+55 (41) 9 8445 0000 arayara@arayara.org

ARAYARA na Mídia: 2026 será o ano das decisões de investimento em hidrogênio no Brasil?

Amônia, metanol e fertilizantes serão os primeiros produtos ofertados por projetos de hidrogênio verde com FID para o ano que vem

NESTA EDIÇÃO. Primeiras decisões de investimentos em hidrogênio verde no Brasil devem sair em 2026, com cerca de R$ 63 bilhões no radar.

Garantias regulatórias e de demanda são dois pontos fundamentais para a viabilidade desses investimentos.

Sete projetos em escala industrial, somando R$ 63 bilhões em investimentos, planejam chegar à decisão final de investimentos (FID, na sigla em inglês) no Brasil em 2026, colocando o país, de fato, na rota do hidrogênio verde.

Serão os primeiros FIDs brasileiros de produção de hidrogênio a partir da eletrólise em escala industrial, etapa que marca a transição da fase de planejamento para a implementação.

Isto é, quando os recursos passam a ser destinados para compra de equipamentos, por exemplo.

Na quinta (4/9), executivos do setor estiveram em Brasília, em um evento da Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (Abihv) para apresentar o andamento dos projetos e expectativas tanto em relação ao Brasil quanto ao cenário internacional.

Em comum, eles apontam a necessidade de ampliação da infraestrutura de transmissão e mudanças nas regras de acesso à rede, já que alguns pedidos de conexão estão recebendo negativas do ONS. Ao todo, os sete empreendimentos preveem 6,15 GW de capacidade de eletrólise.

Há também uma cobrança por clareza sobre os incentivos que serão adotados no mercado doméstico para neutralizar a diferença de preço entre hidrogênio verde e fóssil.

Aprovado há um ano, o marco legal do hidrogênio trouxe a previsão de subvenções para dar o pontapé nessa indústria, mas o setor ainda aguarda a conclusão da regulamentação.

Falta dizer quais serão as regras para acessar os subsídios governamentais de R$ 18,3 bilhões — dentro do Programa de Desenvolvimento do Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono (PHBC).

Nesse meio tempo, desde a aprovação do PHBC, há uma percepção de que o governo federal mudou o foco para os data centers, um possível concorrente na demanda de energia e, em alguns casos, com necessidades conflitantes, como explica Gabriel Chiappini na coluna Hidrogênio em foco:

Amônia, metanol e fertilizantes serão os primeiros produtos ofertados por essas indústrias verdes que projetam FID no ano que vem.

Em Uberaba (MG), a Atlas Agro planeja investir R$ 6 bilhões em uma planta com 300 MW de capacidade de eletrólise para produzir 530 mil toneladas por ano de fertilizantes nitrogenados.

O hidrogênio verde substituirá o gás natural importado, oferecendo para o agronegócio local um insumo de baixo carbono que promete competir em preço com o fóssil.

O projeto foi selecionado pela chamada de hubs industriais do governo federal, pelo Acelerador de Transição Industrial (ITA) e pela BIP, do Ministério da Fazenda.

Também no ITA, o projeto da European Energy no porto de Suape, em Pernambuco, projeta R$ 2 bilhões na produção de metanol verde para abastecer navios, substituindo combustível fóssil.

No hub de hidrogênio do porto do Pecém, Qair (R$ 17,7 bilhões), Casa dos Ventos (R$ 12 bilhões), FRV (R$ 6 bilhões) e Voltalia (R$ 2,7 bilhões) estão mirando a produção de amônia verde, como estratégia de exportação do hidrogênio.

Ainda no Pecém, a Fortescue (R$ 18 bilhões) foi a primeira a obter licença prévia do governo estadual. O grupo australiano quer produzir 170 mil toneladas por ano de hidrogênio verde, a partir de 2029, também com foco na exportação. Vale dizer que a previsão inicial de FID era 2025.

Garantias regulatórias e de demanda são dois pontos fundamentais para a viabilidade desses investimentos bilionários.

A previsão, segundo agentes do mercado, é que um decreto regulamentador do PHBC seja publicado ainda em 2025, e que o primeiro leilão de hidrogênio ocorra já em 2026 — contribuindo para as FIDs.

Outro ponto é a demanda: a maioria desses projetos mira a exportação para a Europa.

A demora na implementação da diretiva europeia (RED III), por exemplo, tem segurado algumas decisões, por falta de previsibilidade.

Assim como o desenrolar, na Organização Marítima Internacional (IMO), do mecanismo net zero para a navegação é acompanhado com atenção, para calibrar as expectativas de demanda.

  • Autora da ação contra Candiota, a Arayara divulgou uma nota nesta sexta (5/9) criticando a decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Para a ONG ambiental, o tribunal “desconsiderou provas consistentes de poluição atmosférica, danos à saúde pública e descumprimento de normas ambientais e climáticas”.

Transição na Amazônia. Eletrobras, Aggreko, Oliveira Energia e Roraima Energia ganharam uma chamada do programa Energias da Amazônia, do MME, para ampliar o acesso à energia renovável na Amazônia Legal. Entre as iniciativas estão hibridização de usinas térmicas com energia solar fotovoltaica e sistemas de armazenamento em baterias.

Renováveis em xeque na Argentina. O alinhamento do atual governo argentino com os EUA em detrimento da China, os cortes significativos no orçamento de infraestrutura e as tensões comerciais globais colocam em xeque investimentos chineses em renováveis na Argentina. Incentivos ao setor estão próximos do vencimento e há dúvidas se a administração de Javier Milei irá renovar esse prazo. (Dialogue Earth)

R$ 10 bi em perdas. O furto de energia, conhecido como perdas não técnicas de energia elétrica no Brasil, representaram um custo de R$ 10,3 bilhões em 2024, de acordo com relatório da Aneel. Ligações irregulares, fraudes e erros de medição ou faturamento atingiram 16,02% do mercado de baixa tensão no ano passado.

Contratos de etanol. A ANP passou a publicar em seu site o relatório da contratação prévia de etanol anidro por distribuidores de combustíveis líquidos. A primeira edição, relativa à Safra 2025-2026 mostra que foram homologados 504 contratos prévios, firmados entre 141 fornecedores de etanol e 135 distribuidores de combustíveis líquidos.

Fonte: Eixos

Foto: Reprodução / Ricardo Stuckert

Compartilhe

Share on whatsapp
WhatsApp
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn

Enviar Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Redes Sociais

Posts Recentes

Receba as atualizações mais recentes

Faça parte da nossa rede

Sem spam, notificações apenas sobre novidades, campanhas, atualizações.

Leia também

Posts relacionados

Na Mídia | Flexibilização do licenciamento ambiental entra em vigor nesta quarta com ações no STF alegando inconstitucionalidade

Derrubada de 56 vetos de Lula pelo Congresso restituiu ao texto dispositivos que ampliam modalidades simplificadas, reduzem a participação de órgãos setoriais e restringem exigências previstas em normas anteriores Por Luis Felipe Azevedo — Rio de Janeiro – O Globo   A Lei Geral do Licenciamento Ambiental, que flexibiliza o processo de concessão de licenças, entrou em vigor nesta quarta-feira, 180

Leia Mais »

Na mídia | Fracking: STJ pode avaliar uso de técnica controversa e redefinir exploração de gás neste semestre

Processo que discute viabilidade jurídica e condições técnicas para o fraturamento hidráulico foi instaurado pelo tribunal após 11 anos de impasse; tema mobiliza mais de 500 municípios brasileiros Por: Gabriela da Cunha –  Estadão.com Com a volta do ano judiciário, em fevereiro, o STJ pode levar a julgamento, ainda neste semestre, a ação sobre o uso do fracking no País.

Leia Mais »

Mega-Sena do Carvão Mineral: O prêmio de R$ 1 bilhão que o brasileiro pagou na conta de luz em 2025 para o setor elétrico carbonífero

O prêmio histórico de R$ 1,09 bilhão da Mega da Virada 2025 não é apenas o maior já pago aos apostadores: ele se aproxima do montante bilionário que o Governo Federal, sobre as diretrizes do Ministério de Minas e Energia, destinou em subsídios a apenas duas termelétricas a carvão mineral na Região Sul do Brasil no ano passado.    O

Leia Mais »