#MarSemPetróleo: Artistas lançam música no Dia Mundial dos Oceanos

#MarSemPetróleo: Artistas lançam música no Dia Mundial dos Oceanos

Neste Dia Mundial dos Oceanos, alertamos todos para os graves riscos que a exploração de petróleo e gás leva aos nossos mares e a dezenas de espécies ameaçadas de extinção.

Assista e compartilhe a música gravada por artistas que se inspiraram na campanha da Arayara contra a 17a Rodada de leilões de blocos da ANP, que ameaça áreas extremamente sensíveis do litoral brasileiro, como Fernando de Noronha, a reserva marinha de Atol das Rocas e as praias de Santa Catarina. Nos ajude a salvar nossas praias, oceanos e toda a biodiversidade que eles abrigam!

Confira o vídeo aqui

Conheça os artistas

A composição e interpretação da música “Amar Mar Sem Petróleo” ficou por conta dos artistas Tiago BrancAutoral e Doiská.

Doiská é natural de Barbacena, Minas Gerais. Cantora, compositora, MC, rapper, produtora cultural, redatora e artista plástica, estuda Ciências Sociais na Universidade Estadual de Minas Gerais – UEMG. É consultora de elaboração de projetos, difusora e oficineira em iniciativas sociais no campo da cultura Hip Hop e do empoderamento feminino.

Tiago é cantor e ator. Se dedica ao teatro e à música há 15 anos, na pesquisa de arte e na busca por poesia.

Guitarra: Rodrigo Silva
Percussão: Licinho
Baixo: Jefferson Francis

Saiba mais sobre a campanha para suspender a 17a rodada:

SALVE NORONHA

SALVE A BALEIA AZUL

SOS LITORAL SC

No Dia Mundial dos Oceanos, exploração de petróleo e gás ameaça nossos mares

No Dia Mundial dos Oceanos, exploração de petróleo e gás ameaça nossos mares

Foto: Artivismo em frente à sede da Agência Nacional de Petróleo, no Rio de Janeiro

Nesta terça-feira (08) se comemora o Dia Mundial dos Oceanos. Lar da maior parte da biodiversidade do planeta, o oceano não só cobre mais de 70% do planeta, mas produz pelo menos 50% do oxigênio da Terra. É a principal fonte de proteína para mais de um bilhão de pessoas – sem mencionar a relevância para a economia mundial, já que cerca de 40 milhões de pessoas estarão empregadas em indústrias baseadas no oceano até 2030.

Com 90% das grandes populações de peixes esgotadas e 50% dos recifes de coral destruídos, estamos tirando mais do oceano do que podemos repor.

Uma das maiores ameaças atuais aos nossos mares, em território brasileiro, é a 17ª Rodada de Licitações de blocos para a exploração de petróleo e gás da Agência Nacional de Petróleo (ANP).

Previsto para acontecer em outubro, o leilão atinge áreas extremamente sensíveis, como o Parque Nacional Marinho Fernando de Noronha, a Área de Proteção Ambiental em seu entorno e a Reserva Biológica de Atol das Rocas, colocando em riscos dezenas de espécies marinhas ameaçadas de extinção.

Esta semana, o Instituto Internacional Arayara prepara ações para defender os oceanos e preservar sua biodiversidade. Ativistas e colaboradores da Arayara projetam, em cidades por todo o país, frases e chamados de conscientização para os graves riscos da 17ª Rodada. Hoje, ativistas do Instituto Internacional Arayara, Extinction Rebellion Brasil e Greve Pelo Clima FFF Brasil realizam artivismo, em frente à sede da ANP, no Rio de Janeiro, para conscientizar sobre o leilão.

A 17ª Rodada ofertará 92 blocos em quatro bacias sedimentares (Campos, Pelotas, Potiguar e Santos), com área total de 53,9 mil km². Nestas áreas propostas – que também atingem o litoral sul do Brasil – vivem pelo menos 89 espécies em risco de extinção, incluindo o maior animal que já existiu no planeta: a baleia-azul.

Não foram devidamente realizados estudos conclusivos de análise sobre os impactos da atividade petroleira para se gerar um componente de segurança ambiental no cenário da exploração fóssil dentro destes setores.

Relembrando o vazamento catastrófico de 2019


Para se ter uma ideia das consequências de um possível vazamento de petróleo e da completa falta de planejamento em caso de acidentes, basta lembrar do vazamento catastrófico que atingiu a costa brasileira, em especial o Nordeste, no dia 30 de agosto de 2019. Os milhões de trabalhadores da cadeia produtiva do turismo, pescadores, caiçaras e muitos outros ainda sofrem com as consequências daquele desastre.

O vazamento de cinco mil toneladas de óleo foi um dos maiores desastres ambientais do litoral brasileiro. Atingiu mais de 130 municípios em 11 estados, sendo nove do Nordeste e dois no Sudeste (Rio de Janeiro e Espírito Santo).

No mês passado, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar o vazamento foi cancelada, sem que nenhum culpado fosse apontado.

Ações contra a 17ª rodada
Desde que foi realizada a primeira – e única – audiência pública referente à 17ª rodada, o Instituto Internacional Arayara e o Observatório do Petróleo e Gás, com o apoio da Coalizão Não Fracking Brasil e do Observatório do Clima, vêm desenvolvendo estudos e ações para suspender o leilão.

Além de apresentar um relatório técnico que aponta os riscos e inconsistências do leilão, as organizações entraram com duas ações civis públicas nas varas federais em Pernambuco (2ª Vara, Comarca de Recife), referente à Bacia Potiguar, e Santa Catarina (6ª Vara, Comarca de Florianópolis), referente à Bacia de Pelotas, denunciando os graves erros no processo da 17ª Rodada de Concessão.

Com o suporte técnico do Instituto Internacional Arayara, o deputado federal David Miranda (PSOL), deu entrada no projeto de decreto legislativo para sustar os efeitos da 17ª Rodada de Concessão da ANP.

O PDL, que aponta os perigos da exploração em áreas sensíveis, ainda menciona a fala do diretor técnico do Observatório do Petróleo e Gás e da Arayara, Juliano Bueno de Araújo, referindo-se ao processo em curso. “Depois que o vazamento acontece, depois que o acidente acontece, não há mais o que fazer. O dano vai estar estabelecido e infelizmente corremos, sim, o risco de termos bilhões em prejuízos da natureza desses setores que vão ser, provavelmente, afetados por possíveis vazamentos”.

O deputado federal Túlio Gadêlha e o presidente do Partido Democrático Trabalhista (PDT), Carlos Lupi, também entraram com pedido de medida liminar de urgência no Supremo Tribunal Federal (STF).
O objetivo da manifestação conjunta – baseada no relatório técnico desenvolvido pelo Instituto Internacional Arayara em conjunto com o Observatório do Petróleo e Gás (OPG), além de outros pareceres oficiais que foram ignorados – é suspender o leilão de blocos de petróleo da Bacia Potiguar e também da bacia de Pelotas, situada no extremo sul do País.

O pedido reforça os riscos de acidentes ambientais que podem prejudicar de forma irreversível a biodiversidade e um dos maiores santuários naturais do Brasil.

As ações estão em andamento e processo de avaliação.

Em Santa Catarina, a Arayara vem se reunindo com moradores locais, vereadores e deputados para discutir os riscos da 17a rodada para o litoral catarinense. Realizamos uma live com a deputada Paulinha, que nos apoia na campanha SOSLitoralSC, e já está em articulação uma nova live com o deputado Padre Pedro sobre o tema.

Ativistas em todo o mundo se reúnem contra os combustíveis fósseis


Também nesta semana, os líderes dos países com as principais economias do mundo que formam o G7 – Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido – se reunirão na Inglaterra, durante três dias, a partir de sexta-feira.

Ativistas do movimento Extinction Rebellion e outras organizações, no Reino Unido e no mundo, estão planejando reações ao G7 para cobrar ações efetivas para frear a exploração de combustíveis fósseis e combater as mudanças climáticas.

Onde quer que esteja no mundo, você pode participar, unindo ações presenciais, ações digitais ou simplesmente sintonizando online para assistir ações e ouvir relatos do Sul global que contam a verdade sobre o os governos e seus parceiros na indústria de combustível fóssil.

Participe das nossas campanhas:


SALVE NORONHA

SALVE A BALEIA AZUL

SOS LITORAL SC

Dia Mundial do Meio Ambiente: Uma década para salvar o planeta

Dia Mundial do Meio Ambiente: Uma década para salvar o planeta

O Dia Mundial do Meio Ambiente é comemorado todos os anos em 5 de junho em todo o mundo. O dia é considerado um dos mais marcantes para a ação ambiental e para a conscientização das pessoas.

Este ano, quando vemos o Brasil bater recordes de desmatamento além do desmonte de leis e órgãos de defesa do meio ambiente, o resto do mundo parece acordar para o momento em que o planeta precisa, mais do que nunca, de ações de preservação.

Anualmente, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) organiza uma série de eventos relacionados ao tema. Este ano, o Paquistão está sediando o Dia Mundial do Meio Ambiente, com o lançamento oficial da Década das Nações Unidas para a restauração dos ecossistemas.

História do Dia Mundial do Meio Ambiente

A Assembleia Geral da ONU estabeleceu o Dia Mundial do Meio Ambiente no primeiro dia da Conferência de Estocolmo sobre Meio Ambiente, realizada na Suécia de 5 a 6 de junho de 1972.

O Dia Mundial do Meio Ambiente foi celebrado pela primeira vez no ano de 1974 com o tema ‘Só Uma Terra’. Com o passar dos anos, países se reuniram para a celebração do Dia do Meio Ambiente todos os anos.

Tema e significado do Dia Mundial do Meio Ambiente de 2021

Em meio à pandemia, o tema do 47º Dia Mundial do Meio Ambiente é ‘Restauração do Ecossistema’. Este dia importante dará início à Década das Nações Unidas para a Restauração do Ecossistema (2021-2030) para reviver hectares de terra de florestas a fazendas, do topo das montanhas às profundezas do mar.

O ano de 2030 é o prazo final que cientistas identificaram como sendo a última chance de evitar mudanças climáticas catastróficas. A década 2021-2030 é o período para que as nações encontrem seus caminhos para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

A proposta é fazer um chamado urgente para recuperar os ecossistemas danificados, degradados e desmatados, cujos números assustam: de acordo com um levantamento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente mais de 4,7 milhões de hectares de florestas são perdidos todos os anos no mundo.

Enquanto isso, a Década da ONU tem como objetivo aumentar em massa a restauração de ecossistemas degradados e destruídos para evitar a perda de um milhão de espécies e aumentar a segurança alimentar. Como o nome sugere, a restauração do ecossistema visa prevenir, deter e reverter os danos causados ​​pela humanidade.

Isso só pode acontecer com medidas que incluam o plantio de árvores, o enverdecimento de cidades, a limpeza de rios e costas e o reflorestamento de jardins, além da transição justa para modelos renováveis de energia. A pandemia lembrou à humanidade os danos que causamos à natureza e como é importante proteger o meio ambiente.

Para acompanhar o lançamento do evento virtual a ONU publicou o relatório global sobre a restauração.

“A restauração do ecossistema é uma das formas mais importantes de fornecer soluções baseadas na natureza para a insegurança alimentar, mitigação e adaptação às mudanças climáticas e perda de biodiversidade. Não será rápido ou fácil e exigirá mudanças profundas em tudo, desde a forma como medimos o progresso econômico até como cultivamos alimentos e o que comemos. Mas a beleza da restauração de ecossistemas é que ela pode acontecer em qualquer escala – e todas as pessoas têm um papel a cumprir”, destaca parte do documento.

Arayara e IDC se unem pela defesa dos direitos e interesses coletivos

Arayara e IDC se unem pela defesa dos direitos e interesses coletivos

Em um momento no qual a sociedade precisa se unir para lutar pela garantia de direitos, da qualidade de vida e do acesso à informação, o Instituto Internacional Arayara deu início a mais uma importante parceria, com o Instituto de Direito Coletivo (IDC).

Assim como a Arayara, o IDC é um espaço para o desenvolvimento de projetos de mobilização, defesa dos direitos e interesses coletivos, ensino e pesquisa, visando contribuir dentro desta temática.

“O IDC foi fundado em dezembro de 2017, com a missão de orientar, conscientizar e defender o pleno exercício dos direitos e interesses coletivos. Atuamos em quatro eixos temáticos: meio ambiente, cidadania, terceiro setor e consumidor”, explica Tatiana Bastos, advogada e presidente do IDC.

O instituto trabalha com cursos gratuitos de capacitação para a população, campanhas de mobilização, além do advocacy, participando de uma série de ações civis públicas que estão em andamento, principalmente no estado do Rio de Janeiro.

É importante destacar que a organização é amicus curiae da ação civil pública em face da transparência da qualidade da água da CEDAE – já que a contaminação da água é um dos principais problemas que a capital fluminense vem enfrentando. É, também, participante na ação civil pública para transparência da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro – considerada a maior ação de transparência da Alerj.

Além de também participarem como titulares no Comitê Guandu, que visa promover a gestão descentralizada e participativa dos recursos hídricos nas bacias hidrográficas dos rios Guandu, da Guarda e Guandu-Mirim, os membros do IDC também atuam para o aumento da efetividade da logística reversa na cidade do Rio de Janeiro.

Litigância climática

A parceria entre a Arayara e o IDC se inicia com o planejamento de evento conjunto sobre cenários e oportunidades de atuação de litigância climática no cenário do Rio de Janeiro.

“A Arayara é um exemplo de entidade de garantia de direitos, com muitas áreas de atuação afins ao IDC. Considerando a urgência climática, a sociedade civil organizada precisa ser protagonista na busca pelo equilíbrio ambiental para a presente e futuras gerações. Por este motivo, a parceria entre o IDC e a Arayara é tão importante”, afirma Tatiana, que também é membro integrante do Comitê de Transparência e Combate à Corrupção e participante do Governo Aberto.

Vale lembrar que um estudo recente, realizado pela organização Climate Central e publicado na revista Nature Communications, já prevê os impactos do aquecimento global para o Rio de Janeiro.

A cidade pode ser fortemente afetada pelo aumento do nível do mar ao longo dos próximos 80 anos. De acordo com o levantamento feito pela ONG, regiões como a Ilha do Governador, Duque de Caxias e Campos Elísios correm riscos de submersão até 2100.

O estudo prevê, ainda, que a Estação Ecológica da Guanabara seja uma das regiões mais afetadas pelo avanço do mar, que deve ocupar a maior parte da área preservada. Além da capital carioca, outras cidades do Estado também serão atingidas, como Campos dos Goytacazes e Cabo Frio.

“Falar de direito coletivo é falar de conscientização, educação, capacitação e ação para que todas as pessoas tenham direito a uma vida com qualidade, saúde e perspectivas para o futuro. A sociedade está pagando uma conta muito cara e o momento é de unir forças para proteger nossos direitos, nossas vidas e nosso planeta”, ressalta Nicole de Oliveira, diretora do Instituto Arayara.

Ações contra a Ternium Brasil

Em 2021, a siderúrgica Ternium Brasil, antiga TKCSA, localizada no bairro de Santa Cruz, na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, passa por um processo de pedido de renovação da sua Licença de Operação.

A Arayara vem apoiando a campanha “Licença pra quê?”, com o objetivo de questionar os impactos causados por um dos maiores complexos de siderurgia da América Latina, denunciar o descaso com a população desde a instalação e buscar do poder público a aplicação dos critérios para decidir sobre a licença.

A campanha aponta que moradores da região convivem com problemas de saúde, principalmente respiratórios, provocados pela poluição da siderúrgica, além de terem perdido seu sustento com a inviabilização da pesca e da agricultura de subsistência. Há, também, denúncias de danos materiais nunca ressarcidos, além de casas, roupas e quintais poluídos pelo pó preto (material particulado emitido no ar) lançado pela empresa.

Com o IDC, a Arayara pretende avaliar e encaminhar pedidos administrativos da Ternium, gerando informações e um planejamento para litigância no processo de renovação da licença de operação.

Apelo aos líderes mundiais: salvem a biodiversidade brasileira. A natureza pede socorro!

Apelo aos líderes mundiais: salvem a biodiversidade brasileira. A natureza pede socorro!

Na semana em que se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente, nós, brasileiros, temos pouco a celebrar. Vivemos um dos piores momentos da história no que tange à questão ambiental, quando nosso Ministério do Meio Ambiente é o mesmo que flexibiliza regras ambientais, deixa passar a boiada enquanto batemos recordes de desmatamento, e incentiva a mineração, os combustíveis fósseis e a exploração de áreas extremamente sensíveis.

Semana passada foi divulgado um levantamento anual, da Fundação SOS Mata Atlântica, que mostra que, a cada dia, 36 campos de futebol desta que é a vegetação mais ameaçada do país desaparecem. O desmatamento aumentou mais de 400% nos estados de São Paulo e do Espírito Santo, entre 2019 e 2020.

Vale lembrar que no ano passado, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles – aquele que está sendo investigado em operação contra a exportação ilegal de madeira -, propôs alterações na lei da Mata Atlântica. Além de permitir o desmatamento sem um parecer obrigatório do Ibama para áreas com até 150 hectares, a norma excluiria alguns tipos de vegetação nativa da obrigatoriedade de proteção.

Vimos o ano de 2020 bater um recorde no desmatamento na Amazônia. Entre janeiro e dezembro do ano passado, a floresta perdeu 8.058 km² de área verde. É a maior perda dos últimos dez anos.

E não podemos deixar de mencionar a 17ª Rodada de Licitações da Agência Nacional de Petróleo, que ameaça todo o litoral brasileiro, dezenas de espécies ameaçadas de extinção, além de ignorar pareceres e estudos técnicos que apontam os riscos da exploração.

Por estes e tantos outros motivos, hoje foi lançado um manifesto direcionado a líderes mundiais, que ressalta o caos ambiental e, consequentemente, social que o Brasil vem enfrentando com este governo. O Instituto Internacional Arayara assina a carta juntamente com artistas, ativistas e políticos do Brasil e de outros países.

Leia abaixo:

Exmo. Sr. Secretário-Geral António Guterres,

Exmo. Sr. Presidente Joe Biden,

Exma. Sra. Presidente Ursula Von der Leyen,

Exmo. Sr. Presidente do Mercosul Carlos Saúl Menem,

Em termos mundiais, a perda de florestas tropicais primárias, as quais desempenham um papel essencial na retenção do dióxido de carbono da atmosfera e na manutenção da biodiversidade, aumentou 12% em 2020 em relação a 2019, de acordo com o World Resources Institute. A maior destruição florestal ocorreu uma vez mais no Brasil, em grande parte por causa do seu atual governo, que permite o desmatamento na Amazônia por motivos de crescimento industrial e comercial e que nega a existência de alterações climáticas.

No ano passado, a região do Pantanal, a maior área alagada do planeta, sofreu uma devastação histórica. Investigações da Polícia Federal apontaram que incêndios criminosos deram início às queimadas que destruíram 30% de um bioma extremamente rico porque abriga grande parte dos animais do Brasil e até então o mais preservado. A área queimada representa 4.490 mil hectares em todo o bioma. Um impacto sem precedentes para o meio ambiente brasileiro e mundial, causando a morte de milhões de animais, colocando inclusive espécies em sério risco de extinção.

Outra questão ambiental que muito nos preocupa é a exploração petrolífera do arquipélago de Fernando de Noronha, Patrimônio Natural Mundial pela Unesco. O governo anunciou a realização de um leilão para a exploração de petróleo em áreas marítimas do Nordeste do Brasil, que, além de afetar Fernando de Noronha, oferece grave risco à Reserva Biológica do Atol das Rocas, o que poderá levar à extinção da baleia azul e outras 154 espécies de animais marinhos.

O Brasil de Bolsonaro tornou-se assim um pária do clima e do ambiente. Porém, precisamos incluir o Brasil nos esforços globais se quisermos alcançar os objetivos climáticos. Na sequência da Cimeira dos Líderes Mundiais sobre o Clima, o Presidente brasileiro comprometeu-se a atingir a neutralidade das emissões até 2050, em resposta à pressão exercida pelo Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. No entanto, será necessário que as palavras resultem em ações concretas. Por exemplo, no dia seguinte ao encontro, Jair Bolsonaro vetou R$ 240 milhões do orçamento para o Ministério do Meio Ambiente em 2021, o que demonstra as verdadeiras intenções do Presidente. Além disso, no passado dia 13 de maio, foi alterada, por votação na Câmara dos Deputados, a Lei Geral de Licenciamento Ambiental que altera certas regras ambientais. Estas novas regras dispensam a realização de Estudos de Impacto Ambiental para várias obras, como saneamento básico e empreendimentos. Por conseguinte, fauna e flora poderão ser muito afetadas, assim como certas áreas indígenas.

Já na União Europeia (UE), a Comissão Europeia ignorou os impactos ambientais e climáticos do acordo comercial entre a UE e o Mercosul, uma vez que esta avaliação de impacto foi concluída quase dois anos após a finalização das próprias negociações comerciais, pelo que as suas averiguações não foram tomadas em consideração durante as mesmas. Um erro significativo que o Provedor de Justiça Europeu declarou recentemente ser um caso de má administração. Fazer do Acordo de Paris um elemento essencial através de uma declaração adicional não irá resolver esta lacuna significativa. Se a UE está seriamente empenhada nos seus compromissos, terá de reabrir as negociações a fim de rever o acordo e abordar esta falha, ancorando normas ambientais e climáticas sancionáveis em todos os capítulos do acordo.

Adicionalmente, os cientistas têm demonstrado que áreas tropicais, como a Floresta Amazônica, representam focos para doenças infeciosas emergentes, que são potencializadas pela desflorestação, as monoculturas agrícolas intensivas e a pecuária. A destruição dos habitats naturais das espécies selvagens não só gera ansiedade entre as espécies afetadas e sobreviventes, que por sua vez provocam secreções virais, como também as obriga a encontrar novos abrigos mais próximos das habitações humanas. Esta situação é propícia à disseminação de agentes patogénicos e ao desenvolvimento de epidemias. Por conseguinte, o aumento previsto da desflorestação e da perda de biodiversidade constitui uma autêntica bomba-relógio epidemiológica.

Assim, convidamos os líderes mundiais, especialmente na UE e nos EUA, a reconsiderarem qualquer acordo comercial com o Brasil, enquanto as disposições ambientais, entre as quais a desflorestação na Amazônia e o aumento das emissões de CO2 e metano, não forem suficientemente fortes, exequíveis e vinculativas. Devemos igualmente, no âmbito das Nações Unidas, promover e encetar novas discussões multilaterais com o Brasil, a fim de se chegar a acordo sobre objetivos globais ambiciosos, concretos e vinculativos em matéria de proteção do clima, da biodiversidade e dos Direitos Humanos.

Atenciosamente,

David Miranda – Deputado federal na Câmara dos Deputados do Brasil

Francisco Guerreiro – Deputado no Parlamento Europeu

Silvana Andrade – Presidente da ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Assinam essa campanha:

Caetano Veloso – Músico e escritor;
Larissa de Macedo Machado (Anitta) – Cantora, compositora e atriz;
Xuxa Meneghel – Apresentadora e atriz;
Lázaro Ramos – Ator e diretor;
Alinne Moraes – Atriz;
Bernardo da Costa (Agir) – Cantor, produtor e músico;
Rogério Charraz – músico; João Gil – músico;
Sonia Guajajara – Líder indígena;
Célia Xakriabá – Professora e ativista indígena;
Daniela Mercury – Cantora e compositora;
Glenn Greenwald – Jornalista, advogado e escritor;
Haroldo Botta – Ator e figurinista;
Cristina Serra – Jornalista e escritora;
Patrícia Matos – Jornalista e assessora de comunicação no Parlamento Europeu;
Rui Lourenço – Jornalista e assessor de imprensa;
Paulo Jerônimo – Presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI);
Amaury Ribeiro Junior – Jornalista e escritor;
Luisa Mell – Apresentadora e ativista;

Anita Krajnc – Animal Save Movement;
Prof. Israel Batista – Deputado Federal (PV Brasil);
Cristina Rodrigues – Deputada à Assembleia da República (Portugal);
Andreas Schieder – Member of the European Parliament;
Benoît Biteau – Member of the European Parliament;
Brando Benifei – Member of the European Parliament;
Eleonora Evi – Member of the European Parliament;
Ernest Urtasun – Member of the European Parliament;
Grace O’Sullivan – Member of the European Parliament;
Marie Toussaint – Member of the European Parliament;
Martin Buschmann – Member of the European Parliament;
Michèle Rivasi – Member of the European Parliament;
Nikolaj Villumsen – Member of the European Parliament;
Rosa D’Amato – Member of the European Parliament;
Salima Yenbou – Member of the European Parliament;
Saskia Bricmont – Member of the European Parliament;
Yannick Jadot – Member of the European Parliament;
Maria do Carmo Santos – Presidente Vítimas Unidas;
Marie Henriqueta Ferreira Cavalcante – Coordenadora da Comissão Justiça e Paz CNBB N2;
Profa. Dra. Walterlina Brasil – Diretora do Núcleo de Ciências Humanas da Universidade Federal de Rondônia (UNIR);
Ari Miguel Teixeira Ott – Professor Pesquisador da Universidade Federal de Rondônia;
Claudio Macedo – Prof. Dr. em Direito da Universidade Federal de Santa Catarina;
Sandra Duarte Cardoso – Médica Veterinária, DVM, MSc PhD St. Presidente da ONG SOS Animal Portugal; Rede Nacional de Combate à desinformação RNCD Brasil;
Instituto Internacional Arayara;
TROCA – Plataforma por um Comércio Internacional Justo;
Josiane Censi – Coletivo Valente;
Dietmar Starke – Arquiteto e Ativista em Direitos Humanos – Rio de Janeiro;
Martim Sampaio – Advogado e Ativista em Direitos Humanos – São Paulo;
Rosangella Leote – Artista e professora brasileira;
Sibele de Lima Lemos – Coletivo de Proteção à Infância Voz Materna;
Bernardo Gonçalves – Associação ART LAB.

ASSINE A PETIÇÃO AQUI.