de junho a 15 de julho de 2021, a sociedade civil abaixo assinada e as organizações de Povos Indígenas apelam aos Estados membros da ONU, através do CDH, para estabelecer nesta sessão um novo Relator Especial sobre Direitos Humanos e Mudanças Climáticas na ONU.

As mudanças climáticas são uma ameaça existencial para a humanidade, colocando em risco a realização de todos os direitos humanos para as gerações presentes e futuras. À medida que os impactos da crise climática se agravam e agravam as formas de discriminação contra diversos povos, indivíduos e grupos em nossas sociedades, a ação não pode mais ser adiada no CDH e medidas urgentes de proteção às pessoas e ao planeta devem ser adotadas. A questão das mudanças climáticas não pode ser deixada apenas para diálogos interativos interessantes ou para os diferentes procedimentos especiais existentes para abordá-la quando possível, mesmo que suas várias contribuições tenham sido notáveis.

A criação de um mandato dedicado de Relator Especial com foco nos desafios da mudança climática é uma solicitação de longa data de um número crescente de organizações da sociedade civil e de Povos Indígenas, visto que um mandato dedicado permitiria ao CDH elevar seu trabalho sobre as mudanças climáticas de forma sistemática e sustentável, proteger as pessoas das mudanças climáticas descontroladas e seus impactos inevitáveis ​​e promover o respeito pelos direitos humanos nas respostas climáticas. Simplificando, as mudanças climáticas devem ser uma prioridade mais alta no CDH.

Em 2019, as Ilhas Marshall, em nome do Fórum Vulnerável ao Clima (CVF), solicitaram a criação de um Relator Especial do CDH dedicado aos direitos humanos e mudanças climáticas na 25ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. Nos últimos dois anos, essa proposta ganhou força entre os Estados. Durante a 46ª sessão do HRC em março de 2021, em um movimento sem precedentes, um grupo interregional de 56 Estados juntou-se a Bangladesh em uma declaração que conclamava os membros do Conselho a considerarem a criação deste novo mandato.

Agora é hora de agir com base nessas declarações. Nós, abaixo assinados, reiteramos assim nosso apelo instando os Estados a estabelecer um novo Relator Especial sobre direitos humanos e mudança climática na 47ª sessão do Conselho de Direitos Humanos.

A carta original, em inglês, pode ser lida abaixo e aqui.

UN: Open letter for the Establishment of a new UN Special Rapporteur on Human Rights and Climate Change

As the 47th session of the UN Human Rights Council (HRC) is taking place from 21 June to 15 July, 2021, the undersigned civil society and Indigenous Peoples organizations call on the UN member States through the HRC to establish at this session a new UN Special Rapporteur on human rights and climate change.

Climate change is an existential threat for humanity, jeopardizing the realization of all human rights for present and future generations. As the impacts of the climate crisis worsen and aggravate intersecting forms of discrimination against various peoples, individuals and groups in our societies, action can no longer be postponed at the HRC and urgent measures to protect people and the planet must be adopted. The issue of climate change cannot only be left any more to interesting interactive dialogues or to the existing different Special Procedures to address it when they can, even if their various contributions have been remarkable.

The creation of such a dedicated Special Rapporteur mandate focusing on the challenges of climate change is a longstanding request by a growing number of civil society organizations and of Indigenous Peoples, given that a dedicated mandate would enable the HRC to elevate its work on climate change in a systematic and sustainable way, protect people from runaway climate change and its unavoidable impacts, and promote respect for human rights in climate responses. Simply put, climate change must be a higher priority at the HRC.

In 2019, the Marshall Islands, on behalf of the Climate Vulnerable Forum (CVF), called for the creation of a dedicated HRC Special Rapporteur on human rights and climate change at the 25th Conference of the Parties to the UN Framework Convention on Climate Change. In the past two years, this proposal has gained momentum amongst States. During the 46th session of the HRC in March 2021, in an unprecedented move, a cross-regional group of 56 States joined Bangladesh in a statement that called upon Council members to consider creating this new mandate.

It is now time to act on these statements. We, the undersigned, thus reiterate our call urging States to establish a new Special Rapporteur on human rights and climate change at the 47th session of the Human Rights Council.

Compartilhe

Share on whatsapp
WhatsApp
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn

Enviar Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Redes Sociais

Posts Recentes

Categorias
Receba as atualizações mais recentes

Faça parte da nossa rede

Sem spam, notificações apenas sobre novidades, campanhas, atualizações.

Leia também

Posts relacionados

LRCAP 2026: Retorno do Carvão Mineral Eleva Riscos Climáticos e Custos Energéticos ao Consumidor Brasileiro

O Instituto Internacional ARAYARA, como a maior ONG de litigância climática e ambiental da América Latina, informa à sociedade brasileira que vê com preocupação os resultados do Leilão – Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência de 2026 (LRCAP 2026) – UTEs a Gás Natural, Carvão Mineral e UHEs, que ocorreu hoje hoje (18.03). A Empresa de Pesquisa

Leia Mais »

Guerra no Irã e a transição energética

Por: Urias Neto – Engenheiro Ambiental, Gerente de Engenharia Ambientas e Ciências/Licenciamento Ambiental A possibilidade de que os Estados Unidos e Israel tenham subestimado a capacidade militar do Irã pode contribuir para a prolongação dos conflitos no Oriente Médio. Um conflito mais duradouro tende a ampliar as tensões no mercado internacional de energia, sobretudo porque a região concentra parte significativa

Leia Mais »

Instituto Internacional Arayara participa de encontro que celebra os 45 anos do Sistema Nacional do Meio Ambiente

Com presença da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva e do ministro do Superior Tribunal de Justiça, Herman Benjamin, evento debateu os avanços e desafios da governança ambiental no país   O Instituto Internacional Arayara participou, nesta terça-feira (10), no auditório do Ibama, em Brasília, da celebração dos 45 anos do Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama). O diretor Juliano

Leia Mais »

ARAYARA na Mídia: Liminar pede exclusão de térmicas a carvão do LRCap

Por: Camila Maia – MegaWhat 05/03/2026 Na petição, o instituto argumenta que as características operacionais dessas usinas são incompatíveis com o objetivo central do leilão, que é contratar potência flexível capaz de responder rapidamente às necessidades do sistema elétrico. O mecanismo foi desenhado justamente para lidar com um sistema com participação crescente de fontes intermitentes, como eólica e solar, que

Leia Mais »