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Microplásticos tomam o planeta e contribuem para ameaça à vida

Os microplásticos já estão presentes nos pontos mais altos e mais profundos do planeta – e até dentro do nosso corpo.

Eles foram encontrados na chuva, em núcleos de gelo ártico, dentro dos peixes que comemos, bem como em frutas e vegetais. Uma pesquisa das universidade de Toulouse e Strathclyde já sugere que 136 mil toneladas de microplásticos são ejetadas do oceano a cada ano, terminando no ar que respiramos. Eles estão em placentas humanas, nas nossas águas residuais e nossa água potável.

Todos os resíduos de plástico, independentemente do tamanho, são prejudiciais ao meio ambiente, mas os microplásticos representam um desafio especial devido ao tamanho – alguns são 150 vezes menores que um fio de cabelo humano – e capacidade de entrar na cadeia alimentar. O resultado é que todos os aditivos químicos acabam na carne e nos órgãos de peixes e humanos.

Vimos há alguns meses que os pequenos pedaços de plástico – que já haviam sido descobertos em 2018 a nada menos que 11 quilômetros de profundidade na trincheira de Mariana, no Oceano Pacífico -, agora foram encontrados no Monte Everest.

Esta é a primeira vez que microplásticos foram detectados no Everest.

Outra notícia que preocupa é a de que, pela primeira vez, um estudo conseguiu de fato confirmar a presença de microplásticos dentro da placenta humana, segundo uma matéria publicada na revista científica Environment International.

Muito nos preocupa que as primeiras vezes deste ineditismo estejam na degradação do meio ambiente e da saúde humana por conta da poluição que toma o planeta.

Sempre bom lembrar que os plásticos são um subproduto da extração de combustíveis fósseis. Os materiais empregados em sua fabricação provêm de petróleo, gás e carvão mineral.

Responsável pelo estudo no Everest, Imogen Napper, da Universidade de Plymouth, Reino Unido, e seus colegas coletaram oito amostras de água de riacho e de neve de diferentes pontos da montanha.

O resultado da pesquisa: A presença de microplásticos em todas as amostras de neve e três das amostras de fluxo.

Realmente me surpreendeu encontrar microplásticos em cada uma das amostras de neve que analisei. O Monte Everest é um lugar que sempre considerei remoto e intocado. Saber que estamos poluindo perto do topo da montanha mais alta é uma verdadeira revelação”, ressaltou Imogen ao jornal The Guardian.

A amostra mais poluída veio do acampamento base do Everest, no Nepal, onde se concentra a maior parte da atividade humana na montanha.

As fibras provavelmente vieram de roupas, tendas e cordas usadas pelos montanhistas, de acordo com os cientistas.

Microplásticos e as consequências para a saúde humana

A informação sobre os resíduos encontrados no Everest e também na placenta humana vem sendo estudada com preocupação.

Uma pesquisa da WWF já apontou que as pessoas podem estar ingerindo o equivalente a um cartão de crédito de plástico por semana.

Os cientistas trabalham com algumas possibilidades referentes a como os microplásticos chegam ao organismo humano.

Uma delas é através da alimentação. Os microplásticos frequentemente entram em nossa cadeia alimentar por meio de água potável e frutos do mar. Além disso, podem entrar através das embalagens plásticas em que os alimentos são embalados nos supermercados.

Os microplásticos carregam substâncias que atuam como desreguladores endócrinos e podem causar efeitos a longo prazo na saúde humana.

Outra pesquisa, realizada por cientistas da Universidade de Victoria, no Canadá, em 2019, analisou as quantidades de microplásticos e diversos produtos e substâncias.

A água engarrafada aparece no topo da lista daqueles que apresentaram maior presença de microplástico, seguida por cerveja, ar, água de torneira, frutos do mar, açúcar e sal.

Na América do Sul, uma nova pesquisa encontrou microplásticos em cada amostra retirada de um vasto sistema de fiorde na Patagônia chilena, mostrando a imensa escala global da poluição marinha por plástico.

Cristóbal Castillo e sua equipe de pesquisa da Universidad de Concepción publicaram suas descobertas no mês passado no Marine Pollution Bulletin.

Para quem não sabe, apenas caminhar por 20 minutos, lavar nossas roupas ou abrir uma garrafa de plástico pode liberar microplásticos no meio ambiente.

Oceanos e saúde global

De acordo com a Plastic Oceans, mais de 8 milhões de toneladas de plástico acabam em nossos oceanos a cada ano.

Não é nenhuma novidade que os oceanos são cruciais para sustentar a vida no planeta. Eles desempenham um papel central na adição de oxigênio à atmosfera e na absorção de dióxido de carbono, ajudando a estabilizar os efeitos do aquecimento global.

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Eles são essenciais para a subsistência de milhões que vivem ou trabalham neles ou perto deles e têm um papel importante no fornecimento de vários medicamentos essenciais.

Conforme as temperaturas globais aumentam, a taxa de derretimento do gelo marinho aumenta. Isso libera formas de algas e bactérias nocivas em águas anteriormente não contaminadas.

Além disso, os efeitos das mudanças climáticas exacerbam outra causa significativa de danos à saúde dos oceanos: a poluição.

Plásticos de todos os tamanhos – principalmente os menores – são facilmente confundidos com comida por animais marinhos. As tartarugas marinhas, por exemplo, costumam confundir sacolas plásticas transparentes com águas-vivas.

No entanto, os microplásticos, acima de todas as outras formas de poluição do plástico, são o tipo de plástico mais frequentemente ingerido pela vida marinha.

Este artigo é só um resumo dos impactos interligados dentro dessa cadeia poluente em que vivemos. Toda e qualquer solução aponta para alternativas sustentáveis, incluindo o fim dos combustíveis fósseis – e, consequentemente, dos plásticos.

A sociedade precisa se unir para construir um mundo de energia limpa, livre e renovável.

Campinas quer controle de poluição

Campinas quer controle de poluição

A cidade de Campinas (SP) quer instituir a Política Municipal de Enfrentamento dos Impactos da Mudança do Clima e da Poluição Atmosférica de Campinas. Para isso, o Poder executivo encaminhou hoje, 7, projeto de lei à Câmara Municipal. Com a proposta, o poder público assume o compromisso de reduzir as emissões de gases de efeito estufa e poluentes em 5% até 2025 e reduções graduais até atingir 32% em 2060.

A Política Municipal de Enfrentamento dos Impactos da Mudança do Clima e da Poluição Atmosférica de Campinas é resultado do Inventário de Emissões da Região Metropolitana de Campinas, finalizado em março de 2019, que levantou fontes e sumidouros e reportou as emissões e remoções dos Gases de Efeito Estufa resultantes das atividades humanas na região.

O inventário apontou que a região é responsável pela emissão de 11,2 milhões de toneladas, das quais 85% são originadas pelos setores de energia estacionária e transportes.

Para a redução das emissões pelo transporte, a regulamentação vai prever que toda a frota municipal seja movida a biodiesel, estímulo à circulação de veículos elétricos, ampliação dos corredores de ônibus e faixas exclusivas, requalificação da malha ferroviária para adequação ao transporte de passageiros, criação de um centro de abastecimento de cargas para o aeroporto Viracopos.

No setor de energia, propõe a ampliação dos sistemas de energia fotovoltaica, e uso energias renováveis, campanhas de conscientização, reduzindo o consumo de energia e o desperdício energético em edifícios residenciais, comerciais e de serviços públicos, adoção de medidas para melhorias na eficiência e na resiliência do parque de iluminação pública com a substituição por luminárias mais eficientes.